Andy Sullivan campeão integra elite mundial

18/10/2015

António Pires de Lima, ministro da Economia, entregou prémio ao vencedor e elogiou torneio. David Williams, presidente do European Tour, garante edição de 2016. Peter Adams, director do campeonato, avisa que haverá grande festa para o 10º aniversário e anuncia doação de 20 mil euros para SIC Esperança

Andy Sullivan manteve a tradição de nove anos do Portugal Masters e foi o 9º jogador diferente a conquistar o mais importante torneio português de golfe, que o European Tour organizou durante os últimos cinco dias no Oceânico Golf Course, em Vilamoura.

Mas o inglês de 28 anos fez questão de demarcar-se dos seus antecessores e de entrar para a história do evento do Turismo de Portugal, de 2 milhões de euros em prémios monetários, ao alcançar alguns recordes.

Com um total de 261 pancadas, 23 abaixo do Par, depois de voltas em 64, 64, 67 e 66, não bateu o melhor resultado de sempre na prova que continua a pertencer ao primeiro campeão, o seu compatriota Steve Webster, que atingiu as 25 abaixo do Par em 2007.

Contudo, Sullivan deixou o vice-campeão, o também inglês Chris Wood (que este ano ganhou o Lyoness Open, na Áustria), a 9 pancadas, a maior vantagem de um vencedor em Vilamoura, ao mesmo tempo que tornou-se no primeiro jogador a liderar o torneio do início ao fim (wire-to-wire), encabeçando o leaderboard em todas as voltas.

O seu registo estatístico de 26 birdies e apenas 3 bogeys foi deveras impressionante e também aqui fixou um novo recorde, ao ser o campeão do Portugal Masters que menos pancadas perdeu em quatro voltas, superando os 4 bogeys do inglês Tom Lewis em 2011. Claro que no ano passado, o francês Alex Lévy não teve qualquer bogey, mas o torneio resumiu-se a duas voltas.

«É, definitivamente (o título mais importante da sua carreira) por ter sido obtido na Europa Continental. É importantíssimo para mim. Espero que não me levem a mal, porque ganhar na África do Sul (primeiro no Open nacional e depois no de Joanesburgo) foi incrível. Foi a minha primeira vitória (Open da África do Sul) e irei lembrá-la para sempre. Mas há sempre dúvidas sobre se um jogador é capaz de ganhar na Europa e eu estou encantado de ter colocado um ponto final nessa interrogação. Ganhar um evento com este prestígio é inacreditável», disse Sullivan, na conferência de Imprensa, depois de somar o seu terceiro título do ano no European Tour.

É apenas a sétima vez na história do European Tour que um jogador vence os seus três primeiros títulos na mesma época e este ano Andy Sullivan é o único a poder orgulhar-se desse feito, deixando atrás de si grandes figuras do golfe mundial com “apenas” dois troféus da primeira divisão europeia: o norte-americano Jordan Spieth (Masters e US Open), o norte-irlandês Rory McIlroy (Omega Dubai Desert Classic e Cadillac Match Play Championship/WGC), os sul-africanos George Coetzee (Open das Maurícias e Tshwase Open) e Branden Grace (Alfred Dunhill Championship e Masters do Qatar), o indiano Anibarn Lahiri (Open da Malásia e Open da Índia) e o inglês Danny Willett (Nedbank Golf Challenge e Omega European Masters, na Suíça).

A vitória de hoje elevou Andy Sullivan, o mais sorridente de todos os campeões do Portugal Masters, ao top-50 do ranking mundial, ao 15º lugar da Corrida para o Dubai do European Tour e ao 6º do ranking europeu da Ryder Cup. Por outras palavras, vai entrar diretamente nos mais importantes torneios do Mundo, incluindo Majors.

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Na cerimónia de entrega de prémios, depois de receber o cheque de 333.330 euros (o maior da sua carreira), Sullivan agradeceu aos patrocinadores em geral e ao Turismo de Portugal em particular, elogiando «o esforço de Portugal em montar um torneio deste nível, quando são conhecidas as dificuldades que o país atravessa».

Antes, já António Pires de Lima se tinha antecipado a esta questão. No seu discurso bilingue, que agradou aos milhares de estrangeiros presentes (26.652 espectadores em cinco dias de prova), o ministro da Economia disse que «independentemente do Governo que Portugal vier a ter em poucas semanas, não há razão nenhuma para que um evento tão importante para o país não tenha um acordo plurianual com o European Tour».

Já na véspera, em entrevista à SportTV, David Williams, o presidente do Conselho de Administração do European Tour (“chairman”), tinha garantido que «em 2016 iremos celebrar os dez anos de Portugal Masters», confirmando que o Turismo de Portugal irá manter o apoio.

Daí que o diretor de campeonatos do European Tour e também diretor do Portugal Masters, Peter Adams, tenha convidado «todos a regressarem para o ano, pois temos planeada uma grande festa para o décimo aniversário».

A cerimónia de entrega de prémios foi bastante concorrida e contou com as seguintes presenças: António Pires de Lima (ministro da Economia), Vítor Aleixo (presidente da Câmara Municipal de Loulé), João Cotrim de Figueiredo (presidente do Turismo de Portugal), Manuel Agrellos (presidente da Federação Portuguesa de Golfe), Desidério Silva (presidente do Turismo Algarve), Carlos Luís (presidente da Associação de Turismo do Algarve), Arnaldo Paredes (representante da Secretaria de Estado da Juventude e Desporto), David Williams (presidente do European Tour), Chris Howell (presidente do Grupo Oceânico), Christopher Stilwell (presidente-executivo da Oceânico Golf), Peter Adams (diretor de campeonatos do European Tour) e José Maria Zamora (diretor de torneios do European Tour).

A manutenção do Portugal Masters é fundamental para o turismo português mas também para os jogadores portugueses e, como costuma salientar Manuel Agrellos, o presidente da FPG, nunca deveremos esquecer que «este é, sobretudo, um evento desportivo».

Em nove anos de Portugal Masters, só por uma vez não houve portugueses a passarem o cut e este ano foram dois. Ricardo Melo Gouveia confirmou em Vilamoura que é o melhor golfista luso da atualidade.

“Melinho” poderá não ter ganho (ainda) o título com que sonha e também não foi desta que um português ficou no top-10, mas como o próprio algarvio de 24 anos sublinhou, o 31º lugar empatado que alcançou tem boas consequências, muito para além do prémio 15.800 euros.

Ricardo_Gouveia

«Esta classificação é muito boa porque, penso, os 35 primeiros contam para o ranking mundial e para o ranking olímpico e ainda não estou apurado (para os Jogos do Rio). Na última vez que olhei para a classificação estava em 39 e vão (aos Jogos Olímpicos) os primeiros 60», disse o nº2 do ranking do Challenge Tour, que totalizou 279 pancadas, 5 abaixo do Par, com voltas de 71, 68, 72 e 68. O seu final de prova foi emocionante, com 2 birdies a fechar nos seus dois últimos buracos (8 e 9).

Quanto ao triplo campeão nacional amador, Tomás Silva, acabou por viver o seu pior dia no torneio, em 75 pancadas (+4), mas, mesmo assim, concluiu no 68º lugar, com 287 (71+68+73+75), as mesmas 3 acima do Par do irlandês Paul Dunne que este ano surpreendeu toda a gente ao liderar o British Open na entrada para a última volta!

Dunne deve ter ficado radiante de já ser profissional e de Tomás Silva ser amador. Assim, o português não ganhou prémio monetário e foi o irlandês a embolsar os 4 mil euros.

Tomás Silva, por seu lado, pouco pensou no dinheiro que perdeu por ser amador e garantiu que em 2016 irá continuar com esse estatuto para ganhar experiência, ao mesmo tempo que conclui os estudos universitários.

E por falar em experiência, a que viveu em Vilamoura foi inolvidável: «É simplesmente fantástico andar aqui no meio destes jogadores, no meio da multidão, dar bons shots e ouvir palmas, ou então não dar bons shots e ouvir aqueles uhuhuhus. Foi uma semana muito divertida, embora tenha jogado mal nestes dois últimos dias saio daqui com um sorriso nos lábios».

Com um sorrido nos lábios andou Andy Sullivan todos os dias e foi também com muito agrado que Peter Adams anunciou aos milhares presentes no Oceânico Victoria que «o Portugal Masters angariou este ano 20 mil euros para a SIC Esperança».

NAS FOTOGRAFIAS: Andy Sullivan a receber o troféu das mãos de António Pires de Lima, ministro da Economia; Andy Sullivan no momento da vitória / © GETTY IMAGES; Ricardo Melo Gouveia num shot de saída / © FILIPE GUERRA

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