Martin Kaymer e Thomas Bjorn estão de volta

28/09/2015

Martin Kaymer pretende desforrar-se no Portugal Masters do sabor amargo com que saiu do Open de Itália há duas semanas, onde por pouco não conquistou o seu 12º título no European Tour.  O antigo nº1 mundial, de 30 anos, só perdeu em Milão no play-off com o sueco Rikard Karlberg.

O Portugal Masters é um dos seus torneios preferidos do ano e irá oferecer-lhe uma hipótese de remissão, quando o alemão encabeçar uma forte lista de inscritos que competirá no Oceânico Victoria Golf Course, de 15 a 18 de Outubro, com o sempre apetecível Pro-Am a 14.

Será a sua sexta visita a Vilamoura e embora nunca tenha ganho o troféu do torneio de dois milhões de euros em prémios monetários, obteve um excelente 7º lugar (empatado) no ano de estreia, em 2007, quando a sua primeira volta de 61 pancadas fixou um novo recorde do campo.

O jogador que possui residências em Mettmann (Alemanha) e Scottsdale (Arizona, nos Estados Unidos) acredita que o ambiente descontraído do Algarve tende a soltar o melhor de si. “É um torneio muito bom – disse – e acho que deveria ser ainda mais reconhecido do que é. O campo de golfe é brilhante e quando o trabalho diário termina é muito agradável visitar a marina à noite. Tem tudo o que poderemos desejar num torneio”. “No Oceânico Victoria pode-se alcançar números baixos e é um campo bem divertido para se jogar, principalmente os últimos buracos. O 15 é um Par-4 bom para o drive, o 16 é um Par-3 traiçoeiro, o 17 é um Par-5 entusiasmante onde se pode fazer facilmente tanto um birdie como um bogey e no último é preciso ser-se corajoso para tentar fazer um birdie. É um final muito excitante, tanto para os jogadores como para os fãs”, acrescentou.

A sua última aparição no mais importante torneio de golfe português data de 2013, quando integrou o grupo dos 13º classificados, no ano em que venceu o britânico David Lynn.

Desde então, o atual 12º classificado na Corrida para o Dubai do European Tour e 20º do ranking mundial duplicou a sua coleção de títulos do Grand Slam, ao conquistar o US Open de 2014, para juntar ao PGA Championship de 2010, integrou a seleção europeia que venceu a Ryder Cup no ano passado e venceu o PGA Grand Slam of Golf, também em 2014.

Foi um grande 2014, mas o seu último título em solo europeu foi o prestigiado Alfred Dunhill Links Championship em 2010 e na Europa Continental o jejum data desde o KLM Open, também em 2010.

“Nos últimos tempos, o meu jogo voltou a um estado de forma decente e só preciso de algumas afinações, principalmente no meu jogo curto”, referiu o jogador que é conhecido pelo rigor com trabalha os detalhes técnicos. “Foi isso que provavelmente me custou o título em Itália. É ótimo estar a competir de novo com mais regularidade na Europa, porque podemos visitar países diferentes e vivenciar culturas distintas. Quando estou nos Estados Unidos sinto a falta disso, pelo que é bom regressar a espero averbar rapidamente outra vitória”, concluiu o alemão que foi 12º classificado nos dois últimos Majors, o British Open e o PGA Championship.

Martin Kaymer terá a companhia de Thomas Bjorn no Oceânico Victoria Golf Course, um jogador que bem conhece, pois foi o seu parceiro de pares nos fourballs na última Ryder Cup.

Tal como Kaymer, Bjorn optou por não competir no Portugal Masters depois da estrondosa vitória da Europa em Gleneagles, na Escócia, mas o dinamarquês está satisfeito por retornar a um torneio que jogou sempre entre 2007 e 2013.

“No ano passado foi a primeira vez que faltei ao Portugal Masters. Isso, só por si, mostra como gosto do torneio. É um daqueles em que muitos dos jogadores querem estar todos os anos, porque é uma semana simpática e descontraída, porque é óptimo ter o hotel dentro do campo, porque nesta altura do ano o tempo costuma estar bem bom e porque o campo oferece habitualmente muitas oportunidades de birdie“, elucidou o também presidente da Comissão de Campeonatos do European Tour.

“O meu registo na prova não é tão bom quanto eu gostaria, mas em 2013 fiz uma segunda volta de 63 pancadas, pelo que sei que posso atingir números baixos nesse campo. No ano passado faltei porque precisei de tirar algum tempo de folga depois da Ryder Cup, mas estou desejoso de voltar este ano”, frisou o campeão de 15 títulos no European Tour, que é ainda o vencedor do último Open de Portugal, em 2010.

Para ver em ação no 9º Portugal Masters Bjorn e Kaymer, dois vencedores da última Ryder Cup, já é possível adquirir os bilhetes em www.tickets.europeantour.com.

Os bilhetes para o Portugal Masters de 2015 já estão à venda e qualquer ingresso de um dia, para qualquer dia, custa 20 euros, poupando 5 euros, desde que adquirido antecipadamente. O bilhete para todos os dias de prova ascende a 50 euros. Jovens menores de 16 anos entram gratuitamente, desde que acompanhados de um adulto e o estacionamento é gratuito para detentores de bilhete.

Há programas corportativos e pacotes para as zonas mais exclusivas que podem ser obtidos através de http://tickets.europeantour.com/event/oceanico-victoria-golf-club/portugal-masters-hospitality/852117.

“O Portugal Masters pode entrar em 400 milhões de lares”

27/07/2015

Entrevista com Peter Adams, Director of International Championships do European Tour e também Diretor do Portugal Masters, cuja nona edição será jogada entre os dias 15 e 18 de Outubro.

Encontrámo-nos com Peter Adams em meados de Julho no Tivoli Vitória, mesmo defronte do campo de golfe que recebe anualmente o Portugal Masters, o Oceânico Vitória. Aterrou em Faro e partiu de volta no mesmo dia. Veio passar uns breves instantes com Joana Trigoso (representante do European Tour em Portugal) porque, segundo ele, é importante estar cara a cara e não somente por telefone, desde Londres. Teve também reuniões no Oceânico (o campo do torneio), com a Lusort (proprietária do real estate em Vilamoura) e com a Inframoura (apoia na promoção do torneio). Mas teve tempo para conversar com o website do Portugal Masters. 

Tem estado envolvido no Portugal Masters desde a sua primeira edição? 

Sim, mesmo desde o princípio que foi em 2007. O Portugal Masters como que nasceu da WCF-World Cup 2005 no Algarve, um torneio de  que eu era o Director Executivo. Posteriormente, reunimo-nos com o Turismo de Portugal e perguntaram-nos se poderíamos lancar um novo evento para ocupar o lugar da World Cup. Esse novo evento transformou-se no Portugal Masters.

De todos estes anos de Portugal Masters, quais foram, para si, as edições mais memoráveis? 

Penso que há provavelmente três edições que sobressaem das outras: em 2009, quando ganhou Lee Westood que teve que jogar um extraordinário pitch de trás do green do 17 por cima das árvores e na direcção da água – e fê-lo maravilhosamente e este foi, eu acho, o shot mais memorável; em 2008, quando ganhou Alvaro Quiros – parece-me que no par 5 do 17, ele chegou ao green com duas pancadas, fez o birdie e foi muito, muito agressivo na forma como ganhou; e depois outro ano de realçar foi talvez o ano em que Shane Lowry ganhou – teve um apoio fantástico de toda a comunidade irlandesa do Algarve e jogou um golfe maravilhoso. Ah, mas não me posso esquecer de Tom Lewis em 2011, porque apenas dois ou três meses antes era Amador e jogou The Walter Cup em Royal Aberdeen, tornou-se professional e chegou e ganhou o seu primeiro torneio do European Tour. 

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Tem mais histórias do Portugal Masters que queira partilhar connosco? 

Acho que lhe contei as melhores. Temos algumas más recordações do ano passado porque obviamente foi memorável por uma razão diferente e foi memorável por ter sido o primeiro Portugal Masters desde sempre em que tivemos chuva, por isso foi um Portugal Masters diferente. Mas este ano, esperamos voltar com maravilhosas condições de sol que todos irão apreciar.

O ano passado foi, sem dúvida, a pior edição de sempre. Como lidou com as más condições do tempo? 

Foi muito difícil porque a chuva foi muito pesada, muito forte e caíu muita água. Foi simplesmente impossível drenar a água do campo de golfe a tempo de se poder voltar a jogar outra vez. De modo que ficámos apenas com 36 buracos para jogar o que é muito duro para quem está envolvido num torneio de golfe. Mas ao mesmo tempo penso que este foi apenas um ano em sete, todos os outros foram fantásticos.

Podemos dizer que o Portugal Masters é um dos mais consagrados torneios do European Tour? 

Acho que está actualmente bem firmado. Existe desde o ano de 2007. Sempre foi jogado aqui no Oceânico Vitória Golf Club que se tornou a casa do Portugal Masters e além disso os jogadores adoram-no porque podem vir de avião e estar aqui em menos de 20 minutos; usufruem de um excelente hotel para ficar, o Tivoli, que é um 5 estrelas fabuloso; e depois só têm de atravessar a estrada e ir jogar o seu jogo. Por isso temos jogadores muito bons a jogar aqui porque eles adoram este torneio.

Sabemos que alguns jogadores trazem consigo a família… 

É verdade. Recebemos imensas cartas e comentários dos jogadores e são sempre positivos e é uma semana muito simpática e confortável para os jogadores que muito a apreciam. Martin Kaymer, que tem participado em muitos Portugal Masters, considera-o como uma das suas semanas favoritas de todo o Tour. Isso é muito importante para nós porque temos de atrair para aqui bons jogadores. Por isso, eles gostam e vêm para aqui com as famílias, porque normalmente o tempo está bom, têm um excelente sítio para ficar e as suas mulheres e crianças podem diverter-se na piscina – também temos uma creche organizada especialmente para o torneio. Assim as crianças podem divertir-se e as senhoras terem algum tempo livre.

O Turismo de Portugal é o principal patrocinador do Portugal Masters? Que outros parceiros e patrocinadores estão envolvidos no torneio? 

O Turismo de Portugal é o investidor líder do Torneio e depois temos o Oceânico que é o anfitrião do evento e constitui um parceiro muito forte. Estamos a meio de um contrato de três anos com eles. Os Hotéis Tivoli são um parceiro muito forte também. Temos um contrato com eles por muitos anos – são investidores do torneio e também o Hotel Oficial. E depois temos alguns dos principais patrocinadores do European Tour como as Emirates Airlines, Rolex e outras empresas que são actualmente patrocinadoras do European Tour. E ainda, numa escala mais pequena mas também importante, temos empresas como a Bobby Jones que fornece a roupa, Marka, que é o Vinho Oficial do torneio. Todos estes patrocinadores se associam a nós seja como investidores seja com contribuições em produtos e serviços que ajudam o torneio a funcionar. 

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Há inúmeros fãs ingleses, escandinavos e alemães durante o Portugal Masters, mas o bom desempenho dos jogadores portugueses é também importante para o número de espectadores que aqui vêm. Está a par do que Ricardo Melo Gouveia está a fazer no Challenge Tour? 

Sei que ele tem estado a jogar muito bem. E sim, acho que um bom desempenho por parte de um jogador português é muito, muito importante para o torneio. Penso que foi há dois anos que Ricardo Santos estava no topo do leaderboard à partida para o último dia, e foi maravilhoso ver tantos espectadores portugueses a virem ao torneio. E o torneio precisa disso e penso que Portugal precisa que os seus jogadores joguem bem aqui porque este é um grande palco e uma grande oportunidade para eles.

Disse que tudo começou com o WCG World Cup em 2005. Nessa altura, os campos de golfe de Vilamoura eram propriedade da Lusotur, uma empresa do Grupo André Jordan, que os vendeu ao Oceânico Grupo em 2007. Como é actualmente a relação entre o European Tour e a Oceânico? 

Temos uma relação incrivelmente forte. Na verdade tínhamos uma excelente relação com o Grupo André Jordan e quando os campos de golfe foram vendidos à Oceânico rapidamente conhecemos a Oceânico além de que um dos membros do Grupo André Jordan ficou e serviu de ponte entre o Grupo André Jordan, a Oceânico e nós. E desde então, penso que a nossa relação se fortaleceu mais e mais. Eles reconhecem a vantagem de receber o Portugal Masters e nós apreciamos vir aqui porque temos tudo o que precisamos para um grande torneio de golfe.

Como classificaria o campo do Oceânico Vitória entre outros palcos do European Tour? 

É um bom campo de golfe. É um campo muito, muito bom para golfe de competição porque tem muita qualidade mas também porque tem imenso espaço e inúmeras vantagens para os espectadores. Por isso penso que está ao nível de muitos outros campos de golfe. Se não estiver muito vento, em muitos casos os profissionais podem fazer resultados muito baixos, mas não me importo. Acho que é simpático o publico ver muitos birdies e ver os jogadores a jogarem bem. Penso que a única razão para tentar tornar o campo um pouco mais difícil é para que se torne um desafio um pouco maior para os profissionais, mas de qualquer forma é um campo de golfe muito bom com uma excelente infraestrutura para nós.

Como é que o campo vai ser preparado para a edição deste ano? 

Uma ou duas mudanças. Não vão haver alterações específicas nos buracos, mas o rough vai ficar, como se costuma dizer, um pouco mais penalizador, porque as áreas fora dos fairways vão ter uma misture de rye-grass que é uma erva que cresce muito depressa o que proporciona um teste muito mais exigente para os jogadores. Acho que os jogadores o vão considerer um desafio. Também trabalhámos muito nos greens do Oceânico nos últimos anos para proporcionar uma superfície de putting muito firme e rápida. Acho que se conseguirmos greens firmes e rápidos e mais rough alto, então penso que será um teste mais difícil e que os jogadores vão apreciar isso.

Até ao início do torneios, quais são, a partir de agora, os vários passados na evolução do torneio? 

Estamos focados na organização do torneio e estamos a empreender algumas mudanças. Vai haver um serviço público de restauração diferente, vamos ter vários bares diferentes e vamos ter também uma experiência de golfe interactiva mais desenvolvida. As pessoas podem chegar e experimentar tacos de golfe, podem tentar e ter uma lição com um professional de golfe, podem tentar várias provas só para terem um dia de golfe mais completo.

Assim, estamos a trabalhar na organização toda, estamos a trabalhar na promoção do torneio – para transmitir a mensagem de que o Portugal Masters está no ar e que é uma excelente proposta para as pessoas virem e observarem os melhores jogadores do mundo e que se pode comprar os bilhetes com antecedência no site do European Tour. É um aspecto muito importante.

Estamos também a trabalhar com os nossos patrocinadores – o Portugal Masters tem cerca de 20 patrocinadores e damos a todos um pacote de diferentes direitos e benefícios e temos que tratar de todos eles e garantir que fornecemos todos esses direitos e benefícios e que todos tenham uma muito boa experiência.

E, por último, falar com os jogadores, encorajá-los a vir ao Oceânico Vitória, ao Portugal Masters e jogar o torneio. E isto é um diálogo contínuo entre nós e os jogadores e seus agentes.

Qual é o papel da Joana Trigoso no Portugal Masters? Ela é Portuguesa e trabalhou durante um ano na sede da European Tour em Wenthworth, mas agora está de regresso a Portugal… 

Começámos por conhecer a Joana no WGC-WorldCup em 2005, quando ela trabalhava no grupo André Jordan. Ficámos amigos desde então, e em determinada altura pedimos-lhe para vir trabalhar para nós na nossa sede em Wenthworth, perto de Londres. De forma que ela trabalhou para nós durante todo o ano passado e depois tornou-se uma boa oportunidade para ela ser a representante do European Tour aqui em Portugal, com base em Lisboa. Porque eu acho que é importante para nós ter uma pessoa portuguesa que pode falar com todas as outras pessoas portuguesas. Precisamos desse nível de comunicação e precisamos também de ter uma ligação muito forte com os portugueses que possa explicar como o golfe é importante em Portugal, como é que podemos chegar a mais golfistas portugueses, como podemos atrair mais portugueses a virem como espectadores ao evento. Por isso, faz todo o sentido para nós tê-la connosco.

Haverá espaço em Portugal para receber outro torneio do European Tour, nomeadamente na zona de Lisboa? 

Provavelmente no futuro, sim. Há cinco ou seis anos atrás, tínhamos o Open de Portugal no Estoril e também o Portugal Masters aqui em baixo no Algarve. É evidente que têm sido tempos difíceis em Portugal em termos económicos, pelo que tem sido muito sensato, eu acho, focarmo-nos no sucesso de um Portugal Masters no Algarve. Mas no futuro, à medida que as coisas forem melhorando, eu acho que haverá sempre essa possibilidade, assim commo a possibilidade de um evento do Challenge Tour ou do Senior Tour – no ano passado tivemos um torneio do Senior Tour em Vidago. De modo que estamos sempre a falar às pessoas nessas possibilidades.

Qual a importância da data do Portugal Masters, perto do fim da época, em termos de atrair bons jogadores? 

Bem, o Portugal Masters é jogado no momento em que os jogadores que querem fazer parte das Final Series e fazer parte do torneio final no Dubai estão a ver se jogam e ganham mais dinheiro para melhorar a sua posição, para garantirem que estarão nesses torneios finais.

Pode dizer-nos o que é o que o Portugal Masters traz em troca ao país em termos de visibilidade internacional? 

O Portugal Masters é televisionado durante os quarto dias e as imagens televisivas chegam a todo o mundo através de aproximadamente 40 difusões diferentes, com um alcance de cerca de 400 milhões de lares em todo o mundo. De forma que é uma publicidade fantástica para Portugal como país e é também uma publicidade fantástica para os campos de golfe do Algarve. É uma forte afirmação de que Portugal é um grande lugar para visitar e ficar, de que é um excelente destino de golfe. E em termos de impacto económico, fizemos um estudo económico do impacto do Portugal Masters há cerca de dois anos, e o impacto local efectivo para a área local é de pouco menos de quatro milhões de euros para o torneio e semanas que antecedem o torneio. E isto não inclui o efeito durante o ano inteiro do Portugal Masters como anúncio para vir e jogar golfe na zona.

Para além do trabalho, conhece bem Portugal? 

Sinto que o conheço bem em alguns aspectos, porque venho cá desde provavelmente 2003, mas sobretudo em trabalho. Também aqui venho, de tempos a tempos, de férias e é como eu acho que o conheço pessoalmente, mas também em negócio tenho tido muita sorte pois já tive oportunidade de conhecer um pouco de Lisboa, um pouco das várias áreas de golfe em Portugal, como o Algarve, a Costa do Estoril e também a Praia d’El Rey em Óbidos. Sinto-me por isso muito familiarizado com o golfe em Portugal e acho que o conheço bastante bem.Gosto muito de cá vir.

Quando está de férias onde é que vai mais?

Tanto a Lisboa como ao Algarve. A Lisboa, para um intervalo de cidade. E trouxe a minha família a Lisboa, divertiram-se imenso e também temos ido ao Algarve para jogar um pouco golfe e ir à praia.

Joga golfe? 

Não me sobra tempo para jogar. Já joguei bom golfe, agora jogo um golfe médio. Em Inglaterra. Ninguém deve conhecer o meu clube de golfe: Beaconsfield Golf Club, em Buckinghamshire, a oeste de Londres.

Como Director dos Torneios Internacionais no EuropeanTour, deve viajar muito… 

É verdade. Acho que quase todas as semanas estou dentro de um avião. Não estou muito tempo em casa, mas gosto do meu emprego e de viajar. E tenho uma mulher muito compreensiva.

* PETER ADAMS FOTOGRAFADO NO OCEÂNICO VICTORIA POR FILIPE GUERRA

“A preparação do Oceânico Victoria é um trabalho contínuo”

Rui Grave, Head Greenkeeper do Oceânico Victoria Golf Course, fala nesta entrevista dessa grande empresa que é compôr o campo que anualmente serve de palco ao Portugal Masters 

Com quanto tempo de antecedência é que se começa a preparar o campo para o Portugal Masters?

No dia a seguir a acabar, já estamos a preparar o próximo. É um trabalho contínuo, porque há uma série de planeamentos a fazer, a curto, médio e longo prazo. Por exemplo, as férias dos nossos colaboradores são pensadas de um ano para outro, tendo em conta a altura em que vai ser o Portugal Masters. Os fechos do campo para trabalhos de fundo também têm isso em conta.

Algum do planeamento é feito dependendo da forma como o torneio decorreu. Se houve problemas com os bunkers, por exemplo, queremos de imediato colmatá-los. Cada operação tem o seu timing certo, para quando chegar o Portugal Masters o campo estar nas melhores condições. Em Agosto tivemos o campo fechado para fazer o overseeding dos roughs e um mês fechámos para fazer a aerificação dos greens, fairways e tees. Daqui para a frente serão cada vez mais operações ligeiras até que chega só à manicura.

O trabalho da equipa do Victoria é feito seguindo as instruções do European Tour?

Entre o European Tour e a Oceânico Golf é criada uma equipa de trabalho, onde são tratados todos os assuntos que dizem respeito à realização do Portugal Masters. Cabe a esta equipa traçar os objectivos, delegar responsabilidades e monitorizar os mesmos. Procuramos pontos de convergência e que no final resulte numa boa simbiose, que se venha a traduzir num grande sucesso para o golfe, a todos os níveis.

A condição do campo é, obviamente, um dos pontos mais importantes! Temos visitas regulares dos agrônomos do European Tour, ao longo do ano, para avaliarmos os objectivos traçados e rectificar algum, se tal se justificar. Ou seja, há um plano base elaborado inicialmente e que é revisto periodicamente e ajustado se necessário.

O European Tour pede-nos que cumpramos certos padrões standard para todas as áreas do campo: bunkers, fairways, greens. Por exemplo, eles acham que a velocidade ideal nos greens é entre 9.5 e 10.5 [no stimpmeter]. Pode haver um ou outro caso em que não possamos aceder às suas intenções, mas por norma é uma simbiose.

Resumindo: à Ocêanico interessa-lhe é ter um campo fabuloso, o foco está na apresentação, para efeitos de promoção um pouco por todo o mundo, isto sem esquecer a realidade do dia-a-dia, pois a empresa vive do que fazemos ao longo do ano e não do que se faz no Portugal Masters. Já para o European Tour, o mais importante é a jogabilidade do campo durante o torneio, que os jogadores saiam satisfeitos.

O Ricardo Santos, que é um jogador da casa, habituado a competir a tempo inteiro no European Tour, diz que o campo se transforma noutro quando é para o Portugal Masters: “O rough cresce, os greens ficam rápidos e duros, as condições da relva mudam.” É mesmo assim?

Sim. Dou um exemplo prático: uma pessoa que faça surfe amador, quer ondas e de 1,5 metros, porque assim é que se diverte. Já os profissionais querem ondas de 3,5 metros. Se os golfistas amadores jogassem o campo como ele está preparado para o Portugal Masters, iriam encontrar os roughs altos e densos e os greens muito rápidos, o que se transformaria numa experiência desagradável. Quando fechamos o campo, duas semanas antes do início da prova, deixamos o rough crescer, aceleramos os greens, enfim, fica mais vocacionado para os profissionais e menos para os amadores.

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Ainda assim, é um campo acessível para os profissionais, visto que os resultados costumam ser muito baixos e fazem-se muitos birdies e eagles…

O European Tour quer que se façam birdies, para haver espectáculo, mas, por outro lado, também não quer o campo fácil de mais. Em todo o caso, nunca como no Open dos EUA, cujos campos são preparados para dificultar ao máximo a tarefa dos jogadores assim inflacionando os resultados. O Oceânico Victoria é um campo muito aberto, e a sua principal dificuldade poderá ser a distância, que no caso dos profissionais fica diminuída, mas tambem a quantidade de bunkers e água em jogo.. No entanto, convém não esquecer que, por ser aberto, o Victoria fica mais exposto ao vento, quando este sopra.

E como é que estará o campo para a edição que se avizinha?

Vai ser parecido ao ano passado, no entanto este ano o rough vai ficar mais denso e mais alto, o European Tour está a querer aumentar o desafio de penalizar quem falhar fairways. Os fairways terão 10 milímetros e o o semi-rough 40mm.. Depois, vai tudo para mais de 100mm.

Quais são as relvas utilizadas no Oceânico Victoria?

Bermuda nos tees e fairways, lollium perenne (rye grass) no rough que está em jogo e uma mistura de bentgrass com poa annua nos greens.

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No dia-a-dia normal, qual o número de elementos da equipa de manutenção do Oceânico Victoria? E qual o número de elementos na semana do Portugal Masters?

Em termos de pessoas, geralmente temos cá 20 pessoas a tempo inteiro. Durante o Portugal Masters serão quase 50 pessoas, incluindo voluntários que vêm de outros campos e outros trabalhadores do grupo que vêm reforçar a equipa. Mais do que duplicamos a equipa. Todos os dias cortamos toda a zona de jogo, passamos os bunkers e damos atenção especial a cada green. Os greens são, normalmente, cortados três vezes ao dia e rolados. Se há alguma coisa importante num torneio de golfe é a uniformidade e a consistência, o jogador procura encontrar as mesmas condições em todos os lugares em que joga… No ideal, os greens deveriam ter a mesma velocidade de segunda-feira a domingo, das 8h da manhã às 7h da noite, do putting green ao green do 18 e em todas as zonas do green. Felizmente temos conseguido que nunca haja uma diferença superior a 0,5 pés, entre o green mais rápido e o mais lento. Para conseguir tal feito, tiramos as velocidades duas a três vezes ao dia e decidimos nesse momento o plano para cada green individualmente, tipo corte duplo e rolo simples no green 1 e no 2 corte duplo e rolo duplo, enfim…

Como é que essa equipa está dividida?

Temos oito pessoas a cortar greens, e todos eles sabem que máquina vão utilizar e os greens que têm de cortar; seis pessoas nos fairways – três a cortar e três a recolher as aparas; duas pessoas a mudarem as bandeiras; oito pessoas nos bunkers; duas pessoas nos tees; duas pessoas nos colares dos greens; duas pessoas a fazer as zonas de entrada nos greens, as línguas, digamos assim; três pessoas com rolos; e oito pessoas com sopradores (muitas vezes, quando se acaba de cortar greens de madrugada, ainda é de noite e não se consegue ver nada, pelo que utilizamos os sopradores para retirar quaisquer aparas remanescentes).

Fala-me um pouco dessa semana, como é que as coisas são organizadas e como decorrem? Deve ser uma semana extenuante para si…

No pico da prova, nos dois primeiros dias, quando há saídas simultâneas dos buracos 1 e 10, entramos ao serviço por volta das 4h30. Temos de conseguir fazer o trabalho todo antes de os jogadores saírem: greens cortados e rolados, fairways, zona de aproximação, tees, etc. Tudo feito e imaculado, não pode haver lixo, as coisas vão ao pormenor, há muito rigor, até na posição dos ancinhos junto aos bunkers. E há sempre um árbitro que vai à frente do jogo e que avisa se houver alguma coisa que não está bem. Já nos aconteceu ter acabado o trabalho matinal e depois vieram galeirões e encontraram-se dejectos nos greens, o que nos obrigou a voltar para trás. No mínimo há sempre quatro ou cinco pessoas de prevenção, para resolver atempadamente qualquer imprevisto.

Como foi lidar com as terríveis condições climatéricas da última edição, em que a chuva levou à redução da prova de 72 para 36 buracos? Deve ter sido frustrante…

Não foi frustrante, foi curioso. Muitos de nós achavam que se chovesse durante o torneio a nossa vida ia ser mais fácil, porque, por exemplo, não se iria discutir muito a velocidade dos greens. Ninguém pode discutir com a natureza… Mas a verdade é que tudo se complicou muito, porque choveu muitíssimo em curtos períodos de tempo e os estragos foram tão grandes que não os conseguíamos reparar numa hora ou em meia-hora. Não foi frustrante porque, estando pouco habituados a reagir aqui no Algarve a situações de chuva, aprendemos muitíssimo a lidar com estas situações. Estamos habituados, isso sim, a lidar com situações de seca, com a falta de água. Foi uma grande aprendizagem para nós, exigiu muita unidade na equipa, um trabalho em cadeia, os mais velhos ajudavam na experiência, os mais novos na força que tinham. Saímos com a sensação de dever cumprido, e de orgulho, pois fizemos o que podíamos e demos tudo o que tínhamos, não sentimos qualquer sensação de derrota, pelo contrário.

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Conte-nos outros episódios que se tenham passado durante o Portugal Masters?

Uma vez tivemos de mudar um buraco a meio do torneio, porque o Miguel Angel Jiménez deu um shot no 2 e danificou o buraco ao bater no lip; foi necessário mudar o buraco, e nem sempre o conseguimos mudar para perto de onde estava, porque em certas áreas já está muito pisado. As condições mudaram para os jogadores que vinham atrás, porque o buraco deixou de estar no ponto original, mas está contemplado nas regras do torneio. Regra geral, os jogadores são muito simpáticos connosco, sabem que o nosso trabalho influencia o jogo deles e entendem os nossos desafios e dificuldades.

Fale-nos um pouco da sua trajectória profissional até chegar a head greenkeeper do Oceânico Victoria

Quando iniciei o curso de engenharia agronómica na Universidade do Algarve, cedo percebi que dentro da agronomia queria o golfe. O estágio profissional já o fiz no campo de golfe da Penha Longa, em Sintra. O seu chefe de manutenção, o João Paulo Pina Manso, recentemente falecido, gostou do meu trabalho e aconselhou-me ao Simão da Cunha, que era o head greenkeeper dos campos da Lusotur Golfes em Vilamoura. Entretanto, estes foram vendidos ao Grupo Oceânico, o Simão saiu e eu dei todo o apoio necessário para entrada de um novo Head Greenkeeper. Depois, o Portugal Masters, que teve a sua primeira edição em 2007, obrigou a que houvesse alguém a tempo inteiro no Victoria para o preparar e eu fui escolhido para este projecto deixando os outros campos da Oceânico e focando-me só num.

O que é que o atraiu inicialmente no golfe? Já tinha experimentado antes de tirar o curso de agronomia?

Nunca tinha experimentado… Mas sou grande fã de desporto e vi no golfe a união da agronomia e do desporto. Depois comecei a jogar. Inicialmente, apenas com o intuito de entender o que o golfista espera do campo e consequentemente, do greenkeeper. É como um cozinheiro sentar-se à mesa do seu restaurante e apreciar o seu trabalho. Depois, nasce o gosto pelo jogo, contudo não sou um jogador regular. Tenho handicap 18 e digo que jogo o suficiente para jogar com qualquer pessoa sem passar vergonhas.

RUI GRAVE FOTOGRAFADO NO OCEÂNICO VICTORIA POR FILIPE GUERRA

Factos e Números

Sabia que…

Lee Westwood obteve uma vitória e um terceiro lugar em três participações no Portugal Masters? E sabia que o mais jovem vencedor do Portugal Masters foi Tom Lewis, com 20 anos?

Uma das particularidades do Portugal Masters, como a de nunca ter tido um play-off, é que nenhum jogador o conseguiu vencer mais do que uma vez. Foram oito edições, oito vencedores. O que se pode dizer é que a Inglaterra tem sido o país dominador, já com quatro campeões, a uma média de um título a cada dois anos: Steve Webster ganhou na edição inaugural, em 2007; Lee Westwood, em 2009; Tom Lewis, em 2011; e David Lynn, em 2013.

O australiano Richard Green foi, por sua vez, o único não europeu a levantar o troféu, em 2010, já que os restantes campeões foram o espanhol Alvaro Quiros, em 2008; o irlandês Shane Lowry, em 2012; e o francês Alexander Levy, em 2014.

Pode dizer-se que Lee Westwood foi um dos melhores jogadores que já passaram pelo Portugal Masters, não só pelo seu currículo, como pelo que fez em Vilamoura: além da vitória em 2009, que relançou a sua carreira rumo ao primeiro lugar no ranking mundial (posição atingida no final de 2010), o inglês registara antes um 3.º lugar (2007) e um 16.º (2008).

Mas houve outros nomes grandes do golfe mundial que demonstraram a sua classe em Vilamoura e que, como Westwood, registaram dois top 10’s no torneio: o alemão Martin Kaymer (7.º em 2007, 8.º em 2009); o sul-africano Charl Schwartzel (6.º em 2009, e 9.º em 2010); o italiano Francesco Molinari (2.º isolado em 2009, 2.º empatado em 2010); o galês Jamie Donaldson (8.º em 2011, 6.º em 2012); e o austríaco Bernd Wiesberger (4.º em 2012 e 3.º em 2013).

O escocês Paul Lawrie não conseguiu dois top 10’s mas esteve perto, tendo sido segundo em 2008 e 11.º em 2011. Como ele, obtiveram um top 10 o norte-irlandês Rory McIlroy (10.º em 2008), actual n.º1 mundial, o sueco Henrik Stenson (6.º em 2012), o irlandês Padraig Harrington (3.º em 2009) o inglês Justin Rose (6.º em 2009), o dinamarquês Thomas Bjorn (8.º em 2011) e o escocês Stephen Gallacher (3.º em 2013).

Mas, neste capítulo, o melhor é o inglês Ross Fisher, com quatro top 10’s – 7.º em 2007, 3.º em 2008, 2.º em 2012 e 8.º em 2013. Depois, o sueco Robert Karlsson e o inglês Danny Willet registam três top 10’s cada um, sendo que o escandinavo foi 2.º (isolado) em 2007, 3.º em 2008, 2º (empatado) em 2010, e o britânico 6.º em 2009, 6.º em 2012 e 7.º em 2014.

O mais novo campeão do Portugal Mastes foi Tom Lewis, com 20 anos e 284 dias, o mais velho David Lynn, com 39 anos e 358 dias, já muito perto de fazer 40. Entre um e outro, vão 19 anos de diferença.

Qual foi a melhor volta de sempre? 60 pancadas, 11 abaixo do par-72, por Scott Jamieson, da Escócia, em 2013, e por Nicolas Colsaerts, da Bélgica, em 2014. O melhor agregado aos 36 buracos pertence desde o ano passado a Alexander Levy, com 124 (-18), um total que aliás lhe serviu para ganhar o torneio visto que este ficou reduzido a duas voltas devido à chuva intensa que caiu durante a semana. Levy estabeleceu também a maior diferença de um campeão em relação ao seu mais directo adversário: três shots de vantagem, neste caso sobre Nicolas Colsaerts.

Retief Goosen foi o melhor aos 54 buracos, com 196 (-20), em 2009. Quanto ao melhor agregado de um vencedor, está com Steve Webster desde a primeira edição, com 263 (-25).

Parecia impossível, mas Richard Green conseguiu vencer em 2010. Tinha partido para a última volta com sete pancadas de atraso em relação ao líder, o espanhol Pablo Martin, e acabou por ganhar com duas de vantagem sobre o outro espanho, Gonzalo Fernandez-Castaño. Foi a maior recuperação rumo à vitória por parte de um campeão.

O cut mais baixo fixou-se em 139 em duas ocasiões, em 2011 representando 5 abaixo do par-72, em 2014 sendo de 3 abaixo do par, visto em 2012 o Oceânico Victoria passou de par 72- para par-71.

Holes-in-one, houve cinco jogadores que os alcançaram: o irlandês Peter Lawrie na terceira volta de 2007, no buraco 13; o francês Jean François Lucquin, na primeira volta de 2008, no 8; o sueco Alexander Noren, na quarta volta de 2009, no 16; o espanhol Miguel Angel Jiménez na quarta volta de 2013, no 8; e o spanhol Jose Maria Olazábal, na primeira volta de 2014, no 13.

 

Na fotografia: Tom Lewis, o mais jovem vencedor do Portugal Masters / © GETTY IMAGES

 

Bernardo Sousa Coutinho faz a delícia dos jogadores

É indiscutivelmente um dos cartões de visita do Portugal Masters, pela qualidade e variedade da gastronomia que prepara

O catering do Portugal Masters é apontado por muitos jogadores como  um dos melhores do European Tour. Qual é o segredo do sucesso?

A qualidade e a variedade que implementamos. Temos liberdade para criar e apresentamos a gastronomia de todo o país, puxando pela tradição das suas várias regiões… Temos pratos vegetarianos e saladas que variam todos os dias… Os nossos fumados e queijos portugueses também são muito apreciados… É certo que os jogadores não podem comer em demasia, mas acho que eles conseguem dosear bem as refeições [risos].

Quando Shane Lowry venceu o Portugal Masters em 2012, no seu discurso de campeão fez uma menção ao catering do torneio, dizendo que era até “bom de mais para atletas”, como se fosse uma tentação. Ficou sensibilizado por esta homenagem?

Fiquei, claro que sim. Trabalhamos afincadamente durante toda a semana para eles, e é bom que se sintam em casa e que vejam esse trabalho reconhecido. Eles são as estrelas e devem sentir-se o melhor possível para jogar.

Quantas refeições são servidas por dia na semana do Portugal Masters?

À volta de 1100 refeições.

Em termos de recursos humanos, o que é que isso implica? É uma equipa de quantas pessoas?

São perto de 50 pessoas. Temos as tendas VIP, os caddies, os jogadores, a organização do European Tour e alguns restaurantes na zona exterior, nomeadamente no campo. Só cozinheiros são cerca de 20.

E como funciona o dia-a-dia no Portugal Masters?

Preparamos tudo diariamente, numa operação que começa por volta das 4h00 da madrugada e que pode acabar às 22h30. Começamos com os pequeno-almoços e a seguir vem o almoço, que pode durar até às 16h ou 17h. Mas antes de tudo, gosto de percorrer as salas e as tendas para sentir e ver se está tudo a correr bem. Também gosto de falar com as pessoas, de as ouvir, para melhorar o que for preciso.

Conte-nos lá a história do bacalhau feito propositadamente para o Miguel Angel Jiménez?

É uma história engraçada. O Miguel vem muitas vezes ao Algarve, tem cá amigos, e uma vez, durante o Portugal Masters, perguntou-me se eu podia fazer bacalhau à brás. Eu disse-lhe que ele estava com sorte, porque essa era um dos pratos agendados para o dia seguinte. Ele adorou, andou a oferecer a outros jogadores e até os obrigava a experimentar. Também comentou com jornalistas. E, nos dias seguintes, pedia-me para fazer sempre um pouco mais.

Os jogadores fazem-lhe muitos pedidos?

Muitas vezes, somos nós que tomamos a iniciativa de ir ao encontro deles, sem que nada nos peçam. Por exemplo, na última edição do Portugal Masters, em 2014, soube que o Alexander Levy (que viria a ganhar o torneio) não podia comer glúten. Por isso tratámos de lhe providenciar alimentos sem glúten, o que nos agradeceram imenso.

Noutra ocasião disseram-nos que a mulher do Thomas Bjorn fazia anos e preparámos-lhes um folhado de natas com doce de ovos que ele achou fascinante, sublinhando que nunca tinha comido nada tão bom.

Depois, há muitos jogadores que trazem as famílias, e nós fazemos sempre uma pequena graça para as suas crianças, um saquinho com doces, para elas se sentirem bem. São estes pequenos gestos que marcam a diferença e, além disso, faz parte da nossa cultura saber receber bem. Isso contribui para que voltem no ano seguinte.

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A doçaria também é muito apreciada…

Sobretudo pelos franceses. No fim do torneio tenho sempre várias queques de chocolate para entrega de take away, encomendados previamente.

Existem alguns jogadores do Portugal Masters com os quais tem proximidade?

Terei de referir o Miguel Angel Jiménez, mas também todos os portugueses e o Alvaro Quiros, cujo home club é o Oceânico Victoria. Tenho uma história para contar sobre o chileno Felipe Aguilar: quando fui ao BMW PGA Championship, ele viu-me e dirigiu-se-me todo contente, a pensar que eu ia cozinhar para os jogadores. “Era a melhor notícia que nos podia dar”, confessou-me. Já estavam com saudades… 

Naturalmente, não tem muito tempo para assistir à competição em si. Como golfista, isso não lhe custa um pouco?

Tenho alguma pena, mas a operação é de tal maneira envolvente, e de uma responsabilidade tão grande, que eu nem penso, nisso. De vez quando olho para o 18. Mas gravo o torneio na televisão e vejo com calma quando já tudo terminou. 

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Tem algum jogador que admira mais do que os outros, entre os que jogam no Portugal Masters?

Para mim são todos iguais, e se estão ali é porque são todos bons. O Portugal Masters está na primeira divisão do golfe profissional europeu. Tenho vários chapéus de cozinheiro autografados pelos jogadores. E, tenho, isso sim, a esperança de um dia ver um português ganhar. Isso era ouro sobre azul.

Além do Victoria, tem também a seu cargo a concessão do vizinho Millenium. Quais as diferenças que existem entre estes dois estabelecimentos em termos de restauração? Apresentam linhas e ementas diferentes?

É só a nível de espaço, porque em termos de restauração é idêntico. Desde este ano que estamos vocacionados para a chamada cozinha mediterrânica, à base de grelhados, estufados, peixes e marisco. Variamos muito, há várias sugestões.

Fale-nos um pouco de si como golfista…

Comecei em Vila Sol, onde tive o meu primeiro trabalho no Algarve, há cerca de 20 anos. Tenho 12.8 de handicap e sou sócio do Clube de Golfe de Vilamoura e do Clube de Golfe do Estoril. Reconheço que sou um privilegiado, porque muitas vezes jogo com os melhores de Portugal, como por exemplo Ricardo Santos, o Ricardo Melo Gouveia, o Tiago Cruz, o João Carlota.

* BERNARDO SOUSA COUTINHO FOTOGRAFADO NO OCEÂNCIO VICTORIA POR FILIPE GUERRA

Portugal Masters 2007

Portugal Masters - Round 4

Steve Webster em nome da mãe

Havia vários jogadores de renome mundial na primeira edição do Portugal Masters, a prova com o prize money mais alto de sempre do golfe em Portugal (3 milhões de euros): Retief Goosen, Darren Clarke, Lee Westwood, Davis Howell, Paul McGinley e Robert Karlsson, heróis da seleção da Europa na última edição da Ryder Cup; Justin Rose, o 12.º classificado no ranking mundial, e Andres Romero, que, dois meses antes, havia estado em foco no British Open e vencera o Deutsche Bank Championship.

No entanto foi o inglês Steve Webster, um outsider que ocupava o 237º lugar no ranking mundial, que acabou por vencer o troféu e arrecadar os 500 mil euros reservados ao campeão. E ele chorou quando, graças a uma volta final de 64 (a melhor do dia), selou a vitória com um total de 25 abaixo do par e com duas pancadas de vantagem sobre Robert Karlsson. Seguiu-se o abraço dramático ao seu pai, Terry, já que a mãe, Valerie, falecera quatro meses antes com cancro. “Pensei nela o tempo todo”, disse Webster. “A sua perda deixou-me muito em baixo, achei que não ia sequer conseguir manter o cartão do European Tour. Foi difícil focar-me no meu golfe, mas eu sei que ela estava a olhar para mim. Foi espantoso ter ganho no limite”, acrescentou o inglês após a sua segunda vitória no principal circuito europeu de profissionais, quase ano e meio depois do êxito no Open de Itália.

Manuel Pinho e Steve Webster por Richard Heathcote

O quarteto de terceiros classificados na estreia do Portugal Masters, composto pelo compatriota Lee Westwood, os suecos Peter Hanson e Andersson Hed e o argentino Daniel Vancsik, ficou longe do vencedor, a seis pancadas de distância.

Estiveram seis portuguese em prova, e os melhores foram Filipe Lima na 21.ª posição e Tiago Cruz em 69.º. Os amadores Pedro Figueiredo e João Carlota, juntamente com António Sobrinho e Ricardo Santos, não passaram o cut.

 

Portugal Masters 2008

Portugal Masters 2008. Final Round

Alvaro Quiros sob o signo de Ballesteros

Inevitavelmente, Severiano Ballesteros foi tema nas conferências de imprensa que antecederam o arranque da segunda edição do Portugal Masters no Oceânico Vitória. O carismático jogador espanhol aguardava uma segunda cirurgia ao cérebro devido a um tumor, e as manifestações de preocupação sobre o seu estado de saúde ecoavam vindas de todo o mundo do desporto.

A maior homenagem a El Matador, que faleceria a 7 de Maio de 2011, haveria de ser feita no fim deste Portugal Masters – e, claro, por um espanhol, Alvaro Quiros. O jogador de Málaga jogou de forma magistral nas três primeiras voltas, o que lhe permitiu iniciar a quarta e última a comandar com 15 pancadas abaixo do par. Isto, sublinhava, com muitas oportunidades de birdies desperdiçadas. Como o seu putting vinha melhorando de dia para dia, não havia motivos para desconfiar de que não iria protagonizar mais uma grande exibição.

Apesar de algumas dificuldades com os drives no início da jornada decisiva, Quiros terminaria com 68, para um total de 269, 19 abaixo do par-72, ganhando com três de vantagem sobre o escocês Paul Lawrie, campeão do British Open em 1999.

“Seve [Ballesteros] foi e é uma inspiração para todos os espanhóis, sobretudo quando as coisas não estão a correr bem. A última volta foi difícil para mim no jogo comprido. Mas, no jogo curto, como que parei e lembrei-me dele – sabem, quando ele fazia chips e putts e aquelas recuperações maravilhosas”, salientou o espanhol, que conseguiu aqui a sua segunda vitória no European Tour, ano e meio depois do triunfo no Alfred Dunhill Championship.

Destaque ainda para a grande defesa do título por parte do inglês Steve Webster, que acabaria a partilhar o terceiro lugar com o compatriota Ross Fisher e com o sueco Robert Karlsson. Karlsson era um dos cinco jogadores presentes no Portugal Masters que haviam representado menos de um mês antes a seleção europeia na Ryder Cup, a par de Lee Westwood, Oliver Wilson, Miguel Angel Jiménez e Graeme McDowell.

Dos sete portugueses em prova, apenas António Sobrinho passou o cut terminando na 59ª posição. Filipe Lima, Ricardo Santos, Tiago Cruz, Hugo Santos e os amadores João Carlota e Manuel Violas Jr. foram os outros portugueses presentes.

Portugal Masters 2009

Portugal Masters - Final Round

  Lee Westwood deixa a sua marca no Algarve

A terceira edição do Portugal Masters apresentou um field de luxo, composto por 16 jogadores do top 50 mundial e cinco vencedores de provas do Glam Slam. E a classificação contribuiu para promover ainda mais o prestígio da competição, graças à vitória de Lee Westwood, uma das grandes referências do golfe mundial.

Com o sol presente do primeiro ao último dia, o público correspondeu e foi batido o recorde de espetadores em Portugal: 37.479 bilhetes vendidos durante os cinco dias de prova, dos quais 10.504 no último dia. As anteriores duas edições tinham atingido os 24.188 espectadores em 2007 e 28.461 em 2008.

No Oceânico Victoria Golf Course, em Vilamoura, Westwood quebrou um jejum de dois anos sem vitórias. “Peço desculpa por ter trazido um discurso escrito num papel, mas já se passou um par de anos desde que fiz o meu último dia na pele de campeão e estou destreinado”, dirigiu-se o inglês a um público que nunca lhe regateou apoio.

Westwood entrara para o quarto e último dia da prova na terceira posição, mas uma volta final de 67 (-5), para um total de 265, 23 abaixo do par-72, deu-lhe a vitória com duas pancadas de vantagem sobre o mais directo adversário, o italiano Francesco Molinari. O irlandês Padraig Harrington, que havia vencido três majors entre 2007 e 2008, foi terceiro com 269 pancadas.

O shot que Westwood bateu no buraco 17 durante a última volta viria a ser eleito o melhor do mês de Outubro no European Tour: neste par-5, ele atacou o green à segunda pancada, mas a bola passou e ficou num caminho de buggies e com árvores à frente; assim, com um lie apertado, sem ver nada à frente, bateu um lob wedge magnífico, ficando apenas com um tap-in para birdie.

Esta foi a 19.ª vitória de Westwood no European Tour e a sua trigésima como profissional. Permitiu-lhe na altura ultrapassar um tal de Rory McIlroy na Race to Dubai…

Dos oito portugueses em prova, apenas Filipe Lima passou o cut, tendo terminado na 45ª posição.

Portugal Masters 2010

Portugal Masters - Day Four

Richard Green meteu o turbo rumo à vitória

 A ausência de Lee Westwood, campeão em título, não impediu que, pelo segundo ano consecutivo, o Portugal Masters ultrapassasse a fasquia do 35 mil bilhetes vendidos. Os 12.115 ingressos vendidos para o último dia confirmavam a expectativa colocadas sobre os dois portugueses em prova, ambos com hipóteses claras de atingir o top 10 final e um deles candidato à vitória.

Ricardo Santos fazia parte do grupo dos sextos classificados à partida para a última volta, e Filipe Lima, que era terceiro aos 36 buracos, ocupava um lugar entre os 24.ºs. Mas Santos viria a acabar 77, e Lima com 72. O primeiro teve se contentar com o 48.º posto, o segundo ficou entre os 36.ºs.

O campão desta edição foi o australiano Richard Green, que, por incrível que pareça, tinha partido para a ronda decisiva no grupo dos 15.ºs classificados e com sete pancadas de desvantagem para o líder, o espanhol Pablo Martin.

A verdade é que este esquerdino de 39 anos  meteu o turbo para alcançar a sua terceira vitória no European Tour. Na última volta, primeiro, descolou dos oito jogadores com quem partilhava o 15.º lugar; depois, ultrapassou mais 14. Sensacional!

Green sentiu que, para vencer, precisava de fazer uma das melhores voltas da sua vida. Na sua mente, estava um score de 64 (-8), mas a dada altura seguia já com 9 abaixo do par. E já se dava por contente, mas perderia duas pancadas nos últimos três buracos (bogeys nos 16 e 18) e abandonava o campo com um 65, para um total de 18 abaixo do par-72, e com a sensação de que, assim, não chegaria lá. Foi pura ilusão.

Enquanto aguardava na club house pela chegada dos restantes jogadores, o australiano pôde voltar a acreditar, tal era o desacerto dos melhores classificados. E acabou por ganhar com duas pancadas de vantagem sobre o espanhol Gonzalo Fernandez-Castaño, o sueco Robert Karlsson, o holandês Joost Luiten e o italiano Francesco Molinari, que partilharam o segundo lugar.

Os profissionais portugueses António Rosado, Tiago Cruz, António Sobrinho e os amadores Tiago Rodrigues e Manuel Violas não passaram o cut.

Portugal Masters 2011

 Portugal Masters - Day Four

Tom Lewis como um relâmpago

Se Tiger Woods precisou de jogar cinco torneios no PGA Tour para conquistar o seu primeiro título como profissional, o inglês Tom Lewis apoderou-se do seu primeiro troféu do European Tour logo na terceira prova que disputou no circuito como profissional – o Portugal Masters de 2011.

O jovem inglês de 20 anos já estava na história do golfe com o seu cartão de 65 pancadas, três meses antes, na primeira volta do British Open, que foi a melhor marca de sempre por parte de um amador no mais antigo dos quatro majors. Depois disso, tornara-se profissional e começara a jogar torneios através de convites.

Lewis iniciou a última volta do Portugal Masters empatado em oitavo lugar, a quatro pancadas do líder, o espanhol Rafael Cabrera-Bello. Ao concluir com 65 (-7), para um total de 21 abaixo do par-71, ganhou com duas pancadas de vantagem sobre Cabrera-Bello, que, encerrando com um 71, perdeu seis pancadas para o britânico nos últimos 18 buracos.

“Não esperava por isto no início da semana. De todo. Ainda por cima, comecei a meio-gás e havia adversários de grande categoria. Ganhar é simplesmente inacreditável”, disse.

2011 seria um ano memorável para Tom Lewis, porque, além de ter recebido a medalha de prata para melhor amador no British Open e de ter vencido o Portugal Masters, também foi campeão do British Amateur e, no final da época, receberia o troféu Sir Henry Cotton para o melhor rookie do ano no European Tour.

Destaque ainda para o amador português Pedro Figueiredo, também de 20 anos, que terminou na 23ª posição, à frente de grandes nomes do golfe mundial como Francesco Molinari, Ross Fisher, Miguel Angel Jimenez, Thomas Levet, Colin Montgomery, Paul McGinley ou John Daly.

Ricardo Santos, Nuno Campino, Hugo Santos, António Rosado e o amador Gonçalo Pinto foram os outros portuguese em prova mas que não passaram o cut. 

O 4.º Portugal Masters ficou marcado pela maior afluência de público numa terceira volta do torneio e no dia do pro-am: 8.264 espectadores no sábado e 2.986 na quarta-feira. No final dos cinco dias, não se bateu o recorde de 2009 (37.479), mas ficou-se apenas a 342 bilhetes desse registo, com um total de 37.137 espectadores.