Bernardo Sousa Coutinho faz a delícia dos jogadores

É indiscutivelmente um dos cartões de visita do Portugal Masters, pela qualidade e variedade da gastronomia que prepara

O catering do Portugal Masters é apontado por muitos jogadores como  um dos melhores do European Tour. Qual é o segredo do sucesso?

A qualidade e a variedade que implementamos. Temos liberdade para criar e apresentamos a gastronomia de todo o país, puxando pela tradição das suas várias regiões… Temos pratos vegetarianos e saladas que variam todos os dias… Os nossos fumados e queijos portugueses também são muito apreciados… É certo que os jogadores não podem comer em demasia, mas acho que eles conseguem dosear bem as refeições [risos].

Quando Shane Lowry venceu o Portugal Masters em 2012, no seu discurso de campeão fez uma menção ao catering do torneio, dizendo que era até “bom de mais para atletas”, como se fosse uma tentação. Ficou sensibilizado por esta homenagem?

Fiquei, claro que sim. Trabalhamos afincadamente durante toda a semana para eles, e é bom que se sintam em casa e que vejam esse trabalho reconhecido. Eles são as estrelas e devem sentir-se o melhor possível para jogar.

Quantas refeições são servidas por dia na semana do Portugal Masters?

À volta de 1100 refeições.

Em termos de recursos humanos, o que é que isso implica? É uma equipa de quantas pessoas?

São perto de 50 pessoas. Temos as tendas VIP, os caddies, os jogadores, a organização do European Tour e alguns restaurantes na zona exterior, nomeadamente no campo. Só cozinheiros são cerca de 20.

E como funciona o dia-a-dia no Portugal Masters?

Preparamos tudo diariamente, numa operação que começa por volta das 4h00 da madrugada e que pode acabar às 22h30. Começamos com os pequeno-almoços e a seguir vem o almoço, que pode durar até às 16h ou 17h. Mas antes de tudo, gosto de percorrer as salas e as tendas para sentir e ver se está tudo a correr bem. Também gosto de falar com as pessoas, de as ouvir, para melhorar o que for preciso.

Conte-nos lá a história do bacalhau feito propositadamente para o Miguel Angel Jiménez?

É uma história engraçada. O Miguel vem muitas vezes ao Algarve, tem cá amigos, e uma vez, durante o Portugal Masters, perguntou-me se eu podia fazer bacalhau à brás. Eu disse-lhe que ele estava com sorte, porque essa era um dos pratos agendados para o dia seguinte. Ele adorou, andou a oferecer a outros jogadores e até os obrigava a experimentar. Também comentou com jornalistas. E, nos dias seguintes, pedia-me para fazer sempre um pouco mais.

Os jogadores fazem-lhe muitos pedidos?

Muitas vezes, somos nós que tomamos a iniciativa de ir ao encontro deles, sem que nada nos peçam. Por exemplo, na última edição do Portugal Masters, em 2014, soube que o Alexander Levy (que viria a ganhar o torneio) não podia comer glúten. Por isso tratámos de lhe providenciar alimentos sem glúten, o que nos agradeceram imenso.

Noutra ocasião disseram-nos que a mulher do Thomas Bjorn fazia anos e preparámos-lhes um folhado de natas com doce de ovos que ele achou fascinante, sublinhando que nunca tinha comido nada tão bom.

Depois, há muitos jogadores que trazem as famílias, e nós fazemos sempre uma pequena graça para as suas crianças, um saquinho com doces, para elas se sentirem bem. São estes pequenos gestos que marcam a diferença e, além disso, faz parte da nossa cultura saber receber bem. Isso contribui para que voltem no ano seguinte.

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A doçaria também é muito apreciada…

Sobretudo pelos franceses. No fim do torneio tenho sempre várias queques de chocolate para entrega de take away, encomendados previamente.

Existem alguns jogadores do Portugal Masters com os quais tem proximidade?

Terei de referir o Miguel Angel Jiménez, mas também todos os portugueses e o Alvaro Quiros, cujo home club é o Oceânico Victoria. Tenho uma história para contar sobre o chileno Felipe Aguilar: quando fui ao BMW PGA Championship, ele viu-me e dirigiu-se-me todo contente, a pensar que eu ia cozinhar para os jogadores. “Era a melhor notícia que nos podia dar”, confessou-me. Já estavam com saudades… 

Naturalmente, não tem muito tempo para assistir à competição em si. Como golfista, isso não lhe custa um pouco?

Tenho alguma pena, mas a operação é de tal maneira envolvente, e de uma responsabilidade tão grande, que eu nem penso, nisso. De vez quando olho para o 18. Mas gravo o torneio na televisão e vejo com calma quando já tudo terminou. 

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Tem algum jogador que admira mais do que os outros, entre os que jogam no Portugal Masters?

Para mim são todos iguais, e se estão ali é porque são todos bons. O Portugal Masters está na primeira divisão do golfe profissional europeu. Tenho vários chapéus de cozinheiro autografados pelos jogadores. E, tenho, isso sim, a esperança de um dia ver um português ganhar. Isso era ouro sobre azul.

Além do Victoria, tem também a seu cargo a concessão do vizinho Millenium. Quais as diferenças que existem entre estes dois estabelecimentos em termos de restauração? Apresentam linhas e ementas diferentes?

É só a nível de espaço, porque em termos de restauração é idêntico. Desde este ano que estamos vocacionados para a chamada cozinha mediterrânica, à base de grelhados, estufados, peixes e marisco. Variamos muito, há várias sugestões.

Fale-nos um pouco de si como golfista…

Comecei em Vila Sol, onde tive o meu primeiro trabalho no Algarve, há cerca de 20 anos. Tenho 12.8 de handicap e sou sócio do Clube de Golfe de Vilamoura e do Clube de Golfe do Estoril. Reconheço que sou um privilegiado, porque muitas vezes jogo com os melhores de Portugal, como por exemplo Ricardo Santos, o Ricardo Melo Gouveia, o Tiago Cruz, o João Carlota.

* BERNARDO SOUSA COUTINHO FOTOGRAFADO NO OCEÂNCIO VICTORIA POR FILIPE GUERRA

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