“Muito já foi feito num curto período de tempo”


“Muito já foi feito num curto período de tempo”

Keith Cousins é um bem sucedido empresário inglês que detém ou dirige uma série de negócios nos media e no mundo do desporto. Nesta conversa, ele explica o seu recente envolvimento na indústria do golfe e fala do Portugal Masters e das boas perspectivas para os campos de golfe de Vilamoura, de que ele agora é proprietário a par do Grupo Dom Pedro Hotels. Para ele, Portugal é como uma segunda casa e, com efeito, é lá que ele passa quatro meses por ano. 

Pergunta – Está entusiasmado com o 11.º Portugal Masters?

Keith Cousins – Estamos muito entusiasmados. Vai ser o maior Masters de sempre. Este ano temos um field bastante mais forte, de 144 jogadores, um número substancialmente maior do que no passado. Ainda mais interessantemente, temos treze jogadores portugueses, mais do que alguma vez tivemos. Acho que isso mostra que é para nós – e para o European Tour – muito importante continuar a melhorar o evento. Sim, estamos bastante entusiasmados para este ano.               

O que é que este torneio significa para si?

Para nós, como Grupo, é um acréscimo de credibilidade para os nossos campos de golfe. Mostra que estamos em sintonia com o European Tour e aos nossos clientes demonstra que têm ao seu alcance o acesso a campos de golfe de campeonato no Algarve que estão ao nível dos melhores.

E pessoalmente o que significa?

Pessoalmente, volto a repeti-lo, dá-nos credibilidade naquilo que queremos atingir como negócio. E, como pessoa e golfista, acho que é fantástico. Deviámos abraçá-lo – e eu pessoalmente faço-o. Aprecio muito a oportunidade de trabalhar com o Tour neste evento.

Tem sido um espectador habitual do Portugal Masters? 

Sim. Há muitos anos. E jogador do pro-am. 

Que memórias tem? 

São memórias mistas. Inicialmente, nos primeiros anos, acho que o Portugal Masters era altamente emocionante. Depois, se posso ser franco e honesto, acho que perdeu um pouco o rumo. E agora reestabeleceu-se e é fantástico de ver. E depois há uma série de inovações que estão a ser discutidas. Toda a gente no campo de golfe está a trabalhar incrivelmente forte para providenciar as facilidades para os jogadores, para  o Tour e para dar as boas-vindas a todos o que queiram vir. É um grande testemunho para todos. 

Com quem mais gostou de jogar no pro-am? 

O ano passado tive o prazer de jogar com o sr. Olazábal, o que foi uma experiência maravilhosa, uma das que guardarei na memória. Já tive algumas boas partidas, conheci pessoas adoráveis e os portugueses aderem tanto como os europeus em geral.

Porque decidiu envolver-se, através da KAY CC, na aquisição dos campos de golfe de Vilamoura, que pertenciam à Oceânico Golf? 

Eu conhecia os campos, surgiu uma oportunidade. A nível desportivo, há muitos anos que tenho estado envolvido em compras, merchandising e aquisições. Vi nisto como que uma extensão natural do que tenho tentado alcançar, tanto no mundo do futebol como do ténis – e agora do golfe.

É a sua primeira experiência profissional no ramo do golfe? 

Sim. Nunca fui dono de um campo de golfe.

Disse numa entrevista que queria elevar os campos de golfe de Vilamoura para o nível seguinte, e introduzir novos e mais altos padrões, numa abordagem ao estilo americano… O que queria dizer com isso? 

Melhor serviço para os clientes. Não se trata apenas de jogar golfe. É sobre tudo o que os rodeia, garantindo que são providenciados os devidos serviços e facilidades. Garantindo obviamente que os campos estão nas melhores condições possíveis, e que todos são bem-vindos. Isto encoraja os clientes a ficar, e não apenas a utilizar o campo de golfe, mas como um lugar de encontro, usá-lo para conferências, para seminários. Queremos uma maior valor intrínseco.

E o que estão a fazer em termos de investimento, para levar os campos para o nível seguinte?

Além de gastarmos dinheiro (risos)? Estamos a investir bastante no melhoramento dos campos. De todos os cincos campos, não apenas o Victoria. E estamos a investir grandes quantidades do nosso tempo para ir de encontro aos padrões que querermos introduzir. É muito trabalho duro, mas é um trabalho aprazível, e estamos a lidar com óptimas pessoas.

Também disse que queria ajudar a elevar o perfil de Vilamoura. 

Eu gostava que Vilamoura como um todo fosse considerado um destino de resort. Não são apenas os campos de golfe, ou a Marina, ou o centro hípico, ou qualquer coisa separado, trata-se de Vilamoura como um todo e como, sob todos os aspectos, poderemos melhorar Vilamoura colectivamente, apoiando-nos uns aos outros. 

Certamente satisfeitos com o número de voltas este ano nos campos da Dom Pedro Golf Collection? Sabemos que só em Maio foram mais 30 mil nos cinco campos de Vilamoura. 

Contente como homem de negócios ou proprietário de golfe? Se me perguntar na qualidade de empresário, nunca estamos satisfeitos; se me perguntar como dono de campos de golfe, claro que estamos contentes, radiantes até, com o grau de frequência e com feedback que estamos a ter dos clientes. O futuro parece muito brilhante. As reservas para os próximos seis a nove meses estão de facto muito fortes. E acho que isso é um reflexo do quão toda a gente tem trabalhado nos últimos 12 meses. Temos este activo há apenas pouco mais de 11 meses, pelo que muito tem sido feito nesse período de tempo. 

Alguma estratégia especial para a época baixa? 

Não. Penso que precisamos de introduzir mais focos de interesse para os clientes. Por exemplo, uma academia de crianças – ou outras do mesmo género, para atrair os veraneantes e respectivas famílias. Gosto da ideia de ter uma academia própria onde as crianças podem aprender as regras e os regulamentos do golfe e a habilidade para baterem bolas e participarem. É algo que outros desportos têm, o futebol em particular, e não vejo motivos para não ser feito também aqui.

Qua tal a relação com o Clube de Golfe de Vilamoura, que acaba de vencer campeonato nacional português de clubes pela 17.ª vez. O apoio continuará? 

Sim. Estamos a trabalhar conjuntamente para melhorar os padrões e as nossas expectativas. Dou os meus parabéns aos que o constituem, incluindos dirigentes e jogadores. São muitos bons.

E sobre a clubhouse do Victoria? 

Tem sido e está a ser renovada. Alterámos a aparência interna de todo o edifício. Estamos a substituir uma parte substancial do Players Lounge. Foi completamente modificada. Tivemos de mudar alguns defeitos no edifício, não visíveis a olho nu. E aumentámos o tamanho da loja, melhorando também a qualidade do merchadising. Estamos agora no processo de finalizar a área do restaurante, que estará pronta em breve.

Luís Correia da Silva foi uma escolha óbvia para CEO da Dom Pedro Golf? 

Para mim, absolutamente. Ele compreende Vilamoura muito bem, entende a metodologia do que precisa ser feito e é capaz de executar os pedidos que lhe fazemos. Tem feito um trabalho de primeira classe.

Tem uma casa no Algarve. Costuma residir em Portugal?

Passo quatro meses por ano aqui. Tenho algumas propriedades em Portugal, sim. E outros negócios.

O que representa Portugal para si? 

É a nossa segunda casa. Andamos por cá há 20 anos. A minha mulher e família passamos largas temporadas aqui, os meus filhos vêm cá desde que eram muito pequenos. E agora os meus netos, os filhos dos meus filhos, têm passado o máximo de tempo aqui. Portugal é um lugar especial nos nossos corações, e essa foi outra razão para nos envolvermos na aquisição destes campos. Porque é um país que está perto de nós.

Qual o campo de golfe de Vilamoura que mais prefere? 

Essa é uma pergunta difícil. Gosto muito do Old Course, pela sua tradição e beleza, e também porque é mais curto do que o Victoria, o que, para um homem já de idade, como eu, torna a vida um pouco mais fácil. Mas o Victoria tem-se desenvolvido e gosto muito de jogar lá. Interessante para mim é que o campo do Pinhal é uma espécie de mistura entre o Victoria e o Old Course, o que é uma bela atracção. Para mim, Old Course ou Victoria, mas são todos lindos.

Keith Cousins entrevistado por Rodrigo Cordoeiro e fotografado por Filipe Guerra

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