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Melinho e Tomás Silva passam o cut em dia de festa e igualam recordes nacionais


Melinho e Tomás Silva passam o cut em dia de festa e igualam recordes nacionais

16/10/2015

A previsão de más condições meterológicas para amanhã levam o European Tour a decidir uma medida drástica e rara de iniciar a 3ª volta em shot gun a partir das 8 horas da manhã, Andy Sullivan lidera (-14) 

Ricardo Melo Gouveia e Tomás Santos Silva igualaram hoje recordes nacionais no Portugal Masters, num dia de festa em que foram os únicos dos oito portugueses a passarem o cut no evento do Turismo de Portugal, que o European Tour está a organizar no Oceânico Victoria Golf Course, em Vilamoura, com 2 milhões de euros em prémios monetários.

Com idades semelhantes – 24 anos para “Melinho” e 23 completados hoje (sexta-feira) por Tomás – os dois portugueses atravessam fases completamente distintas das suas carreiras.

Melo Gouveia é o português melhor classificado no ranking mundial, no 123º posto, reside no Algarve, representa o Guardian Bom Sucesso Golf e preparou-se bem para um torneio que sonha ganhar, sabendo que um bom resultado poderá reforçar a sua presença (para já provisória) nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro de 2016.

Tomás Silva é ainda amador, sendo, aliás, o triplo campeão nacional amador. Estuda Gestão na universidade e ainda pensa numa carreira profissional no golfe a médio prazo. Para ele, passar pela primeira vez o cut num torneio do European Tour (a primeira divisão europeia) já é um enorme feito e um perfeito presente de aniversário, para mais, conseguido ao lado do pai (José), o seu caddie.

Não obstante dois estatutos tão distintos, estão ambos empatados no mais importante torneio de golfe português, no grupo dos 42º classificados, naturalmente com o mesmo agregado de 139 pancadas, 3 abaixo do Par, mas também com as mesmas voltas de 71 (Par) no primeiro dia e 68 (-3) no segundo.

«Hoje entrei menos nervoso, senti-me muito melhor. Bati bem na bola, estava confiante com os ferros, meti muitas bolas perto do buraco, o que facilitou muito a nível do putt», disse Melo Gouveia, que somou 6 birdies e 3 bogeys, no dia em que se tornou no primeiro português a passar o cut no Portugal Masters em três anos seguidos.

Filipe Lima (2007, 2009 e 2010) e Pedro Figueiredo (2011, 2012 e 2014) foram os outros únicos golfistas nacionais que também passaram por três vezes a fronteira dos 36 buracos.

«O meu objetivo agora é subir na classificação, tentar fazer o melhor possível no fim de semana. Se conseguir um top-10 será ótimo», acrescentou o nº2 do ranking do Challenge Tour, que, a 11 pancadas do líder, o inglês Andy Sullivan, já abandonou o sonho de elevar este ano o troféu.

«Passar o cut representa muito para mim. Estar aqui no meio destes jogadores e conseguir tirar o lugar a alguns que ficaram de fora do cut é muito positivo. Como amador vinha aqui para divertir-me e fazer o meu jogo. Se conseguisse passar o cut seria excelente», avaliou, por seu lado, Tomás Silva, que chegou a andar com 5 abaixo do Par, também fez 6 birdies, mas sofreu 1 duplo-bogey e 1 bogey.

«Estar num torneio do European Tour é sempre positivo para qualquer amador, mas este não é o meu torneio. Estou aqui porque a FPG acreditou em mim, acreditou que eu poderia fazer um bom resultado e honrar o nome da FPG», acrescentou o jogador residente em Cascais, que se tornou apenas no terceiro amador português a passar o cut no Portugal Masters, igualando os feitos de Pedro Figueiredo (2011 e 2012) e Ricardo Melo Gouveia (2012).

Tomás Silva, que foi 9º no Campeonato da Europa Amador do ano passado, tem sido acompanhado de perto pelo selecionador nacional, Nuno Campino, que nos seus tempos de jogador também passou o cut em torneios do European Tour.

«Agora quero prepará-lo para que pense que isto ainda não acabou. Lembro-me dos meus tempos de jogador que é habitual entre os jogadores portugueses, sobretudo amadores, ficarem demasiado contentes quando passam o cut. Mas ele está a jogar bem e se souber resistir a isso pode fazer aqui uma grande prova», explicou o técnico da FPG.

Se este dia 16 de outubro foi de festa para o aniversariante Tomás Silva e para o nº1 português Melo Gouveia, foi de tristeza para outros seis portugueses, os eliminados, sobretudo para três que chegaram a estar dentro do cut durante grande parte da jornada.

«Poderia ter sido um dia histórico com uns cinco portugueses a passar o cut, porque o Vítor Lopes (amador) fez o mais difícil que foi colocar-se em posição, quando ia com 4 abaixo, antes do erro no 17, um buraco que não é dos mais difíceis e fez 2 bogeys nos dois últimos buracos. O Ricardo Santos teve aqueles três buracos finais que o colocaram de fora (3 bogeys seguidos) e o Tiago Cruz perdeu 2 pancadas nos últimos quatro buracos», lamentou o selecionador nacional.

Dos três, o caso mais dramático foi o de Ricardo Santos que pelo segundo ano seguido falhou o cut por 1 pancada e tal como no ano passado com 1 bogey no último buraco, o 18. Desta feita, foi ainda mais difícil de engolir porque um putt ficou parado a milímetros do buraco. Se tivesse entrado, ter-se-ia igualado outro recorde nacional, o de três portugueses a passarem o cut no Portugal Masters, alcançado em 2012.

«Esta talvez seja a época de maior aprendizagem, porque talvez tenha sido a época que mais mal me correu desde que sou profissional», admitiu o melhor golfista português de sempre, agora tombado para o 180º posto da Corrida para o Dubai. Agora, para se manter no European Tour em 2016, terá de passar a Final da Escola de Qualificação.

O 9º Portugal Masters está a ser dominado por um dos melhores jogadores deste ano, o inglês Andy Sullivan, que este ano venceu o Open da África do Sul e o Joburg Open e que figura no 66º lugar do ranking mundial e no 26º na Corrida para o Dubai.

«É sempre bom equiparar um boa volta com outra semelhante. Às vezes é difícil voltar ao campo e repeti-lo, mas joguei com a mesma alma de ontem. Senti-me mesmo confiante e “patei” muito bem», disse o inglês que somou uma segunda volta seguida de 64 pancadas, para um agregado de 128 (-14), a apenas 4 do recorde do torneio para 36 buracos estabelecido há um ano pelo francês Alexander Lévy.

E se em 2014 o Portugal Masters foi pela primeira vez reduzido dos 72 buracos regulamentares para apenas 36, devido ao mau tempo, em 2015 bem que Sullivan gostaria que tal sucedesse.

Afinal, as previsões meteorológicas para o fim de semana não são famosas, mas o European Tour está otimista e para fintar o mau tempo tomou uma decisão que é rara mas que é a mais acertada – a de disputar a terceira volta em shot gun a partir das 8 horas.

«No Sábado estamos à espera de fortes chuvadas a partir das 13 horas. Portanto, a única opção que tivemos foi a de fazermos um shot gun», explicou o espanhol José Maria Zamora, o diretor de torneio.

De acordo com um comunicado do European Tour, «a única outra vez em que houve saídas em shot gun num torneio oficial do European Tour foi no Open da República Checa em 1994.

É verdade que este ano, em março, houve também uma segunda volta marcada para shot gun no Madeira Islands Open BPI, mas esse torneio foi cancelado e adiado para julho, pelo que as ocorrências de março não fazem parte das estatísticas do European Tour.

«Vamos alterar a preparação do campo para a terceira volta. Para além da chuva, prevemos ventos que possam chegar aos 50 quilómetros por hora e por isso não vamos cortar os greens. Iremos também avançar alguns tees para tornar o campo mais acessível. Estamos à espera de um dia muito duro», acrescentou Zamora, que também dirigiu os “dois” Opens da Madeira este ano.

Será lamentável se o mau tempo afetar o Portugal Masters porque têm-se registado, uma vez mais, bons níveis de afluência, com um total de 18.440 espectadores registados em três dias.

Mas independentemente do que vier a suceder, Tomás Silva nunca esquecerá o 9º Portugal Masters, aquele em que festejou o seu 23º aniversário com um recorde pessoal e nacional.

NA FOTOGRAFIA: Tomás Silva / © FILIPE GUERRA

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