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“A preparação do Oceânico Victoria é um trabalho contínuo”

Rui Grave, Head Greenkeeper do Oceânico Victoria Golf Course, fala nesta entrevista dessa grande empresa que é compôr o campo que anualmente serve de palco ao Portugal Masters 

Com quanto tempo de antecedência é que se começa a preparar o campo para o Portugal Masters?

No dia a seguir a acabar, já estamos a preparar o próximo. É um trabalho contínuo, porque há uma série de planeamentos a fazer, a curto, médio e longo prazo. Por exemplo, as férias dos nossos colaboradores são pensadas de um ano para outro, tendo em conta a altura em que vai ser o Portugal Masters. Os fechos do campo para trabalhos de fundo também têm isso em conta.

Algum do planeamento é feito dependendo da forma como o torneio decorreu. Se houve problemas com os bunkers, por exemplo, queremos de imediato colmatá-los. Cada operação tem o seu timing certo, para quando chegar o Portugal Masters o campo estar nas melhores condições. Em Agosto tivemos o campo fechado para fazer o overseeding dos roughs e um mês fechámos para fazer a aerificação dos greens, fairways e tees. Daqui para a frente serão cada vez mais operações ligeiras até que chega só à manicura.

O trabalho da equipa do Victoria é feito seguindo as instruções do European Tour?

Entre o European Tour e a Oceânico Golf é criada uma equipa de trabalho, onde são tratados todos os assuntos que dizem respeito à realização do Portugal Masters. Cabe a esta equipa traçar os objectivos, delegar responsabilidades e monitorizar os mesmos. Procuramos pontos de convergência e que no final resulte numa boa simbiose, que se venha a traduzir num grande sucesso para o golfe, a todos os níveis.

A condição do campo é, obviamente, um dos pontos mais importantes! Temos visitas regulares dos agrônomos do European Tour, ao longo do ano, para avaliarmos os objectivos traçados e rectificar algum, se tal se justificar. Ou seja, há um plano base elaborado inicialmente e que é revisto periodicamente e ajustado se necessário.

O European Tour pede-nos que cumpramos certos padrões standard para todas as áreas do campo: bunkers, fairways, greens. Por exemplo, eles acham que a velocidade ideal nos greens é entre 9.5 e 10.5 [no stimpmeter]. Pode haver um ou outro caso em que não possamos aceder às suas intenções, mas por norma é uma simbiose.

Resumindo: à Ocêanico interessa-lhe é ter um campo fabuloso, o foco está na apresentação, para efeitos de promoção um pouco por todo o mundo, isto sem esquecer a realidade do dia-a-dia, pois a empresa vive do que fazemos ao longo do ano e não do que se faz no Portugal Masters. Já para o European Tour, o mais importante é a jogabilidade do campo durante o torneio, que os jogadores saiam satisfeitos.

O Ricardo Santos, que é um jogador da casa, habituado a competir a tempo inteiro no European Tour, diz que o campo se transforma noutro quando é para o Portugal Masters: “O rough cresce, os greens ficam rápidos e duros, as condições da relva mudam.” É mesmo assim?

Sim. Dou um exemplo prático: uma pessoa que faça surfe amador, quer ondas e de 1,5 metros, porque assim é que se diverte. Já os profissionais querem ondas de 3,5 metros. Se os golfistas amadores jogassem o campo como ele está preparado para o Portugal Masters, iriam encontrar os roughs altos e densos e os greens muito rápidos, o que se transformaria numa experiência desagradável. Quando fechamos o campo, duas semanas antes do início da prova, deixamos o rough crescer, aceleramos os greens, enfim, fica mais vocacionado para os profissionais e menos para os amadores.

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Ainda assim, é um campo acessível para os profissionais, visto que os resultados costumam ser muito baixos e fazem-se muitos birdies e eagles…

O European Tour quer que se façam birdies, para haver espectáculo, mas, por outro lado, também não quer o campo fácil de mais. Em todo o caso, nunca como no Open dos EUA, cujos campos são preparados para dificultar ao máximo a tarefa dos jogadores assim inflacionando os resultados. O Oceânico Victoria é um campo muito aberto, e a sua principal dificuldade poderá ser a distância, que no caso dos profissionais fica diminuída, mas tambem a quantidade de bunkers e água em jogo.. No entanto, convém não esquecer que, por ser aberto, o Victoria fica mais exposto ao vento, quando este sopra.

E como é que estará o campo para a edição que se avizinha?

Vai ser parecido ao ano passado, no entanto este ano o rough vai ficar mais denso e mais alto, o European Tour está a querer aumentar o desafio de penalizar quem falhar fairways. Os fairways terão 10 milímetros e o o semi-rough 40mm.. Depois, vai tudo para mais de 100mm.

Quais são as relvas utilizadas no Oceânico Victoria?

Bermuda nos tees e fairways, lollium perenne (rye grass) no rough que está em jogo e uma mistura de bentgrass com poa annua nos greens.

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No dia-a-dia normal, qual o número de elementos da equipa de manutenção do Oceânico Victoria? E qual o número de elementos na semana do Portugal Masters?

Em termos de pessoas, geralmente temos cá 20 pessoas a tempo inteiro. Durante o Portugal Masters serão quase 50 pessoas, incluindo voluntários que vêm de outros campos e outros trabalhadores do grupo que vêm reforçar a equipa. Mais do que duplicamos a equipa. Todos os dias cortamos toda a zona de jogo, passamos os bunkers e damos atenção especial a cada green. Os greens são, normalmente, cortados três vezes ao dia e rolados. Se há alguma coisa importante num torneio de golfe é a uniformidade e a consistência, o jogador procura encontrar as mesmas condições em todos os lugares em que joga… No ideal, os greens deveriam ter a mesma velocidade de segunda-feira a domingo, das 8h da manhã às 7h da noite, do putting green ao green do 18 e em todas as zonas do green. Felizmente temos conseguido que nunca haja uma diferença superior a 0,5 pés, entre o green mais rápido e o mais lento. Para conseguir tal feito, tiramos as velocidades duas a três vezes ao dia e decidimos nesse momento o plano para cada green individualmente, tipo corte duplo e rolo simples no green 1 e no 2 corte duplo e rolo duplo, enfim…

Como é que essa equipa está dividida?

Temos oito pessoas a cortar greens, e todos eles sabem que máquina vão utilizar e os greens que têm de cortar; seis pessoas nos fairways – três a cortar e três a recolher as aparas; duas pessoas a mudarem as bandeiras; oito pessoas nos bunkers; duas pessoas nos tees; duas pessoas nos colares dos greens; duas pessoas a fazer as zonas de entrada nos greens, as línguas, digamos assim; três pessoas com rolos; e oito pessoas com sopradores (muitas vezes, quando se acaba de cortar greens de madrugada, ainda é de noite e não se consegue ver nada, pelo que utilizamos os sopradores para retirar quaisquer aparas remanescentes).

Fala-me um pouco dessa semana, como é que as coisas são organizadas e como decorrem? Deve ser uma semana extenuante para si…

No pico da prova, nos dois primeiros dias, quando há saídas simultâneas dos buracos 1 e 10, entramos ao serviço por volta das 4h30. Temos de conseguir fazer o trabalho todo antes de os jogadores saírem: greens cortados e rolados, fairways, zona de aproximação, tees, etc. Tudo feito e imaculado, não pode haver lixo, as coisas vão ao pormenor, há muito rigor, até na posição dos ancinhos junto aos bunkers. E há sempre um árbitro que vai à frente do jogo e que avisa se houver alguma coisa que não está bem. Já nos aconteceu ter acabado o trabalho matinal e depois vieram galeirões e encontraram-se dejectos nos greens, o que nos obrigou a voltar para trás. No mínimo há sempre quatro ou cinco pessoas de prevenção, para resolver atempadamente qualquer imprevisto.

Como foi lidar com as terríveis condições climatéricas da última edição, em que a chuva levou à redução da prova de 72 para 36 buracos? Deve ter sido frustrante…

Não foi frustrante, foi curioso. Muitos de nós achavam que se chovesse durante o torneio a nossa vida ia ser mais fácil, porque, por exemplo, não se iria discutir muito a velocidade dos greens. Ninguém pode discutir com a natureza… Mas a verdade é que tudo se complicou muito, porque choveu muitíssimo em curtos períodos de tempo e os estragos foram tão grandes que não os conseguíamos reparar numa hora ou em meia-hora. Não foi frustrante porque, estando pouco habituados a reagir aqui no Algarve a situações de chuva, aprendemos muitíssimo a lidar com estas situações. Estamos habituados, isso sim, a lidar com situações de seca, com a falta de água. Foi uma grande aprendizagem para nós, exigiu muita unidade na equipa, um trabalho em cadeia, os mais velhos ajudavam na experiência, os mais novos na força que tinham. Saímos com a sensação de dever cumprido, e de orgulho, pois fizemos o que podíamos e demos tudo o que tínhamos, não sentimos qualquer sensação de derrota, pelo contrário.

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Conte-nos outros episódios que se tenham passado durante o Portugal Masters?

Uma vez tivemos de mudar um buraco a meio do torneio, porque o Miguel Angel Jiménez deu um shot no 2 e danificou o buraco ao bater no lip; foi necessário mudar o buraco, e nem sempre o conseguimos mudar para perto de onde estava, porque em certas áreas já está muito pisado. As condições mudaram para os jogadores que vinham atrás, porque o buraco deixou de estar no ponto original, mas está contemplado nas regras do torneio. Regra geral, os jogadores são muito simpáticos connosco, sabem que o nosso trabalho influencia o jogo deles e entendem os nossos desafios e dificuldades.

Fale-nos um pouco da sua trajectória profissional até chegar a head greenkeeper do Oceânico Victoria

Quando iniciei o curso de engenharia agronómica na Universidade do Algarve, cedo percebi que dentro da agronomia queria o golfe. O estágio profissional já o fiz no campo de golfe da Penha Longa, em Sintra. O seu chefe de manutenção, o João Paulo Pina Manso, recentemente falecido, gostou do meu trabalho e aconselhou-me ao Simão da Cunha, que era o head greenkeeper dos campos da Lusotur Golfes em Vilamoura. Entretanto, estes foram vendidos ao Grupo Oceânico, o Simão saiu e eu dei todo o apoio necessário para entrada de um novo Head Greenkeeper. Depois, o Portugal Masters, que teve a sua primeira edição em 2007, obrigou a que houvesse alguém a tempo inteiro no Victoria para o preparar e eu fui escolhido para este projecto deixando os outros campos da Oceânico e focando-me só num.

O que é que o atraiu inicialmente no golfe? Já tinha experimentado antes de tirar o curso de agronomia?

Nunca tinha experimentado… Mas sou grande fã de desporto e vi no golfe a união da agronomia e do desporto. Depois comecei a jogar. Inicialmente, apenas com o intuito de entender o que o golfista espera do campo e consequentemente, do greenkeeper. É como um cozinheiro sentar-se à mesa do seu restaurante e apreciar o seu trabalho. Depois, nasce o gosto pelo jogo, contudo não sou um jogador regular. Tenho handicap 18 e digo que jogo o suficiente para jogar com qualquer pessoa sem passar vergonhas.

RUI GRAVE FOTOGRAFADO NO OCEÂNICO VICTORIA POR FILIPE GUERRA

Factos e Números

Sabia que…

Lee Westwood obteve uma vitória e um terceiro lugar em três participações no Portugal Masters? E sabia que o mais jovem vencedor do Portugal Masters foi Tom Lewis, com 20 anos?

Uma das particularidades do Portugal Masters, como a de nunca ter tido um play-off, é que nenhum jogador o conseguiu vencer mais do que uma vez. Foram oito edições, oito vencedores. O que se pode dizer é que a Inglaterra tem sido o país dominador, já com quatro campeões, a uma média de um título a cada dois anos: Steve Webster ganhou na edição inaugural, em 2007; Lee Westwood, em 2009; Tom Lewis, em 2011; e David Lynn, em 2013.

O australiano Richard Green foi, por sua vez, o único não europeu a levantar o troféu, em 2010, já que os restantes campeões foram o espanhol Alvaro Quiros, em 2008; o irlandês Shane Lowry, em 2012; e o francês Alexander Levy, em 2014.

Pode dizer-se que Lee Westwood foi um dos melhores jogadores que já passaram pelo Portugal Masters, não só pelo seu currículo, como pelo que fez em Vilamoura: além da vitória em 2009, que relançou a sua carreira rumo ao primeiro lugar no ranking mundial (posição atingida no final de 2010), o inglês registara antes um 3.º lugar (2007) e um 16.º (2008).

Mas houve outros nomes grandes do golfe mundial que demonstraram a sua classe em Vilamoura e que, como Westwood, registaram dois top 10’s no torneio: o alemão Martin Kaymer (7.º em 2007, 8.º em 2009); o sul-africano Charl Schwartzel (6.º em 2009, e 9.º em 2010); o italiano Francesco Molinari (2.º isolado em 2009, 2.º empatado em 2010); o galês Jamie Donaldson (8.º em 2011, 6.º em 2012); e o austríaco Bernd Wiesberger (4.º em 2012 e 3.º em 2013).

O escocês Paul Lawrie não conseguiu dois top 10’s mas esteve perto, tendo sido segundo em 2008 e 11.º em 2011. Como ele, obtiveram um top 10 o norte-irlandês Rory McIlroy (10.º em 2008), actual n.º1 mundial, o sueco Henrik Stenson (6.º em 2012), o irlandês Padraig Harrington (3.º em 2009) o inglês Justin Rose (6.º em 2009), o dinamarquês Thomas Bjorn (8.º em 2011) e o escocês Stephen Gallacher (3.º em 2013).

Mas, neste capítulo, o melhor é o inglês Ross Fisher, com quatro top 10’s – 7.º em 2007, 3.º em 2008, 2.º em 2012 e 8.º em 2013. Depois, o sueco Robert Karlsson e o inglês Danny Willet registam três top 10’s cada um, sendo que o escandinavo foi 2.º (isolado) em 2007, 3.º em 2008, 2º (empatado) em 2010, e o britânico 6.º em 2009, 6.º em 2012 e 7.º em 2014.

O mais novo campeão do Portugal Mastes foi Tom Lewis, com 20 anos e 284 dias, o mais velho David Lynn, com 39 anos e 358 dias, já muito perto de fazer 40. Entre um e outro, vão 19 anos de diferença.

Qual foi a melhor volta de sempre? 60 pancadas, 11 abaixo do par-72, por Scott Jamieson, da Escócia, em 2013, e por Nicolas Colsaerts, da Bélgica, em 2014. O melhor agregado aos 36 buracos pertence desde o ano passado a Alexander Levy, com 124 (-18), um total que aliás lhe serviu para ganhar o torneio visto que este ficou reduzido a duas voltas devido à chuva intensa que caiu durante a semana. Levy estabeleceu também a maior diferença de um campeão em relação ao seu mais directo adversário: três shots de vantagem, neste caso sobre Nicolas Colsaerts.

Retief Goosen foi o melhor aos 54 buracos, com 196 (-20), em 2009. Quanto ao melhor agregado de um vencedor, está com Steve Webster desde a primeira edição, com 263 (-25).

Parecia impossível, mas Richard Green conseguiu vencer em 2010. Tinha partido para a última volta com sete pancadas de atraso em relação ao líder, o espanhol Pablo Martin, e acabou por ganhar com duas de vantagem sobre o outro espanho, Gonzalo Fernandez-Castaño. Foi a maior recuperação rumo à vitória por parte de um campeão.

O cut mais baixo fixou-se em 139 em duas ocasiões, em 2011 representando 5 abaixo do par-72, em 2014 sendo de 3 abaixo do par, visto em 2012 o Oceânico Victoria passou de par 72- para par-71.

Holes-in-one, houve cinco jogadores que os alcançaram: o irlandês Peter Lawrie na terceira volta de 2007, no buraco 13; o francês Jean François Lucquin, na primeira volta de 2008, no 8; o sueco Alexander Noren, na quarta volta de 2009, no 16; o espanhol Miguel Angel Jiménez na quarta volta de 2013, no 8; e o spanhol Jose Maria Olazábal, na primeira volta de 2014, no 13.

 

Na fotografia: Tom Lewis, o mais jovem vencedor do Portugal Masters / © GETTY IMAGES

 

Bernardo Sousa Coutinho faz a delícia dos jogadores

É indiscutivelmente um dos cartões de visita do Portugal Masters, pela qualidade e variedade da gastronomia que prepara

O catering do Portugal Masters é apontado por muitos jogadores como  um dos melhores do European Tour. Qual é o segredo do sucesso?

A qualidade e a variedade que implementamos. Temos liberdade para criar e apresentamos a gastronomia de todo o país, puxando pela tradição das suas várias regiões… Temos pratos vegetarianos e saladas que variam todos os dias… Os nossos fumados e queijos portugueses também são muito apreciados… É certo que os jogadores não podem comer em demasia, mas acho que eles conseguem dosear bem as refeições [risos].

Quando Shane Lowry venceu o Portugal Masters em 2012, no seu discurso de campeão fez uma menção ao catering do torneio, dizendo que era até “bom de mais para atletas”, como se fosse uma tentação. Ficou sensibilizado por esta homenagem?

Fiquei, claro que sim. Trabalhamos afincadamente durante toda a semana para eles, e é bom que se sintam em casa e que vejam esse trabalho reconhecido. Eles são as estrelas e devem sentir-se o melhor possível para jogar.

Quantas refeições são servidas por dia na semana do Portugal Masters?

À volta de 1100 refeições.

Em termos de recursos humanos, o que é que isso implica? É uma equipa de quantas pessoas?

São perto de 50 pessoas. Temos as tendas VIP, os caddies, os jogadores, a organização do European Tour e alguns restaurantes na zona exterior, nomeadamente no campo. Só cozinheiros são cerca de 20.

E como funciona o dia-a-dia no Portugal Masters?

Preparamos tudo diariamente, numa operação que começa por volta das 4h00 da madrugada e que pode acabar às 22h30. Começamos com os pequeno-almoços e a seguir vem o almoço, que pode durar até às 16h ou 17h. Mas antes de tudo, gosto de percorrer as salas e as tendas para sentir e ver se está tudo a correr bem. Também gosto de falar com as pessoas, de as ouvir, para melhorar o que for preciso.

Conte-nos lá a história do bacalhau feito propositadamente para o Miguel Angel Jiménez?

É uma história engraçada. O Miguel vem muitas vezes ao Algarve, tem cá amigos, e uma vez, durante o Portugal Masters, perguntou-me se eu podia fazer bacalhau à brás. Eu disse-lhe que ele estava com sorte, porque essa era um dos pratos agendados para o dia seguinte. Ele adorou, andou a oferecer a outros jogadores e até os obrigava a experimentar. Também comentou com jornalistas. E, nos dias seguintes, pedia-me para fazer sempre um pouco mais.

Os jogadores fazem-lhe muitos pedidos?

Muitas vezes, somos nós que tomamos a iniciativa de ir ao encontro deles, sem que nada nos peçam. Por exemplo, na última edição do Portugal Masters, em 2014, soube que o Alexander Levy (que viria a ganhar o torneio) não podia comer glúten. Por isso tratámos de lhe providenciar alimentos sem glúten, o que nos agradeceram imenso.

Noutra ocasião disseram-nos que a mulher do Thomas Bjorn fazia anos e preparámos-lhes um folhado de natas com doce de ovos que ele achou fascinante, sublinhando que nunca tinha comido nada tão bom.

Depois, há muitos jogadores que trazem as famílias, e nós fazemos sempre uma pequena graça para as suas crianças, um saquinho com doces, para elas se sentirem bem. São estes pequenos gestos que marcam a diferença e, além disso, faz parte da nossa cultura saber receber bem. Isso contribui para que voltem no ano seguinte.

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A doçaria também é muito apreciada…

Sobretudo pelos franceses. No fim do torneio tenho sempre várias queques de chocolate para entrega de take away, encomendados previamente.

Existem alguns jogadores do Portugal Masters com os quais tem proximidade?

Terei de referir o Miguel Angel Jiménez, mas também todos os portugueses e o Alvaro Quiros, cujo home club é o Oceânico Victoria. Tenho uma história para contar sobre o chileno Felipe Aguilar: quando fui ao BMW PGA Championship, ele viu-me e dirigiu-se-me todo contente, a pensar que eu ia cozinhar para os jogadores. “Era a melhor notícia que nos podia dar”, confessou-me. Já estavam com saudades… 

Naturalmente, não tem muito tempo para assistir à competição em si. Como golfista, isso não lhe custa um pouco?

Tenho alguma pena, mas a operação é de tal maneira envolvente, e de uma responsabilidade tão grande, que eu nem penso, nisso. De vez quando olho para o 18. Mas gravo o torneio na televisão e vejo com calma quando já tudo terminou. 

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Tem algum jogador que admira mais do que os outros, entre os que jogam no Portugal Masters?

Para mim são todos iguais, e se estão ali é porque são todos bons. O Portugal Masters está na primeira divisão do golfe profissional europeu. Tenho vários chapéus de cozinheiro autografados pelos jogadores. E, tenho, isso sim, a esperança de um dia ver um português ganhar. Isso era ouro sobre azul.

Além do Victoria, tem também a seu cargo a concessão do vizinho Millenium. Quais as diferenças que existem entre estes dois estabelecimentos em termos de restauração? Apresentam linhas e ementas diferentes?

É só a nível de espaço, porque em termos de restauração é idêntico. Desde este ano que estamos vocacionados para a chamada cozinha mediterrânica, à base de grelhados, estufados, peixes e marisco. Variamos muito, há várias sugestões.

Fale-nos um pouco de si como golfista…

Comecei em Vila Sol, onde tive o meu primeiro trabalho no Algarve, há cerca de 20 anos. Tenho 12.8 de handicap e sou sócio do Clube de Golfe de Vilamoura e do Clube de Golfe do Estoril. Reconheço que sou um privilegiado, porque muitas vezes jogo com os melhores de Portugal, como por exemplo Ricardo Santos, o Ricardo Melo Gouveia, o Tiago Cruz, o João Carlota.

* BERNARDO SOUSA COUTINHO FOTOGRAFADO NO OCEÂNCIO VICTORIA POR FILIPE GUERRA

Ricardo Melo Gouveia já sonha com o título

28/8/2015

O n.º 1 português gostaria de suceder ao francês Alexander Levy e vai treinar especificamente na semana anterior para o principal torneio de golfe, de dois milhões de euros em prémios, no Oceânico Victoria

Na mesma semana em que se tornou no português a atingir a melhor classificação de sempre no ranking mundial de golfe, Ricardo Melo Gouveia começou a olhar para outra forma de entrar na história e sagrar-se no primeiro campeão do Portugal Masters.

Vencedor de dois torneios do Challenge Tour – em Itália no ano passado e na Alemanha este ano –, Melo Gouveia ascendeu ao 119.º lugar do ranking mundial no seguimento do seu 2.º posto no ROLEX Trophy, na Suíça, batendo a 137.ª posição alcançada por Ricardo Santos a 10 de março de 2013.

Neste momento, lidera a Corrida para Omã do Challenge Tour e já assegurou um lugar no European Tour do próximo ano, mas pretende enriquecer a sua época, já de si impressionante – com nove top 10’s em 13 participações – e suceder ao francês Alexander Levy na lista de campeões do Portugal Masters.

“O Portugal Masters é, obviamente, um grande evento no meu calendário competitivo. Creio que vou tirar a semana anterior para me organizar e treinar, porque estou a jogar muito bem e quero estar devidamente preparado para o torneio”, disse o nº1 português.

 “Não há razão nenhuma para que eu não possa ganhar o torneio este ano. Sinto que, de momento, tenho o jogo e a confiança necessária dentro de mim”, acrescentou o antigo jogador do Clube de Golfe de Vilamoura, que, por isso mesmo, conhece muito bem o Oceânico Victoria Golf Course.

“Ultimamente, tenho pensado bastante no torneio. Acho que tenho capacidade de vencer, mas também quero apreciar e gozar a semana”, sublinhou o algarvio de 24 anos.

 A 9.ª edição do mais importante torneio português de golfe decorrerá, como sempre, no Oceânico Victoria Golf Course, em Vilamoura, de 15 a 18 de outubro (com o sempre concorrido Pro-Am a 14).

 Em jogo estarão dois milhões de euros em prémios monetários e “Melinho” espera poder contar com o apoio do público local, para melhorar o 58.º lugar empatado que alcançou no ano passado.

 “A minha família está sempre aqui, a minha namorada também, tal como os meus amigos. É ótimo ter o apoio dos portugueses, mas no ano passado também notei que tinha apoio de muitos estrangeiros, o que foi excelente”, destacou o campeão nacional amador de 2009.

 “Ter o público a favor é uma vantagem enorme. No ano passado eu estava a jogar bem, só não estava a meter putts, mas o apoio ajudou-me muito e quando fiz aquele chip in para passar o cut foi ótimo ouvir todos aqueles incentivos”, recordou.

“Adoro ter os espectadores a apoiar-me e seria bom jogar bem diante do público local. De todas as vezes que joguei o torneio recebi muito carinho e senti-o mesmo dentro das cordas”, acrescentou.

Ricardo Melo Gouveia terá a companhia no 9.º Portugal Masters de outro algarvio, Ricardo Santos, o vencedor do Madeira Islands Open Portugal BPI em 2012.

 “Os bilhetes para o Portugal Masters de 2015 já estão à venda e qualquer ingresso de um dia, para qualquer dia, custa 20 euros, poupando 5 euros, desde que adquirido antecipadamente no www.europeantour.com/tickets.

Três anos depois do Portugal Masters, Shane Lowry volta às vitórias

10/8/2015

Irlandês foi o melhor no WGC-Bridgestone Invitational batendo um field de luxo no Firestone Country Club, em Akron, Ohio

Desde que venceu o Portugal Masters em 2012, Shane Lowry não deixou de ser um excelente jogador. Depois de ter terminado esse ano no 28.º lugar da Race to Dubai, foi 21.º na mesma tabela em 2014 e 27.º em 2014. Faltava-lhe no entanto, uma nova vitória, que seria a sua terceira na alta roda mundial, depois de ter conquistado o Open da Irlanda em 2009 ainda como amador. Esse triunfo chegou neste domingo, e logo em grande, no WGC-Bridgestone Invitatonal, no Firestone Country Club, em Akron, Ohio.

Numa última volta em que a média de resultados foi de uma pancada acima do par-71, Lowry fez birdie 3 no 18 com um segundo shot difícil e entregou um cartão de 66 que foi “só” o melhor do dia, igualando as marcas de Bubba Watson e David Lingmerth. Somando 269 (70-66-67-66), 11 abaixo do par, o irlandês ganhou com duas de vantagem sobre Watson (70-66-69-66) e alcançou o seu segundo título como profissional.

Lowry tinha iniciado a última volta isolado no terceiro lugar, a dois shots dos líderes, o inglês Justin Rose e o norte-americano Jim Furyk, dois top 10’s mundiais que finalizaram com 72 e tiveram de se contentar com o terceiro lugar, com 273 (-7). Robert Streb foi 5.º, com 274 (-6), seguido de um quarteto composto por Lingmerth, Danny Lee, Brooks Koepka e Henrik Stenson.

“Não posso acreditar”, exclamou o vencedor. “Tenho jogado bem na maior parte do ano, mas as coisas não me estavam a correr de feição. Falhei um par de cuts por uma pancada. E estava a ficar muito em baixo comigo mesmo. Joguei tão bem como nunca nestes últimos quatro dias. Consegui meter alguns putts e ter um pouco de sorte, o que é bom.”

È uma vitória que lhe muda a carreira. Para começar, no ranking mundial, subiu de 48.º para 19.º. Na Race to Dubai, passou a ocupar o quarto lugar. E recebeu um prémio de 1,57 milhões de dólares, ou seja, 1,43 milhões de euros…