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Westwood campeão em dia de recordes


Westwood campeão em dia de recordes

Inglês é o novo nº1 na corrida para o Dubai e deverá regressar ao ‘Top-Ten’ do ranking mundial. Filipe Lima termina em 45º. Recorde nacional com 37 mil bilhetes vendidos.

Lee Westwood quebrou um jejum de dois anos sem ganhar qualquer torneio na melhor conclusão possível para o III Portugal Masters, o mais importante torneio de golfe português e um dos mais conceituados da Europa, com três milhões de euros em prémios monetários, que hoje (Domingo) terminou no Oceânico Victoria Golf Course, em Vilamoura.

O inglês de 36 anos somou o seu 19º título no European Tour, o circuito profissional europeu, e a sua 30ª vitória em torneios internacionais, mas apenas  o primeiro desde o British Masters de 2007. «Peço desculpa por ter trazido o discurso escrito num papel, mas já se passou um par de anos desde que fiz o meu último na pele de um campeão e estou destreinado», dirigiu-se o internacional europeu da Ryder Cup a um público que nunca lhe regateou apoios. «Senti-me a jogar em Inglaterra», disse, mas ao ouvir tantos aplausos como assobios, logo acrescentou «em Inglaterra ou em Dublin».

É que, se havia milhares de britânicos em Vilamoura, não eram menos os irlandeses que demandaram ao Algarve para acompanhar Padraig Harrington. O irlandês Harrington não desiludiu e o terceiro lugar que arrancou, com 19 abaixo do Par, mostrou que o triplo campeão de ‘Majors’ em 2007 e 2008 está de volta à boa forma e será preciso contar com ele em 2010, mas a história do dia foi mesmo a recuperação de Westwood, que partiu no último dia em 3º e acabou por assinar uma exibição memorável.

Com uma derradeira volta em 66 pancadas, 6 abaixo do Par do campo desenhado por Arnold Palmer, Westwood estabeleceu o segundo melhor resultado do torneio para 72 buracos, com um agregado de 265 pancadas (-23), apenas a 2 ‘shots’ do resultado de -25 do seu compatriota Steve Webster em 2007.

O italiano Francesco Molinari, que liderou a prova do Turismo de Portugal durante os dois primeiros dias, engrandeceu ainda mais o êxito de Westwood ao não baixar os braços, chegando a co-liderar com 22 abaixo do Par, mas acabou no 2º lugar, a 2 pancadas do campeão.

O prémio de meio milhão de euros fez Lee Westwood saltar do 4º para o 1º lugar na Corrida para o Dubai e é agora o grande candidato ao bónus de cinco milhões de euros que o European Tour atribuirá ao nº1 europeu no final da época de 2009.

O jogador de Worksop, Inglaterra, que é um dos embaixadores da Oceânico no circuito internacional e um dia deverá adquirir residência num dos ‘resorts’ do Grupo, já foi nº1 europeu em 2000. «A Corrida para o Dubai é agora um dos meus principais objectivos, mas também pretendo ganhar alguns torneios que vou jogar, como o Mundial de Match Play e o HSBC Champions», disse Westwood, que iniciou o III Portugal Masters no 11º lugar do ‘ranking’ mundial e deverá regressar amanhã ao ‘top-ten’. Na lista europeia da Ryder Cup, saltou para o 2º lugar, o que faz com que tenha praticamente assegurado o seu lugar na selecção europeia que defrontará os Estados Unidos no País de Gales, em 2010. Mas no meio de todas estas consequências agradáveis, nas quais se inclui uma isenção de dois anos no European Tour, a maior satisfação de Lee Westwood foi regressar ao círculo dos vencedores.

Para trás, ficaram dois anos durante os quais coleccionou 26 ‘top-tens’, 5 segundos lugares (3 dos quais após derrotas em ‘play-offs’) e dois títulos do ‘Grand Slam’ perdidos por pouco.

Razão tinha ele em dizer aos jornalistas que mostrou esta semana uma nova atitude no campo: «às vezes faltava-me aquela garra de aço e era demasiado ‘blasée’, mas lembrei-me sempre da frase do grande campeão Seve (Ballesteros): “o segundo lugar não é satisfatório”».

Filipe Lima no ‘Top-50’

Filipe Lima não conseguiu quebrar o seu próprio recorde de melhor resultado português no Portugal Masters, quando foi 21º (-13) em 2007, mas, pelo menos, ficou agradado com a capacidade de recuperar de um mau início. A um ‘duplo-bogey’ no buraco 1 seguiram-se 4 ‘birdies’ nos buracos 5, 6, 12 e 13. O suficiente para uma última volta em 70 pancadas, 2 abaixo do Par.

Com três voltas abaixo do Par e uma no próprio Par-72 do Oceânico Victoria, Lima teve uma «prestação positiva», como o próprio considerou, mas a qualidade da concorrência não permitiu que o agregado de 279 pancadas, 9 abaixo do Par, lhe desse mais do que o 45º lugar, entre 126 participantes, com o consequente prémio monetário de 14.400 euros e a subida do 167º para o 159º posto na Corrida para o Dubai.

Filipe Lima não necessita de integrar o ‘top-188’ da Ordem de Mérito Europeia de 2009 porque já garantiu o cartão para o European Tour de 2010 graças ao seu actual 2º lugar no ‘Challenge Tour Rankings’.

Recorde de afluência

A cerimónia de entrega de prémios, presidida pelo director de provas do European Tour, Peter Adams, teve as presenças de Seruca Emídio (presidente da Câmara Municipal de Loulé), Manuel Agrellos (presidente da Federação Portuguesa de Golfe), Frederico Costa (vice-presidente do Turismo de Portugal), Nuno Aires (presidente do Turismo do Algarve), Gerry Fagan (co-proprietário do Grupo Oceânico), José Maria Zamora (director do torneio) e Christopher Stilwell (director da Oceânico Golf e presidente da Algarve Golf).

Peter Adams anunciou um novo recorde de afluência a um torneio de golfe em Portugal, com 37.479 bilhetes vendidos em cinco dias, e também um novo máximo de ingressos transaccionados numa única jornada: os 10.504 de hoje. Em 2007, na sua primeira edição, ganha pelo inglês Steve Webster, venderam-se 24.188 bilhetes; em 2008, com o sucesso do espanhol Álvaro Quirós, esse número subiu para 28.461.

Agora, no melhor Portugal Masters de sempre e com um campeão conceituado como o inglês Lee Westwood, ultrapassou-se pela primeira vez a fasquia dos 35 mil. As 650 horas de transmissões televisivas em mais de uma centena de países também constituem um recorde para eventos de golfe nacionais.

Frederico Costa, em nome do Turismo de Portugal, o principal patrocinador do torneio, referiu «o prazer em ver esta moldura humana, num evento importante para a promoção do Algarve. Assistiu-se a um golfe fantástico e fomos durante esta semana a capital do golfe mundial».

Gerry Fagan, sem dúvida o mais aplaudido para além do campeão Westwood, deixou claro o desejo de ver mais vezes o Portugal Masters no seu Oceânico Victoria em 2010: «Esperamos que rapidamente haja uma decisão no sentido de manter no próximo ano o Portugal Masters no Victoria. O melhor palco do Mundo para este torneio é Portugal, o Algarve e o Victoria».

Lee Westwood, que já anteriormente elogiara o campo e o clima, defendendo a realização da Ryder Cup de 2018 neste palco, manifestou-se desta feita agradado pela «comida fantástica, demasiado boa para um atleta» (da autoria do premiado chefe Bernardo Sousa Coutinho), pelo «público conhecedor» e agradeceu,«em tempos de crise» todo «o apoio dos patrocinadores».

Razão tem Gerry Fagan em apontá-lo como «um dos mais simpáticos jogadores de golfe do Mundo e uma das melhores pessoas que conhecemos». E como se pode ver pelo ‘chip’ de ‘lob wedge’ que arrancou no 17, atrás de um caminho de ‘buggy’, com árvores à frente, sem ver a bandeira, que quase entrouno buraco, dando-lhe um ‘birdie’, Lee Westwood é também um grande campeão.

Classificação

Os resultados definitivos mais importantes do III Portugal Masters, após a última volta (72 buracos), no Oceânico Victoria foram os seguintes: 1º Lee Westwood (Inglaterra), 265 (66+67+66+66), -23, €500.000 2º Francesco Molinari (Itália), 267 (63+66+68+70), -21, €333.330 3º Padraig Harrington (Irlanda), 269 (69+62+71+67), -19, €187.800 4º Marcel Siem (Alemanha), 270 (67+69+67+67), -18, €138.600 4º Peter Hanson (Suécia), 270 (71+65+66+68), -18, €138.600 Português a passar o ‘cut’ 45º Filipe Lima (FPG), 279 (68+70+72+69), -9, €14.400 Portugueses eliminados 97º Tiago Cruz (FPG/ Oceânico Team Portugal/ BIG), 144 (68+76), Par 97º António Rosado (CLC/ Loulé), 144 (70+74), Par 97º Ricardo Santos (FPG/ Oceânico Team Portugal), 144 (70+74), Par 106º José Jóia (FPG), 145 (70+75), +1* 117º Nuno Campino (My Golf), 148 (74+74), +4 119º António Sobrinho (Vale do Lobo), 149 (72+77), +5 124º Tiago Rodrigues (FPG), 155 (80+75), +11* *Amador

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