Steve Webster abençoado, Manuel Pinho entregou o prémio

Steve Webster sentiu-se abençoado pela mãe, falecida há cinco meses, e contou com o emocionado apoio do pai para se sagrar o primeiro campeão do Portugal Masters, a competição do European Tour, promovida pelo Turismo de Portugal em cooperação com a organização de António Carmona Santos, que hoje (Domingo) encerrou no Oceânico Victoria, em Vilamoura.

A cerimónia de entrega de prémios foi presidida por Manuel Pinho, o Ministro da Economia, que reafirmou a sua convicção no futuro brilhante deste torneio de três milhões em prémios monetários.

Foi com lágrimas nos olhos que Steve Webster cumprimentou o público depois do ‘put’ vitorioso que lhe permitiu fechar o 72o e derradeiro buraco com 8 um fantástico agregado de 263 pancadas, 25 abaixo do Par. E foi com lágrimas nos olhos que Terry, o seu pai, ouviu o filho contar aos jornalistas, na sala de conferências de Imprensa: «Sabia que a minha mãe (Valerie) estava a ver-me».

O segundo título do European Tour de Webster, após o Open de Itália de 2005, foi o mais importante da sua carreira e resultou de uma das suas duas melhores voltas de sempre. O fantástico resultado de 64 pancadas, 8 abaixo do Par, só pode ser comparado com «o 65 efectuado em Carnoustie», o campo que acolheu este ano o British Open, embora o inglês de 32 anos estivesse a referir-se à 1a volta do Alfred Dunhill Links Championships, há três semanas.

Para além de toda a emoção envolvendo a tragédia familiar que o levou a «tirar a cabeça do golfe», Steve Webster aproveitou da melhor maneira este triunfo, uma vez que arrebatou o prémio de meio milhão de euros destinado ao vencedor e ascendeu da 72a à 26a posição na Ordem de Mérito Europeia, garantindo a qualificação para o Volvo Masters.

«O Oceânico Victoria passou a ser o meu campo preferido», disse o único inglês bem sucedido neste fim-de-semana fatídico para o desporto de Inglaterra, após as derrotas na final do Campeonato do Mundo de Râguebi e no Campeonato do Mundo de Pilotos de Fórmula Um.

Quem também tentava garantir já o apuramento para o Volvo Masters era Filipe Lima, mas para isso necessitaria de ficar entre os três primeiros classificados. Ora o nº1 português acabou por tombar da 9a para a 21a posição (-13), após ter efectuado a sua única volta acima do Par (+1).

O profissional do Turismo de Portugal, da FPG e do Ribagolfe embolsou 30.750 euros, subiu do 86o ao 83o lugar na Ordem de Mérito Europeia e precisa agora de um grande resultado no Mallorca Masters da próxima semana para poder integrar o ‘top-60’ com acesso ao Volvo Masters. Filipe Lima assegura, contudo, que está a jogar bem e afirma que vai para Palma de Maiorca com o título em mira. Se Webster ganhou em Vilamoura, porque não Lima imitá-lo nas Baleares?

O outro jogador português a passar o ‘cut’, Tiago Cruz, ia bem lançado para uma boa volta final, mas dois duplos ‘bogey’ consecutivos, exactamente nos dois últimos buracos, atiraram-no do 58o para o 69o lugar (-2), entre os 73 jogadores que passaram o ‘cut’. Fica-lhe o consolo de, com o prémio de 7.500 euros ter reforçado a sua 2a posição no Ranking da PGA de Portugal e de «não ter sido o último», vendo atrás de si jogadores famosos como Miguel Angel Jimenez e Raphael Jacquelin, antigos vencedores dos Opens de Portugal e de Madrid, respectivamente.

A cerimónia de entrega de prémios do 1º Portugal Masters teve como mestres de cerimónia o português Christopher Stilwell e o inglês Peter Adams, tendo estado presentes o Ministro da Economia e Inovação (Manuel Pinho), o vice-presidente do Turismo de Portugal (Frederico Costa), o presidente da Região de Turismo do Algarve (António Pina), o presidente da Câmara Municipal de Loulé (Seruca Emídio), o presidente da Federação Portuguesa de Golfe (Manuel Agrellos), o presidente da PGA de Portugal (David Silva), um dos dois proprietários do Grupo Oceânico (Gerry Fagan) e o director de torneio do European Tour (José Maria Zamora).

O 1º Portugal Masters foi um sucesso em todos os sentidos e até a afluência de público pagante foi uma boa surpresa. Sem contar com convites e credenciais, portanto, só em bilhetes comprados, registaram-se 24.188 espectadores em quatro dias. Os 6.740 de hoje é um novo máximo de um único dia num torneio de golfe em Portugal, batendo o segundo dia do Algarve Open de Portugal de 2001.

Claro que em telespectadores, o número é bem superior, pois foram atingidos 320 milhões de lares em todo o Mundo. Razão tinha Manuel Pinho em mostrar-se confiante no futuro do torneio.

Declarações de Portugueses que passarm o ‘cut’ 

José Filipe Lima 4a volta em 73 pancadas, 1 acima do PAR (total -13)«As coisas correram menos bem. Os putt’s não entraram. Enganei-me muito na escolha dos tacos. Cometi dois erros graves com a minha madeira-5: um no 5 outro no 17. O primeiro desses shots, no 5, foi para fora dos limites e o segundo, no 17, foi para a água. Estava cansado (a madeira-5 e não ele). Fora isso estou a jogar bem. Trabalhei muito esta semana. O balanço é muito positivo para o golfe português. Tenho estado em muitos torneios e este foi um dos melhores torneios que eu fiz este ano, em termos de organização, clima, tudo uma maravilha. «Esperava ficar pelo menos entre os cinco primeiros, já que ganhar era difícil. Mas ficar entre os cinco, ou até mesmo dez primeiros era o meu objectivo e nem sei se consegui ficar no ‘top-20’.   Desiludido? Não. Fiquei contente. Joguei bem, o meu jogo está seguro. Comecei com birdie e costumamos dizer (nós, os jogadores) que quando se começa com um birdie não é uma boa coisa. E foi isso que aconteceu. Falhei muito, andei à volta dos buracos e os putts não entraram. Quase fiz o buraco 6 numa única pancada e depois acabei por falhar um putt curto. Depois fiz um bogey no 9 estúpido. Foi um dia difícil para mim e para o meu caddie (David Frade). «Espero que as pessoas não fiquem tristes. Queria fazer birdies e putts para o público que me apoiou, mas esta não vai ser a minha última participação em Portugal. Não pensava que os scores finais fossem tão baixos. Não pensava que houvesse tanta gente abaixo de 20. Mas este campo tem muitos buracos para birdie e no final da época estamos todos com o swing afinado. «Agora vou Lisboa e amanhã parto para Maiorca. Vou para tentar ganhar, senão nem valeria a pena ir. Da forma como estou a jogar, espero fazer outro bom torneio. Não vou subir muito na Ordem de Mérito, talvez uns seis lugares. Mas fiz dois cuts seguidos, já não é mau. Até a época acabar, vou acreditar na qualificação para o Volvo Masters».

Tiago Cruz 4a volta em 74 pancadas, 2 acima do PAR (total -2) «Não sei o que se passa. Foi o ferro 2, que me fez ir à água logo no buraco 17 e depois o sand wedge…o quarto ‘shot’ também foi para a água. Sinceramente, não há explicação. Não é normal estar a jogar bem, chegar ali, bem posicionado para o green e depois fazer aquilo. «No 18 o drive foi para aquele rough mais difícil e depois (no ataque ao green) a bola bateu nas pedras e foi para a água. «Triste é como me sinto. Muito triste mesmo. «Não, o público não me influenciou negativamente. Na segunda volta é onde tem havido mais público e tem sido aí que tenho feito mais birdies. O problema foi o ferro 2. Não dei um shot sem falhar durante toda a semana. No 17 tinha de arriscar, aquele shot era com o ferro 2. «Não fiquei em último, que era um dos meus objectivos, mas acabar assim… Agora vou ficar o dia todo a pensar naquilo. É aborrecido. Agora, se Deus quiser, ainda tenho dois torneios: a Segunda Fase da Escola de Qualificação (European Tour) e depois a Fase Final da Escola. Daqui a duas semanas, na primeira de Novembro, jogo a Segunda Fase, no Sherry Golf Club, em Cádiz e, se passar, a Final será em San Roque (Old and New Courses, na Andaluzia). «Vou lá para cima (Estoril) continuar a preparação. Vou treinar sozinho e se tiver tempo ainda venho cá para baixo (Algarve) treinar. Vou insistir no ferro 2. Se precisar de alguma ajuda, sempre posso pedir ao Aleixo ou telefonar ao Tony Bennett. «Há 14 anos que treino com o Tony Bennet e não é agora que vou mudar. A história das pessoas que mudaram de treinador não é muito boa. Treino com o Tony, mas também falo com o Daniel Silva, o treinador do Oceânico Golf Team Portugal. Ainda ontem lhe pedi para ver o meu putt.   «Estes dois últimos anos foram muito positivos. A mudança da equipa da Federação Portuguesa de Golfe para o Oceânico Golf Team Portugal não me trouxe grandes alterações. «No início deste ano, o calendário do Oceânico Golf Team Portugal tinha mais torneios que o da FPG em 2006, embora não esteja a queixar-me do que a FPG fez por mim no ano passado. Mas no início de 2007 o calendário tinha torneios do PGA EuroPro Tour. Com o passar do tempo, o número de torneios foi diminuindo. «O Balanço desportivo? Poderia ter sido melhor. No Challenge Tour só passei três cuts. Mas em termos de jogo este ano foi muito melhor do que o ano passado. «Gostava de ter continuado a participar no Circuito Profissional de Espanha. Para ganhar dinheiro e ritmo. Não sei a razão pela qual deixámos de jogar esses torneios. Nós jogadores não sabemos de nada. Nós temos é de jogar e estar calados». «Quero dar os parabéns ao Lima pela excelente volta de ontem e espero que ele hoje faça igual ou melhor.

Manuel Pinho Ministro da Economia e Inovação Cerimónia de entrega de prémios «Portugal é o primeiro destino de golfe na Europa Continental e o Portugal Masters contribuiu muito para que isso continue. Steve, esperamos ter-te de novo connosco no próximo ano para defenderes o título». «O balanço deste Portugal Masters é extremamente positivo e tudo contribuiu para que fosse um grande sucesso. «Para consolidarmos este evento necessitamos de patrocínios privados e estão criadas as condições para esse objectivo depois do balanço positivo desta semana. «Faço votos para que assim seja (que este tenha sido a primeira de muitas edições)». «Os Opens de Portugal e da Madeira são torneios diferentes. Portugal tem um programa de torneios inseridos nos circuitos europeus e que pretendem promover outras regiões, incluindo a Madeira e os Açores. O golfe é para Portugal como a neve para a Suíça. «O golfe é visto no Governo com optimismo. O Turismo não esteve bem em Portugal até 2004, mas os números de 2006 e 2007 são muito positivos e encorajadores».

Resultados

O ‘top-5’ definitivo do Portugal Masters após a 4a e última volta (72 buracos) ao Oceânico Victoria ficou ordenado do seguinte modo:   Top-5 Lugar Nome Filiação Resultado Prémio 1o Steve Webster (Inglaterra), 263 (66+66+67+64), -25, €500.000,00 2o Robert Karlsson (Suécia), 265 (67+68+65+65), -23, €333.330,00 3o Peter Hanson (Suécia), 269 (69+65+67+68), -19, €142.500,00 3o Daniel Vancsik (Argentina), 269 (64+66+68+71), -19, €142.500,00 3o Lee Westwood (Inglaterra), 269 (65+69+67+68), -19, €142.500,00 Portugueses 21o Filipe Lima (Turismo de Portugal/Ribagolfe/FPG), 275 (69+68+65+73), -13, €30.750,00 69o Tiago Cruz (Oceânico Golf Team Portugal/Banco BIG), 286 (71+70+71+74), -2, €5.700,00 Portugueses que falharam o ‘cut’ 97o Ricardo Santos (Oceânico Golf Team Portugal), 145 (73+72), +1 97o João Carlota (C.G. Vilamoura), 145 (70+75), +1* 117o António Sobrinho (Vale do Lobo), 148 (75+73), +4 122o Pedro Figueiredo (Quinta do Peru), 152 (74+78), +8* * Amador

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