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Álvaro Queirós campeão, Manuel Pinho entregou prémio

O espanhol somou o seu segundo título no PGA European Tour, o primeiro desde 2008, enquanto o português António Sobrinho ainda levou para casa um prémio de 8.400 euros.

O espanhol Álvaro Quirós quebrou a invencibilidade do nº1 europeu Robert Karlsson, impediu o sueco de igualar o nº1 mundial Tiger Woods e conquistou a segunda edição do Portugal Masters, o mais importante torneio de golfe realizado no nosso país e um dos eventos mais relevantes do PGA European Tour, que hoje (domingo) terminou no Oceânico Victoria Golf Club, em Vilamoura, com uma mensagem de esperança futura por parte do ministro da Economia e Inovação, Manuel Pinho.

«A minha vitória na África do Sul, em 2007 (no Alfred Dunhill Championship), foi significativa porque abriu-me as portas do European Tour, mas este título é mais importante para mim pela rica lista de inscritos e por ter sido um ano difícil em que jogava bem mas os resultados não chegavam. É uma ajuda para seguir trabalhando», disse Quirós, de 25 anos, que concluiu o mais importante evento desportivo do programa Allgarve com um total de 269 pancadas, 19 abaixo do Par, após uma última volta de 68 (-4).

O meio milhão de euros que recebeu como prémio monetário pelo seu segundo título no PGA European Tour permitiu-lhe subir 81 lugares na Ordem de Mérito Europeia, do 105o para o 24o, garantindo-lhe, ao mesmo tempo, a qualificação para o Volvo Masters, dentro de duas semanas, em Valderrama, mesmo às portas de sua casa. «Teria sido muito duro estar em Guadiaros com o torneio a decorrer ao lado e não poder participar nele», acrescentou.

Conhecido por ter sido o jogador que atingiu a mais elevada média de distância de drive em 2007 no circuito europeu, Quirós recordou-se sobretudo neste último dia do «fabuloso jogo curto» do seu compatriota Seve Ballesteros, o mais famoso golfista europeu de sempre: «Só conheci o Seve uma vez, mas ele jogava de forma diferente de todo o Mundo, com fúria, com o coração. Hoje, quando me vi em dificuldade, consegui safar-me com o coração».

Manuel Pinho, o ministro da Economia e Inovação, que lhe entregou a bela taça de prata de 1,5 quilos que representa a esfera armilar, pediu-lhe ainda que transmitisse «ao Severiano Ballesteros que todos nós desejamos que recupere o mais rápido possível». Esta nota do governante português provocou um aplauso geral no numeroso público que estabeleceu um novo recorde de afluência em Portugal num torneio de golfe.

Álvaro Quirós, Robert Karlsson e o inglês Ross Fisher partiram para a quarta e última volta no grupo de líderes, depois de terem sido forçados a vir mais cedo para o Oceânico Victoria Clube de Golfe para concluir a terceira volta, interrompida na véspera por uma trovoada. O espanhol tinha já uma vantagem de 1 pancada sobre os outros dois no final desses 54 buracos e a vantagem acabou por ser determinante pois durante toda a quarta ronda só por uma vez perdeu a liderança, por 1 pancada, quando partiram para o buraco 6. «Estive praticamente sempre à frente», sublinhou Quirós, que pode orgulhar-se de ter deixado atrás de si nomes famosos.

Em segundo lugar, a 3 pancadas de distância, ficou o campeão do British Open de 1999, o escocês Paul Lawrie, que obteve a sua melhor classificação da época; e em terceiro, a 4 ‘shots’, terminou Robert Karlsson, o no1 europeu, que reforçou o comando da Ordem de Mérito Europeia sobre o irlandês Padraig Harrington, mas não conseguiu igualar o tal feito de Tiger Woods de três títulos consecutivos no European Tour. «Agora vou descansar», disse Karlsson, que soma 2.695.247 euros em 2008, frisando resistir à tentação de jogar na próxima semana em Valência.

Isso significa que o posto de nº1 europeu da temporada só será decidido no Volvo Masters, onde já estará Harrington. Robert Karlsson partilhou o terceiro lugar com dois ingleses, o campeão do Portugal Masters de 2007, Steve Webster, que vendeu caro a perda do seu título, e Ross Fisher.

Na cerimónia de entrega de prémios estiveram presentes o ministro da Economia e Inovação, Manuel Pinho; o vice-presidente do Turismo de Portugal, Frederico Costa; o presidente do Turismo do Algarve, António Pina; o presidente da Câmara Municipal de Loulé, Seruca Emídio; o presidente da Federação Portuguesa de Golfe, Manuel Agrellos; o director do PGA European Tour, Peter Adams; o director-técnico do Portugal Masters pelo PGA European Tour, José Maria Zamora; e o presidente do Grupo Oceânico, Gerry Fangan, que teve a surpresa de ter soprado as velas do seu 56o aniversário no green do buraco 18 sob ovação geral.

O II Portugal Masters terminou com uma nota de esperança para o futuro, uma vez que nos discursos oficiais ou em declarações prestadas aos Media, tanto o ministro da Economia e Inovação como o presidente do Grupo Oceânico frisaram que pretendem manter o torneio e estender o contrato que têm com o European Tour e termina em 2009.

António Sobrinho joga pela honra

António Sobrinho, o único português a passar o ‘cut’ do II Portugal Masters, não conseguiu atingir o seu objectivo primordial de jogar abaixo do Par, mas no último dia ainda ascendeu da 63a à 59a posição da classificação final, apesar de ter concluído os derradeiros 18 buracos em 74 pancadas, 2 acima do Par, assinando 1 birdie e 3 bogeys. O campeão nacional agregou 290 pancadas (+2), embolsou um prémio de 8.400 euros e ficou longe do 21o lugar (-13) de Filipe Lima no ano passado, superando, em contrapartida, o 69o lugar (-2) de Tiago Cruz, também em 2007.

Recorde de afluência

O II Portugal Masters fixou um novo recorde de bilhetes vendidos num único dia numa competição de golfe em Portugal. De acordo com números divulgados pelo PGA European Tour, foram vendidos hoje (domingo) 7.940 bilhetes, pelo que, com convites e credenciais estiveram no Oceânico Victoria Clube de Golfe mais de 10 mil espectadores, pulverizando o anterior recorde, 6.740 ingressos comprados no último dia do Portugal Masters de 2007.

A afluência total do torneio no final dos quatro dias de competição mais o ‘Pro-Am’ elevou-se a 28.461 bilhetes vendidos, ultrapassando os 24.188 do ano passado. A audiência televisiva internacional do evento estava calculada em 320 milhões de lares em todo o Mundo, mas informações mais recentes recebidas pelo PGA European Tour indicam que poderão ter sido atingidos os 500 milhões de lares.

Resultados 

O ‘top-5’ da classificação definitiva do II Portugal Masters, após 72 buracos ao Oceânico Victoria Golf Course e a distribuição de prémios monetários, ficaram ordenados do seguinte modo: 1o Álvaro Quirós (Espanha), 269 (66+68+67+68), -19, €500.000,00 2o Paul Lawrie (Escócia), 272 (70+65+70+67), -16, €333.330,00 3o Robert Karlsson (Suécia), 273 (69+67+66+71), -15, €155.000,00 3o Ross Fisher (Inglaterra), 273 (67+70+65+71), -15, €155.000,00 3o Steve Webster (Inglaterra), 273 (72+67+66+68), -15, €155.000,00 Português que passou o ‘cut’ 59o António Sobrinho (Vale do Lobo), 290 (70+73+73+74), +2, €8.400,00 Portugueses que não passaram o ‘cut’ 79o João Carlota (Vilamoura), 146 (69+77), +2 * 84o Filipe Lima (Turismo de Portugal/Ribagolfe/FPG), 147 (75+72), +3 101o Ricardo Santos (Oceânico Golf Team Portugal/FPG), 149 (74+75), +5 110o Manuel Violas (Oporto Golf Club), 151 (76+75), +7* 122o Tiago Cruz (Oceânico Golf Team Portugal/FPG/BIG), 155 (77+78), +11 123o Hugo Santos (Oceânico Golf Team Portugal/FPG), 157 (78+79), +13. *Amador

Westwood campeão em dia de recordes

Inglês é o novo nº1 na corrida para o Dubai e deverá regressar ao ‘Top-Ten’ do ranking mundial. Filipe Lima termina em 45º. Recorde nacional com 37 mil bilhetes vendidos.

Lee Westwood quebrou um jejum de dois anos sem ganhar qualquer torneio na melhor conclusão possível para o III Portugal Masters, o mais importante torneio de golfe português e um dos mais conceituados da Europa, com três milhões de euros em prémios monetários, que hoje (Domingo) terminou no Oceânico Victoria Golf Course, em Vilamoura.

O inglês de 36 anos somou o seu 19º título no European Tour, o circuito profissional europeu, e a sua 30ª vitória em torneios internacionais, mas apenas  o primeiro desde o British Masters de 2007. «Peço desculpa por ter trazido o discurso escrito num papel, mas já se passou um par de anos desde que fiz o meu último na pele de um campeão e estou destreinado», dirigiu-se o internacional europeu da Ryder Cup a um público que nunca lhe regateou apoios. «Senti-me a jogar em Inglaterra», disse, mas ao ouvir tantos aplausos como assobios, logo acrescentou «em Inglaterra ou em Dublin».

É que, se havia milhares de britânicos em Vilamoura, não eram menos os irlandeses que demandaram ao Algarve para acompanhar Padraig Harrington. O irlandês Harrington não desiludiu e o terceiro lugar que arrancou, com 19 abaixo do Par, mostrou que o triplo campeão de ‘Majors’ em 2007 e 2008 está de volta à boa forma e será preciso contar com ele em 2010, mas a história do dia foi mesmo a recuperação de Westwood, que partiu no último dia em 3º e acabou por assinar uma exibição memorável.

Com uma derradeira volta em 66 pancadas, 6 abaixo do Par do campo desenhado por Arnold Palmer, Westwood estabeleceu o segundo melhor resultado do torneio para 72 buracos, com um agregado de 265 pancadas (-23), apenas a 2 ‘shots’ do resultado de -25 do seu compatriota Steve Webster em 2007.

O italiano Francesco Molinari, que liderou a prova do Turismo de Portugal durante os dois primeiros dias, engrandeceu ainda mais o êxito de Westwood ao não baixar os braços, chegando a co-liderar com 22 abaixo do Par, mas acabou no 2º lugar, a 2 pancadas do campeão.

O prémio de meio milhão de euros fez Lee Westwood saltar do 4º para o 1º lugar na Corrida para o Dubai e é agora o grande candidato ao bónus de cinco milhões de euros que o European Tour atribuirá ao nº1 europeu no final da época de 2009.

O jogador de Worksop, Inglaterra, que é um dos embaixadores da Oceânico no circuito internacional e um dia deverá adquirir residência num dos ‘resorts’ do Grupo, já foi nº1 europeu em 2000. «A Corrida para o Dubai é agora um dos meus principais objectivos, mas também pretendo ganhar alguns torneios que vou jogar, como o Mundial de Match Play e o HSBC Champions», disse Westwood, que iniciou o III Portugal Masters no 11º lugar do ‘ranking’ mundial e deverá regressar amanhã ao ‘top-ten’. Na lista europeia da Ryder Cup, saltou para o 2º lugar, o que faz com que tenha praticamente assegurado o seu lugar na selecção europeia que defrontará os Estados Unidos no País de Gales, em 2010. Mas no meio de todas estas consequências agradáveis, nas quais se inclui uma isenção de dois anos no European Tour, a maior satisfação de Lee Westwood foi regressar ao círculo dos vencedores.

Para trás, ficaram dois anos durante os quais coleccionou 26 ‘top-tens’, 5 segundos lugares (3 dos quais após derrotas em ‘play-offs’) e dois títulos do ‘Grand Slam’ perdidos por pouco.

Razão tinha ele em dizer aos jornalistas que mostrou esta semana uma nova atitude no campo: «às vezes faltava-me aquela garra de aço e era demasiado ‘blasée’, mas lembrei-me sempre da frase do grande campeão Seve (Ballesteros): “o segundo lugar não é satisfatório”».

Filipe Lima no ‘Top-50’

Filipe Lima não conseguiu quebrar o seu próprio recorde de melhor resultado português no Portugal Masters, quando foi 21º (-13) em 2007, mas, pelo menos, ficou agradado com a capacidade de recuperar de um mau início. A um ‘duplo-bogey’ no buraco 1 seguiram-se 4 ‘birdies’ nos buracos 5, 6, 12 e 13. O suficiente para uma última volta em 70 pancadas, 2 abaixo do Par.

Com três voltas abaixo do Par e uma no próprio Par-72 do Oceânico Victoria, Lima teve uma «prestação positiva», como o próprio considerou, mas a qualidade da concorrência não permitiu que o agregado de 279 pancadas, 9 abaixo do Par, lhe desse mais do que o 45º lugar, entre 126 participantes, com o consequente prémio monetário de 14.400 euros e a subida do 167º para o 159º posto na Corrida para o Dubai.

Filipe Lima não necessita de integrar o ‘top-188’ da Ordem de Mérito Europeia de 2009 porque já garantiu o cartão para o European Tour de 2010 graças ao seu actual 2º lugar no ‘Challenge Tour Rankings’.

Recorde de afluência

A cerimónia de entrega de prémios, presidida pelo director de provas do European Tour, Peter Adams, teve as presenças de Seruca Emídio (presidente da Câmara Municipal de Loulé), Manuel Agrellos (presidente da Federação Portuguesa de Golfe), Frederico Costa (vice-presidente do Turismo de Portugal), Nuno Aires (presidente do Turismo do Algarve), Gerry Fagan (co-proprietário do Grupo Oceânico), José Maria Zamora (director do torneio) e Christopher Stilwell (director da Oceânico Golf e presidente da Algarve Golf).

Peter Adams anunciou um novo recorde de afluência a um torneio de golfe em Portugal, com 37.479 bilhetes vendidos em cinco dias, e também um novo máximo de ingressos transaccionados numa única jornada: os 10.504 de hoje. Em 2007, na sua primeira edição, ganha pelo inglês Steve Webster, venderam-se 24.188 bilhetes; em 2008, com o sucesso do espanhol Álvaro Quirós, esse número subiu para 28.461.

Agora, no melhor Portugal Masters de sempre e com um campeão conceituado como o inglês Lee Westwood, ultrapassou-se pela primeira vez a fasquia dos 35 mil. As 650 horas de transmissões televisivas em mais de uma centena de países também constituem um recorde para eventos de golfe nacionais.

Frederico Costa, em nome do Turismo de Portugal, o principal patrocinador do torneio, referiu «o prazer em ver esta moldura humana, num evento importante para a promoção do Algarve. Assistiu-se a um golfe fantástico e fomos durante esta semana a capital do golfe mundial».

Gerry Fagan, sem dúvida o mais aplaudido para além do campeão Westwood, deixou claro o desejo de ver mais vezes o Portugal Masters no seu Oceânico Victoria em 2010: «Esperamos que rapidamente haja uma decisão no sentido de manter no próximo ano o Portugal Masters no Victoria. O melhor palco do Mundo para este torneio é Portugal, o Algarve e o Victoria».

Lee Westwood, que já anteriormente elogiara o campo e o clima, defendendo a realização da Ryder Cup de 2018 neste palco, manifestou-se desta feita agradado pela «comida fantástica, demasiado boa para um atleta» (da autoria do premiado chefe Bernardo Sousa Coutinho), pelo «público conhecedor» e agradeceu,«em tempos de crise» todo «o apoio dos patrocinadores».

Razão tem Gerry Fagan em apontá-lo como «um dos mais simpáticos jogadores de golfe do Mundo e uma das melhores pessoas que conhecemos». E como se pode ver pelo ‘chip’ de ‘lob wedge’ que arrancou no 17, atrás de um caminho de ‘buggy’, com árvores à frente, sem ver a bandeira, que quase entrouno buraco, dando-lhe um ‘birdie’, Lee Westwood é também um grande campeão.

Classificação

Os resultados definitivos mais importantes do III Portugal Masters, após a última volta (72 buracos), no Oceânico Victoria foram os seguintes: 1º Lee Westwood (Inglaterra), 265 (66+67+66+66), -23, €500.000 2º Francesco Molinari (Itália), 267 (63+66+68+70), -21, €333.330 3º Padraig Harrington (Irlanda), 269 (69+62+71+67), -19, €187.800 4º Marcel Siem (Alemanha), 270 (67+69+67+67), -18, €138.600 4º Peter Hanson (Suécia), 270 (71+65+66+68), -18, €138.600 Português a passar o ‘cut’ 45º Filipe Lima (FPG), 279 (68+70+72+69), -9, €14.400 Portugueses eliminados 97º Tiago Cruz (FPG/ Oceânico Team Portugal/ BIG), 144 (68+76), Par 97º António Rosado (CLC/ Loulé), 144 (70+74), Par 97º Ricardo Santos (FPG/ Oceânico Team Portugal), 144 (70+74), Par 106º José Jóia (FPG), 145 (70+75), +1* 117º Nuno Campino (My Golf), 148 (74+74), +4 119º António Sobrinho (Vale do Lobo), 149 (72+77), +5 124º Tiago Rodrigues (FPG), 155 (80+75), +11* *Amador

Steve Webster abençoado, Manuel Pinho entregou o prémio

Steve Webster sentiu-se abençoado pela mãe, falecida há cinco meses, e contou com o emocionado apoio do pai para se sagrar o primeiro campeão do Portugal Masters, a competição do European Tour, promovida pelo Turismo de Portugal em cooperação com a organização de António Carmona Santos, que hoje (Domingo) encerrou no Oceânico Victoria, em Vilamoura.

A cerimónia de entrega de prémios foi presidida por Manuel Pinho, o Ministro da Economia, que reafirmou a sua convicção no futuro brilhante deste torneio de três milhões em prémios monetários.

Foi com lágrimas nos olhos que Steve Webster cumprimentou o público depois do ‘put’ vitorioso que lhe permitiu fechar o 72o e derradeiro buraco com 8 um fantástico agregado de 263 pancadas, 25 abaixo do Par. E foi com lágrimas nos olhos que Terry, o seu pai, ouviu o filho contar aos jornalistas, na sala de conferências de Imprensa: «Sabia que a minha mãe (Valerie) estava a ver-me».

O segundo título do European Tour de Webster, após o Open de Itália de 2005, foi o mais importante da sua carreira e resultou de uma das suas duas melhores voltas de sempre. O fantástico resultado de 64 pancadas, 8 abaixo do Par, só pode ser comparado com «o 65 efectuado em Carnoustie», o campo que acolheu este ano o British Open, embora o inglês de 32 anos estivesse a referir-se à 1a volta do Alfred Dunhill Links Championships, há três semanas.

Para além de toda a emoção envolvendo a tragédia familiar que o levou a «tirar a cabeça do golfe», Steve Webster aproveitou da melhor maneira este triunfo, uma vez que arrebatou o prémio de meio milhão de euros destinado ao vencedor e ascendeu da 72a à 26a posição na Ordem de Mérito Europeia, garantindo a qualificação para o Volvo Masters.

«O Oceânico Victoria passou a ser o meu campo preferido», disse o único inglês bem sucedido neste fim-de-semana fatídico para o desporto de Inglaterra, após as derrotas na final do Campeonato do Mundo de Râguebi e no Campeonato do Mundo de Pilotos de Fórmula Um.

Quem também tentava garantir já o apuramento para o Volvo Masters era Filipe Lima, mas para isso necessitaria de ficar entre os três primeiros classificados. Ora o nº1 português acabou por tombar da 9a para a 21a posição (-13), após ter efectuado a sua única volta acima do Par (+1).

O profissional do Turismo de Portugal, da FPG e do Ribagolfe embolsou 30.750 euros, subiu do 86o ao 83o lugar na Ordem de Mérito Europeia e precisa agora de um grande resultado no Mallorca Masters da próxima semana para poder integrar o ‘top-60’ com acesso ao Volvo Masters. Filipe Lima assegura, contudo, que está a jogar bem e afirma que vai para Palma de Maiorca com o título em mira. Se Webster ganhou em Vilamoura, porque não Lima imitá-lo nas Baleares?

O outro jogador português a passar o ‘cut’, Tiago Cruz, ia bem lançado para uma boa volta final, mas dois duplos ‘bogey’ consecutivos, exactamente nos dois últimos buracos, atiraram-no do 58o para o 69o lugar (-2), entre os 73 jogadores que passaram o ‘cut’. Fica-lhe o consolo de, com o prémio de 7.500 euros ter reforçado a sua 2a posição no Ranking da PGA de Portugal e de «não ter sido o último», vendo atrás de si jogadores famosos como Miguel Angel Jimenez e Raphael Jacquelin, antigos vencedores dos Opens de Portugal e de Madrid, respectivamente.

A cerimónia de entrega de prémios do 1º Portugal Masters teve como mestres de cerimónia o português Christopher Stilwell e o inglês Peter Adams, tendo estado presentes o Ministro da Economia e Inovação (Manuel Pinho), o vice-presidente do Turismo de Portugal (Frederico Costa), o presidente da Região de Turismo do Algarve (António Pina), o presidente da Câmara Municipal de Loulé (Seruca Emídio), o presidente da Federação Portuguesa de Golfe (Manuel Agrellos), o presidente da PGA de Portugal (David Silva), um dos dois proprietários do Grupo Oceânico (Gerry Fagan) e o director de torneio do European Tour (José Maria Zamora).

O 1º Portugal Masters foi um sucesso em todos os sentidos e até a afluência de público pagante foi uma boa surpresa. Sem contar com convites e credenciais, portanto, só em bilhetes comprados, registaram-se 24.188 espectadores em quatro dias. Os 6.740 de hoje é um novo máximo de um único dia num torneio de golfe em Portugal, batendo o segundo dia do Algarve Open de Portugal de 2001.

Claro que em telespectadores, o número é bem superior, pois foram atingidos 320 milhões de lares em todo o Mundo. Razão tinha Manuel Pinho em mostrar-se confiante no futuro do torneio.

Declarações de Portugueses que passarm o ‘cut’ 

José Filipe Lima 4a volta em 73 pancadas, 1 acima do PAR (total -13)«As coisas correram menos bem. Os putt’s não entraram. Enganei-me muito na escolha dos tacos. Cometi dois erros graves com a minha madeira-5: um no 5 outro no 17. O primeiro desses shots, no 5, foi para fora dos limites e o segundo, no 17, foi para a água. Estava cansado (a madeira-5 e não ele). Fora isso estou a jogar bem. Trabalhei muito esta semana. O balanço é muito positivo para o golfe português. Tenho estado em muitos torneios e este foi um dos melhores torneios que eu fiz este ano, em termos de organização, clima, tudo uma maravilha. «Esperava ficar pelo menos entre os cinco primeiros, já que ganhar era difícil. Mas ficar entre os cinco, ou até mesmo dez primeiros era o meu objectivo e nem sei se consegui ficar no ‘top-20’.   Desiludido? Não. Fiquei contente. Joguei bem, o meu jogo está seguro. Comecei com birdie e costumamos dizer (nós, os jogadores) que quando se começa com um birdie não é uma boa coisa. E foi isso que aconteceu. Falhei muito, andei à volta dos buracos e os putts não entraram. Quase fiz o buraco 6 numa única pancada e depois acabei por falhar um putt curto. Depois fiz um bogey no 9 estúpido. Foi um dia difícil para mim e para o meu caddie (David Frade). «Espero que as pessoas não fiquem tristes. Queria fazer birdies e putts para o público que me apoiou, mas esta não vai ser a minha última participação em Portugal. Não pensava que os scores finais fossem tão baixos. Não pensava que houvesse tanta gente abaixo de 20. Mas este campo tem muitos buracos para birdie e no final da época estamos todos com o swing afinado. «Agora vou Lisboa e amanhã parto para Maiorca. Vou para tentar ganhar, senão nem valeria a pena ir. Da forma como estou a jogar, espero fazer outro bom torneio. Não vou subir muito na Ordem de Mérito, talvez uns seis lugares. Mas fiz dois cuts seguidos, já não é mau. Até a época acabar, vou acreditar na qualificação para o Volvo Masters».

Tiago Cruz 4a volta em 74 pancadas, 2 acima do PAR (total -2) «Não sei o que se passa. Foi o ferro 2, que me fez ir à água logo no buraco 17 e depois o sand wedge…o quarto ‘shot’ também foi para a água. Sinceramente, não há explicação. Não é normal estar a jogar bem, chegar ali, bem posicionado para o green e depois fazer aquilo. «No 18 o drive foi para aquele rough mais difícil e depois (no ataque ao green) a bola bateu nas pedras e foi para a água. «Triste é como me sinto. Muito triste mesmo. «Não, o público não me influenciou negativamente. Na segunda volta é onde tem havido mais público e tem sido aí que tenho feito mais birdies. O problema foi o ferro 2. Não dei um shot sem falhar durante toda a semana. No 17 tinha de arriscar, aquele shot era com o ferro 2. «Não fiquei em último, que era um dos meus objectivos, mas acabar assim… Agora vou ficar o dia todo a pensar naquilo. É aborrecido. Agora, se Deus quiser, ainda tenho dois torneios: a Segunda Fase da Escola de Qualificação (European Tour) e depois a Fase Final da Escola. Daqui a duas semanas, na primeira de Novembro, jogo a Segunda Fase, no Sherry Golf Club, em Cádiz e, se passar, a Final será em San Roque (Old and New Courses, na Andaluzia). «Vou lá para cima (Estoril) continuar a preparação. Vou treinar sozinho e se tiver tempo ainda venho cá para baixo (Algarve) treinar. Vou insistir no ferro 2. Se precisar de alguma ajuda, sempre posso pedir ao Aleixo ou telefonar ao Tony Bennett. «Há 14 anos que treino com o Tony Bennet e não é agora que vou mudar. A história das pessoas que mudaram de treinador não é muito boa. Treino com o Tony, mas também falo com o Daniel Silva, o treinador do Oceânico Golf Team Portugal. Ainda ontem lhe pedi para ver o meu putt.   «Estes dois últimos anos foram muito positivos. A mudança da equipa da Federação Portuguesa de Golfe para o Oceânico Golf Team Portugal não me trouxe grandes alterações. «No início deste ano, o calendário do Oceânico Golf Team Portugal tinha mais torneios que o da FPG em 2006, embora não esteja a queixar-me do que a FPG fez por mim no ano passado. Mas no início de 2007 o calendário tinha torneios do PGA EuroPro Tour. Com o passar do tempo, o número de torneios foi diminuindo. «O Balanço desportivo? Poderia ter sido melhor. No Challenge Tour só passei três cuts. Mas em termos de jogo este ano foi muito melhor do que o ano passado. «Gostava de ter continuado a participar no Circuito Profissional de Espanha. Para ganhar dinheiro e ritmo. Não sei a razão pela qual deixámos de jogar esses torneios. Nós jogadores não sabemos de nada. Nós temos é de jogar e estar calados». «Quero dar os parabéns ao Lima pela excelente volta de ontem e espero que ele hoje faça igual ou melhor.

Manuel Pinho Ministro da Economia e Inovação Cerimónia de entrega de prémios «Portugal é o primeiro destino de golfe na Europa Continental e o Portugal Masters contribuiu muito para que isso continue. Steve, esperamos ter-te de novo connosco no próximo ano para defenderes o título». «O balanço deste Portugal Masters é extremamente positivo e tudo contribuiu para que fosse um grande sucesso. «Para consolidarmos este evento necessitamos de patrocínios privados e estão criadas as condições para esse objectivo depois do balanço positivo desta semana. «Faço votos para que assim seja (que este tenha sido a primeira de muitas edições)». «Os Opens de Portugal e da Madeira são torneios diferentes. Portugal tem um programa de torneios inseridos nos circuitos europeus e que pretendem promover outras regiões, incluindo a Madeira e os Açores. O golfe é para Portugal como a neve para a Suíça. «O golfe é visto no Governo com optimismo. O Turismo não esteve bem em Portugal até 2004, mas os números de 2006 e 2007 são muito positivos e encorajadores».

Resultados

O ‘top-5’ definitivo do Portugal Masters após a 4a e última volta (72 buracos) ao Oceânico Victoria ficou ordenado do seguinte modo:   Top-5 Lugar Nome Filiação Resultado Prémio 1o Steve Webster (Inglaterra), 263 (66+66+67+64), -25, €500.000,00 2o Robert Karlsson (Suécia), 265 (67+68+65+65), -23, €333.330,00 3o Peter Hanson (Suécia), 269 (69+65+67+68), -19, €142.500,00 3o Daniel Vancsik (Argentina), 269 (64+66+68+71), -19, €142.500,00 3o Lee Westwood (Inglaterra), 269 (65+69+67+68), -19, €142.500,00 Portugueses 21o Filipe Lima (Turismo de Portugal/Ribagolfe/FPG), 275 (69+68+65+73), -13, €30.750,00 69o Tiago Cruz (Oceânico Golf Team Portugal/Banco BIG), 286 (71+70+71+74), -2, €5.700,00 Portugueses que falharam o ‘cut’ 97o Ricardo Santos (Oceânico Golf Team Portugal), 145 (73+72), +1 97o João Carlota (C.G. Vilamoura), 145 (70+75), +1* 117o António Sobrinho (Vale do Lobo), 148 (75+73), +4 122o Pedro Figueiredo (Quinta do Peru), 152 (74+78), +8* * Amador