David Lynn campeão, Jiménez com Hole-in-One

O Inglês David Lynn quebrou a malapata portuguesa de andar perto de um título e falhá-lo por pouco e recebeu o troféu do Secretário de Estado do Turismo,Adolfo Mesquita Nunes

David Lynn tornou-se hoje (Domingo) no recordista da melhor última volta de sempre de um campeão no Portugal Masters, ao entregar um cartão de 63 pancadas, 8 abaixo do Par do Oceânico Victoria Golf Course, em Vilamoura.

O inglês de 39 anos, que completa 40 a 20 deste mês, exactamente no mesmo dia de aniversário de Gerry Fagan, o presidente da Oceânico Golf, recuperou de um atraso de 6 pancadas em relação ao líder de ontem, o seu compatriota Paul Waring.

Lynn tem vindo todos os anos ao Portugal Masters e totalizou 266 pancadas, 18 abaixo do Par, após rondas de 65, 65, 73 e 63, batendo por 1 única o sul-africano Justin Walters, que teve uma celebração ainda mais entusiástica do que o campeão, porque garantiu a permanência na primeira divisão do golfe europeu, duas semanas depois do falecimento da sua mãe.

As 6 pancadas de Lynn não são a maior recuperação de sempre na história do mais importante torneio português de golfe, porque o australiano Richard Green anulou, em 2010, uma desvantagem de 7.

Mantém-se a tradição do evento do Turismo de Portugal coroar campeões que vêm de trás: aconteceu pela sexta vez em sete anos. Só o espanhol Álvaro Quirós, em 2008, segurou aos 72 buracos o comando que já detinha aos 54. Mas para o jogador que iniciou o torneio no 52o lugar do ranking mundial e no 104o da Corrida para o Dubai do European Tour, o mais importante foi quebrar um «longo jejum de nove anos» sem ganhar qualquer título internacional.

«Quando venci o meu primeiro torneio, pensei que iria ter mais vitórias, mas agora percebo que não podemos tomar nada como garantido e vou apreciar este momento. Por várias razões, é o mais importante título da minha carreira», disse, após embolsar 333.330 euros, um prémio que o catapultou para o 43o lugar da Corrida para o Dubai, para além de entrar no  top-40 do ranking mundial.

De uma assentada, Lynn garantiu o cartão para o European Tour durante mais duas épocas e ficou extremamente bem posicionado para se qualificar para o DP World Tour Championship, o milionário torneio do Dubai que reúne o top-60 do Circuito Europeu. A vitória em Portugal mudou os seus planos mais imediatos. «Ia jogar à Malásia, um torneio do PGA Tour, e depois a Taça do Mundo à Austrália. Agora já vou entrar em torneios bem mais importantes e irei, provavelmente, uma série de semanas seguidas», explicou, referindo-se ao facto de ter-se apurado para os torneios da Final Series do European Tour.

O único título de David Lynn antes do Portugal Masters fora o KLM Open, na Holanda, em 2004, exactamente no ano em que esteve na luta pela vitória no Open de Portugal, no Penina. Partiu para a última volta na liderança, empatado com os espanhóis Miguel Angel Jiménez e Ignácio Garrido e acabou em 5o. Ganhou então Jiménez.

Já no Portugal Masters, há dois anos, terminou em 3o. Desde miúdo que vem «a Portugal jogar, primeiro com os pais e depois para competir» e finalmente conseguiu vencer no nosso país. «Estive perto tantas vezes, creio que fui segundo classificado em oito torneios (entre European Tour e PGA Tour), com destaque, obviamente, para o segundo posto no PGA Championship do ano passado (um dos Majors). Mas hoje, quando comecei a meter tantos putts, senti que poderia ser o meu dia», afirmou Lynn, que desde este ano partilha a presença nos dois principais circuitos. Em 2013, no PGA Tour (circuito americano), quase ganhava no Wells Fargo Championship, em Quail Hollow, em Maio, mas perdeu no play-off com o norte- americano David Ernst, um desconhecido que nem estava entre os 1000 primeiros do ranking mundial!

Foi ainda 4o classificado no prestigiado The Honda Classic. Já no European Tour não tinha conseguido ainda qualquer top-ten. Percebe-se ainda melhor a sua felicidade ao vencer em Vilamoura, dizendo «nem acredito, nem acredito» quando se viu com o troféu na mão.

Muito importante para a sua recuperação foi a presença de milhares de ingleses que o apoiaram no campo. Hoje registaram-se 9.562 entradas, para um total de 36.102 espectadores em cinco dias de prova. Não é um recorde, mas é a quinta vez consecutiva em sete anos de história que se ultrapassam os 35 mil bilhetes. Não são só os britânicos a contribuir para o sucesso de afluência. Os espanhóis foram igualmente numerosos neste ultimo dia. Vieram para assistir a uma eventual vitória de Álvaro Quirós ou Pablo Larrazábal. Quirós, campeão em 2008 e agora residente no Algarve, andou sempre no top-ten mas acabou no grupo dos 22o classificados com 10 abaixo do Par, depois de um cartão de 74.

Larrazábal, antigo campeão do Open de França, ainda logrou um top-ten, empatado em 8o, com 14 abaixo do Par, depois de um 70. O espanhol que mais brilhou hoje foi o carismático Miguel Angel Jiménez, de 49 anos, por concretizar um sempre espectacular hole-in-one, com um ‘shot’ de ferro-7, no buraco 8, de 160 metros. Foi o terceiro hole-in-one na história do Portugal Masters, o segundo no buraco 8, depois do ‘ace’ do francês Jean-François Lucquin em 2008.

Jiménez terminou em 57o empatado, com 5 abaixo do Par, teve um prémio monetário de 5.700 euros, o que para ele são migalhas. Bem mais especial foi o prémio que lhe ofereceu a Fitapreta Vinhos, patrocinadora do Portugal Masters através da Sexy Wine. Pelo hole-in-one, o espanhol ganhou 100 garrafas de vinho para a sua famosa colecção. Serão garrafas de várias colecções e não apenas da marca divulgada no Portugal Masters.

O sétimo Portugal Masters terminou em beleza, com a cerimónia de entrega de prémios em que estiveram presentes Adolfo Mesquita Nunes, secretário de Estado do Turismo; Augusto Baganha, presidente do Instituto Português do Desporto e Juventude; Desidério Silva, presidente do Turismo Algarve; Seruca Emídio, presidente da Câmara Municipal de Loulé; Keith Waters, Chief Operating Officer e director de Política Internacional do European Tour; Peter Adams, director Internacional de Campeonatos do European Tour; Manuel Agrellos, presidente da Federação Portuguesa de Golfe; José Correia, presidente da PGA de Portugal; Gerry Fagan, presidente da Oceânico Golf; David Williams, director de torneio do Portugal Masters; Christopher Stillwell, presidente da AlgarveGolf; e, claro, o campeão, David Lynn, que prometeu a Adolfo Mesquita Nunes voltar para o ano para defender o título.

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