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O dinamarquês Anders Hansen e o finlandês Mikko Korhonen assumem o comando com -18. Ricardo Melo Gouveia persegue dois records


O dinamarquês Anders Hansen e o finlandês Mikko Korhonen assumem o comando com -18. Ricardo Melo Gouveia persegue dois records

22/10/2016

Ricardo Melo Gouveia parte amanhã para a última volta do Portugal Masters com a possibilidade de carimbar um duplo recorde nacional no mais importante torneio de golfe português, que o European Tour está a organizar no Victoria Clube de Golfe, em Vilamoura, com 2 milhões de euros em prémios monetários.

O jogador do Team Portugal terminou hoje a penúltima volta no grupo dos 24º classificados, com 202 pancadas, 11 abaixo do Par-71 do campo desenhado por Arnold Palmer.

Um resultado que partilha com outros seis jogadores, entre os quais o sueco Alex Noren, o único que este ano conquistou três títulos na primeira divisão europeia.

A melhor classificação de sempre de um português no Portugal Masters foi o 16º lugar (empatado) de Ricardo Santos em 2012, enquanto o melhor resultado de sempre de um golfista nacional foram as 14 pancadas abaixo do Par de Pedro Figueiredo em 2011, quando terminou no 23º posto.

Ricardo Melo Gouveia está a apenas 8 posições do 16º de Ricardo Santos e somente a 3 pancadas dos -14 de Pedro Figueiredo.

Se pensarmos que ainda tem 18 buracos pela frente e que nos três dias anteriores assinou voltas de 66 (-5), 68 (-3) e 68 (-3), não é completamente impossível atingir esse duplo recorde.

«O objetivo continua a ser o top-10. Amanhã é outro dia, estou a jogar bem e queria agradecer a toda as pessoas que estiveram a apoiar-me. Isso é importante nos momentos menos bons, como nos dois últimos buracos de hoje».

O nº1 português, 95º europeu e 161º do ranking mundial falava aos jornalistas diante de uma multidão de crianças que foi esperá-lo ao final da sua volta de hoje para pedir-lhe autógrafos, não se cansando de gritar «Melinho».

Os momentos menos bons a que se referiu foram os dois bogeys com que terminou a volta de hoje, depois de 16 buracos de grande nível, nos quais assinou 5 birdies e chegou, uma vez mais, pela terceira vez neste torneio, a andar provisoriamente no top-10.

«Até ao segundo shot do 17 estava a jogar muito bem e o resultado não mostra aquilo que joguei e aquilo que tenho vindo a jogar. No 17 tinha que dar um bom ferro-3 e acabei por falhar um bocadinho à direita. A bola acabou por ir mais curta e caiu dentro de água. No buraco 18 a opção (do approach) foi a correta. O que falhou foi a opção por aquele taco. Deveria ter jogado um ferro-9 ou um ferro-8 para a bola rolar mais. Assim, a bola bateu na lomba e morreu. O shot de saída também não ajudou porque foi parar ao bunker», explicou.

O 24º posto que ocupa não chega para qualificar-se para o Turkish Airlines Open da Final Series do European Tour.

Se o Portugal Masters acabasse agora, o português residente em Londres subiria apenas para o 94º lugar da Corrida para o Dubai. Precisa mesmo de um top-10.

Uma das curiosidades desta terceira volta de hoje foi Anders Hansen ter assumido o comando da prova.

O dinamarquês de 46 anos poderá tornar-se amanhã no mais velho campeão do European Tour em 2016 e no mais idoso de sempre no Portugal Masters. Estranhamente, há um ano anunciou aqui mesmo, no Algarve, a sua entrada para a reforma.

Há 12 meses, o seu caddie em Vilamoura era Nick Mumford, o inglês que agora puxa o saco de… Ricardo Melo Gouveia.

Anders Hansen fez o melhor resultado do dia e igualou a melhor marca da sua carreira, com 62 pancadas, 9 abaixo do Par, para ficar com um total de 195 (-18).

Nos dias anteriores, o dinamarquês entregara cartões de 67 e 66, pelo que, sem pressão, tem vindo sempre a melhorar de dia para dia.

O resultado de 195 (-18) é o mesmo do finlandês Mikko Korhonen, no seu caso com voltas de 64, 67 e 64, e iguala o recorde do torneio para 54 buracos, estabelecido no ano passado pelo campeão em título, o inglês Andy Sullivan.

Os dois líderes estão, contudo, em situações bem diferentes.

Korhonen é o 116º na Corrida para o Dubai e precisa mesmo de um grande resultado amanhã para conseguir entrar no top-100 e manter-se na primeira divisão europeia em 2017.

«Vai ser a primeira vez na minha carreira que irei jogar num último grupo (o dos líderes). Por isso, estou entusiasmado e só espero ser capaz de dormir bem», comentou o finlandês que, ainda por cima, irá jogar ao lado de dois jogadores de enorme palmarés.

Com efeito, Anders Hansen tem 3 títulos no European Tour e outro no Sunshine Tour e entre os seus troféus europeus contam-se dois do BMW PGA Championship, em Wentworth, o chamado “evento-bandeira” do European Tour.

Foi ainda 3º classificado tanto num Major como num dos World Golf Championships.

Mas o outro parceiro do grupo é ainda mais impressionante, pois trata-se do irlandês Padraig Harrington, campeão de 3 Majors e de 4 Ryder Cups. “Paddy” é o 3º classificado (66+63+67) a apenas 1 pancada dos líderes.

Ao olhar-se para o topo da classificação, a questão que se levanta é como é que Anders Hansen está a jogar se entrou para a reforma exatamente no Portugal Masters de 2015?

A explicação é simples. O European Tour permitia que o top-40 dos jogadores que mais prémios monetários tivessem embolsado nas suas carreiras pudesse jogar sempre que lhes aprouvesse (à exceção de Majors, World Golf Championships e Final Series).

O dinamarquês sabia que em qualquer altura poderia matar saudades, pois é o 26º desse ranking. Simplesmente, a norma sofreu uma adenda e essa isenção só se mantém para quem disputar um mínimo de cinco torneios por ano.

Ora Hansen tinha apenas quatro em 2016 e para manter esse privilégio viu-se forçado a competir no 10º Portugal Masters.

Em boa hora tomou essa decisão e amanhã “arrisca-se” a levar para casa um complemento de reforma de 333.330 euros!

«Hoje não tinha qualquer estratégia. O meu objetivo era só ir para o campo e dar bons shots. Isto não muda os meus planos, não vou sair da reforma, estou feliz com a minha vida, mas como mudaram a regra vim cá jogar», disse o veterano que está a competir no seu 424º torneio do European Tour, tendo concluído 1499 voltas de stroke play!

 

Na fotografia: Anders Hansen/Copyrigth Getty Images

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