“O Portugal Masters é uma aposta muito válida”

Em conversa com Luís Araújo, que é desde Fevereiro o novo presidente do Turismo de Portugal, sponsor principal do Portugal Masters

Tendo desempenhado primeiramente, entre 2005 e 2007, o cargo de chefe de gabinete do então Secretário de Estado do Turismo, Bernardo Trindade, terá feito parte do nascimento do Portugal Masters, pois logo em 2005 jogou-se a World Cup no Oceânico Vitória, que serviu um pouco como de rampa de lançamento do Portugal Masters, que passou a jogar-se desde 2007 no mesmo campo. Que memórias é que tem desse tempo no que ao golfe diz respeito?

Não me peça memórias, porque já nem me lembro do que almocei (risos). Bem, lembro-me que, obviamente, eram funções diferentes, lembro-me de que na altura procurava-se um evento que pudesse ser o mais aglutinador possível e que permitisse dar alguma visibilidade aquilo que já se estava a fazer então, que era tentar promover o golfe como produto para o país. Lembro-me disso, tenho uma ideia, mas muito mais do que isso também não.

Agora, tenho acompanhado o percurso que tem sido feito e a visibilidade que tem sido dada ao golfe graças ao Portugal Masters e acho que de facto tem sido uma aposta muito válida.

Como é que vê essa evolução do Portugal Masters numa altura em que estamos já em contagem para a décima edição. Qual é a importância que este torneio tem para o Turismo de Portugal?

Eu acho que, dissecando um bocadinho, a questão do golfe é importante para o país. É importante porque qualifica, é importante porque dá visibilidade, é importante porque permite estender a ocupação das regiões para além daquela que é a época alta. E é importante porque, de certa forma, dá prestígio à região, dá prestígio como complemento à actividade turística da região.

A questão do Portugal Masters é claramente valorizadora da imagem do país como destino de grandes eventos e neste caso é um grande evento de golfe – e portanto dá uma visibilidade acrescida.

O CNIG (Conselho Nacional da Indústria do Golfe) fez um estudo sobre a avaliação que era feita pelos stakeholders, portanto, pela grande maioria dos campos de golfe, sobre se o Portugal Masters era positivo – e curiosamente 90 por cento das repostas foi que sim,  que de facto era positivo para a promoção do país como destino de golfe. Vejo assim com muito agrado que consigamos manter ao longo destes anos este torneio no país e no Algarve.

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Foi criada ou está a ser criada alguma estratégia de comunicação do Portugal Masters nos canais de promoção de Portugal?

Sim, eu acho que isso também é fruto da evolução que tem sido feita. O torneio é o mesmo mas temos claramente de nos focar no potenciar cada vez mais e de maneiras diferentes essa promoção e esse torneio. O que nós pedimos – e o que nós estamos a querer – é que haja um resultado em venda ainda maior graças ao Portugal Masters. Portanto, está a ser feita uma divulgação acrescida junto dos operadores internacionais. Obviamente que a maioria das nossas campanhas hoje em dia são digitais, o que nós queremos é que haja uma maior presença desse torneio nessas campanhas e que se utilizem as plataformas do Portugal Masters e a sua base de dados do PM para promover o destino como um todo na altura do torneio e fora dela.

Não existem condições para Portugal receber mais do que um torneio de circuitos profissionais europeus? Estou a dizer isto porque havia o Open de Portugal, já houve também um torneio do circuito feminino de profissionais, e também havia o Open da Madeira, que este ano não se realizou pela primeira vez desde 1993…

Os dados que nós temos hoje relativamente ao golfe mostram um crescimento eu diria que sustentado. Estamos a crescer. De Janeiro a Junho de 2016, comparado com 2015, houve aumento de 11,2 por cento no número de voltas. Isto demonstra que continua a haver interesse e cada vez mais apetência pelos nossos campos de golfe. É importante referir esta questão.

O Portugal Masters e outros eventuais torneios de golfe obviamente que potenciam ainda mais a boa imagem que Portugal já tem como captação destes mercados ou destes jogadores. Obviamente que o Turismo de Portugal está sempre receptivo a qualquer iniciativa que permita trazer ainda mais turistas e diversificar mercados. E depois existe uma coisa que por vezes esquecemos, que é a fidelização dos clientes. Portanto, tudo o que sejam iniciativas que permitam, com objectivos e resultados, traduzir este crescimento, claramente que somos os primeiros interessados nelas, e analisaremos com o maior interesse como analisamos sempre.

Agora, aqui há uma questão de aposta em vários outros produtos e várias outras regiões que têm de ser igualmente consideradas. Não fechamos a porta, mas achamos que temos ainda um papel muito grande a fazer, que é potenciar a imagem do Portugal Masters.

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Tem tido algumas conversas com responsáveis do European Tour?

Temos tido várias conversas. Aliás foi uma das primeiras reuniões que eu tive aqui no Turismo de Portugal, com o Peter Adams. E depois disso temos tido frequentes conversações, precisamente nesse sentido… de perceber qual é a melhor maneira de chegarmos ao consumidor final e qual é que é a melhor maneira de distribuirmos o produto Golfe através dos operadores. O objectivo é, como lhe disse, por um lado, captar turistas, por outro lado, fidelizar com uma experiência superior nos nossos campos e em última análise fazer com que eles repitam e voltem de outros mercados também.

Vem do principal grupo hoteleiro português, que tem vários campos de golfe. Qual é que é a sua relação ou ligação ao golfe?

Nunca joguei – e vou-lhe ser sincero: nunca visitei um campo de golfe do Grupo Pestana. Acho que aí sou totalmente isento. Aliás, acho que é isso que me faz olhar de uma maneira muito fria e objectiva o negócio do golfe. Agora, reconheço que é uma actividade importante como complemento de hotelaria, reconheço valências do ponto de vista de qualificação do destino e de fidelização e de repetição que são consideráveis. E por aí claramente que tenho o maior interesse em que o negócio do golfe funcione e seja um complemento importante para a actividade turística.

O novo Plano Estratégico para o Turismo vai estar pronto ainda este ano. Qual será o papel do golfe? Terá algum programa especifico ou será inserido numa promoção conjunta?

A estratégia “2027” [como se denomina o Plano Estratégico] está em discussão. Agora… pegando um bocadinho naquilo que eu lhe dizia, o golfe tem todos os atributos para ser uma chave fundamental nestes desafios que nós temos, seja na sazonalidade, seja na complementaridade com o interior, na dispersão pelo território nacional, ou seja, é demasiado importante para ser esquecido nesta estratégia, portanto, obviamente que vai ser considerado, vai ter o seu papel… Veremos depois de que maneira é que implementamos essa estratégia e quais são os planos acção que fazemos para o golfe em particular.

 © fotografias de Filipe Guerra

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