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10 chaves para o 10º campeão

Como tudo se conjugou para que Padraig Harrington se tornasse, aos 46 anos, o mais velho vencedor do Portugal Masters no Victoria Clube de Golfe

Portugal Masters - Day Three1 – ARRANQUE EXPLOSIVO | Entre os campeões do Portugal Masters, nenhum começou de forma tão forte como o último. Metaforizando, foi o mais rápido a ir dos 0 aos 100km. Partindo do 10, somava 6 abaixo do par após 8 buracos, fruto de quatro birdies e um eagle 2 (no 15, o seu o sexto buraco de jogo). Alexandre Levy é, entre os vencedores do torneio, o recordista no capítulo da melhor primeira volta, com 63 pancadas, mas seguia apenas com 3 abaixo do par com aquele número de buracos jogados. Já Harrington acabaria os 18 inaugurais com 66, o mesmo duplo dígito com que começaram os três primeiros campeões do Portugal Masters (por esta ordem, Steve Webster, Alvaro Quiros e Lee Westwood), numa altura em que o Victoria ainda era de par-72 (passou a par-71 em 2011). Mas aquela sua partida explosiva foi importantíssima, porque lhe garantiu um pecúlio para fazer face à desinspiração nos greens nos restantes 10 buracos de jogo, concluídos com 1 acima do par. A seguir foi para o putting green corrigir o que estava mal e no dia seguinte entregou um cartão com 63. 

Portugal Masters - Day Four

2 – APOIO DO PÚBLICO | Em 2012, quem seguisse a prestação de Shane Lowry diria que o irlandês jogava em casa, pelo apoio que teve de centenas de compatriotas que seguiram ‘in loco’ a sua caminhada rumo ao título. E quando o inglês Ross Fisher falhou, no 18, um putt de pouco mais de 1 metro, para lhe oferecer a vitória, pareceu antes que este apontara um auto-golo num estádio de futebol adverso. Padraig Harrington, o segundo irlandês a conquistar o Portugal Masters, sempre sentiu esse apoio ao actuar no Victoria. “Há tanta gente da Irlanda, são multidões. Na verdade, sempre me senti aqui como numa casa longe de casa, pelo que é mesmo muito bom ter vencido o torneio”, afirmou. Mas o triplo-campeão de majors não se esqueceu do público português. “Também recebo aqui muito apoio dele. O meu treinador de golfe original, Harold Bennett, e o seu filho, Tony, foram os primeiros treinadores aqui na Federação Portuguesa Golfe. Por isso sempre tive um pouco de afinidade com ela. È um lugar onde sempre me senti muito bem recebido.”

3 – CONHECIMENTO DO CAMPO | A estreia de Padraig Harrington  no Portugal Masters deu-se em 2009 e foi de bom nível, sendo terceiro classificado isolado, apenas atrás de Lee Westwood e Francesco Molinari, campeão e vice-campeão, respectivamente. Além desta, esteve nas edições de 2011 e 2012, em ambas terminando no 16.º lugar empatado; e nas de 2014 (47.º empatado) e 2015 (31.º empatado). Ou seja, antes do triunfo de Outubro, participara já numa mão cheia de edições, sem nunca falhar o cut, o que dá um total de 24 voltas já percorridas no Victoria. Claro que neste capítulo não se compara com os jogadores que não falharam nenhuma das 10 edições (Alvaro Quiros, Robert Rock, Anthony Wall, Raphel Jacquelin, Marcel Siem). No entanto, seis presenças no palco do maior torneio de golfe português já é bom número para se sentir confortável, em território familiar. “É um campo interessante, que proporciona muitas oportunidades de birdie, mas que tem também uma boa gama de shots desafiantes com água em jogo”, considera o décimo campeão do torneio.

Portugal Masters - Day One

4 – CONFIANÇA | Que época estava a protagonizar Padraig Harrington antes de vencer o Portugal Masters? Não estava a ser nada de especial, especialmente para os parâmetros de um jogador com o seu currículo: ocupava a 97.ª posição na Race to Dubai, tendo sido a sua melhor marca o 13.º lugar no US PGA Championship – quarto e último major do ano, que ele venceu no ano de 2008 após revalidar o título no British Open. Mas nada disto o afectava, pelo contrário, ele sabia que podia ganhar a qualquer momento: “Há meses que tenho estado a jogar bem em termos do controlo que tenho sobre a bola e a sentir-me bem com o meu swing, o que me permite focar mais no lado mental do jogo, algo que é sempre um bom sinal. Tenho estado a ‘patar’ melhor – estou a meter mais putts de meia distância do que alguma vez meti na minha carreira. E tenho dito às pessoas que quando conseguir juntar as duas coisas vou ter uma semana em cheio, uma semana em que poderei ganhar.” Essa semana aconteceu no 10.º Portugal Masters!

The_PressurePrincipal 5 – O LIVRO DE DAVE ALRED | Padraig Harrington confessou que o “segredo” da sua vitória esteve no livro, “The Pressure Principle [“O Princípio da Pressão]”, lançado recentemente pelo seu practice coach, Dave Alred, um dos maiores especialistas em preparação mental e de desempenho. O jogador de Dublin estava a lê-lo por ocasião do Portugal Masters e deixou claro que a obra o ajudou a ganhar em Vilamoura, dando-lhe “alguns ponteiros” que “talvez estivesse a descurar”, aos quais se “agarrou” durante a semana. Ou seja, ajudou-o a converter a confiança que tinha no seu jogo em resultados. Ele explica: “Naturalmente, conheço muita coisa do livro, mas um capítulo sobre linguagem acertou-me em cheio. Tenho estado muito relaxado sobre o meu golfe, mas aquilo acrescentou um novo prisma. Não é apenas ser positivo, é olhar pelas generalidades em que podemos entrar, as generalidades negativas. Pude ver uma mudança linguística no que estava a dizer mentalmente para mim mesmo, uma mudança física na minha postura.” 

6 – AGRESSIVIDADE | É o próprio que diz, a propósito do seu desempenho em Vilamoura: “Tentei ser realmente agressivo. O campo ajustava-se-me e eu procurei simplesmente atacar todas as bandeiras possíveis. Pelo tipo de rough e pela textura dos greens, nunca pensei que pudesse ficar do lado curto.” Quem arrisca, petisca, e Harrington acabou por cometer a proeza de igualar o recorde de pancadas (261, 23 abaixo do par) no agregado dos 72 buracos, que havia sido estabelecido o ano passado por Andy Sullivan, o qual foi vice-campeão um ano depois, a um mero shot do irlandês; e também estabeleceu a mais baixa marca do ano no European Tour. Ao todo, fez 26 birdies e 1 eagle, contra 5 bogeys. Como termo de comparação, o ano passado Andy Sullivan tinha feito 26 birdies contra 3 bogeys. Mas enquanto este iniciou a última volta com uma vantagem confortável e caminhou numa passadeira vermelha rumo à vitória, o irlandês lutou arduamente até ao fim com uma concorrência feroz e só ao cair do pano pôde suspirar.

Portugal Masters - Day Four7 – JOGO CURTO | A agressividade de que acabámos de falar só pôde ser possível devido ao jogo curto magistral que exibiu. “Tenho um jogo curto bastante bom e que estava em forma esta semana, e além disso tenho ‘patado melhor – estou a meter mais putts de meia distância do que alguma vez meti na minha carreira. Senti-me sempre muito confortável à volta dos greens. Onde quer que acertasse, sentia que podia fazer up & down”, resumiu. Prova disso foi a forma como selou a vitória no 72.º e último buraco regulamentar. O campeão em título Andy Sullivan estava a ver na televisão o que se passava com o último grupo no 18 e à espera de um deslize de Harrington para ir a play-off, mas acabou por testemunhar um fantástico e nada fácil chip & putt para o par vitorioso do seu rival, que havia feito birdie no 17 (o signature hole) pelo terceiro dos quatro dias de prova e acabou com um 65 sem bogeys. O excelente estado dos greens ajudou e mereceu o seu elogio: “Óptimos para o rolamento da bola. Nos putts entre os quatro e os seis metros, não pensávamos na velocidade, apenas em executá-los na direcção do buraco.”

8 – PARTIR ATRÁS DO LÍDER | O trajecto de Padraig Harrington no Portugal Masters 2016 em termos classificativos foi este: 12.º empatado aos 18 buracos, 3.º empatado aos 36 e 2.º aos 54, neste caso com a desvantagem mínima para a dupla de líderes escandinava composta por Anders Hansen e Mikko Korhonen. Estatisticamente, isto dava-lhe alguma vantagem, visto que só dois dos nove anteriores campeões o tinham sido partindo na frente para a jornada decisiva  (Alvaro Quiros em 2008 e Andy Sullivan em 2015). Mas não só, existe ainda a questão mental, como explica Harrington: “Definitivamente, é mais fácil, ou, digamos, menos stressante estando um pouco atrás. Se os que estão atrás fizerem alguns birdies no início, ganham momentum para o back nine, ao passo que os que lideram têm sempre um olho em não fazer um erro, é como é.” No historial do Portugal Masters, a maior recuperação em relação ao líder na última volta pertenceu ao australiano Richard Green, que era 15.º empatado, a 7 pancadas (!) do espanhol Pablo Martin, acabando por ganhar.

Portugal Masters - Day Four9 – MOMENTUM | “Há sempre um ponto de viragem na última volta”, conta Padraig Harrington, acrescentando: “Eu estava a jogar bem, mas ter metido o shot do bunker no 11 deu-me a sensação de que aquele iria ser o meu dia. Quando fazemos algo de semelhante na última volta, temos sempre a sensação de que esse poderá ser o nosso dia. Há um ponto em que podemos agarrar ou perder a oportunidade e, independentemente do que acontecer depois, olharemos retrospectivamente para esse momento.” No seu caso, olhar com gosto. Foi uma última jornada emocionante, com várias trocas de líder e com tudo a decidir-se apenas no último putt, no último buraco, no último grupo. Atenção que quando Anders Hansen fez o seu terceiro birdie consecutivo no 6, Harrington estava já 3 shots atrás da liderança. Mas reduziu para 2 com birdie no 7 e no 11 protagonizou um dos grandes momentos do dia (e do torneio) ao meter a bola directamente no buraco com um shot a partir do bunker à esquerda do green. Chama-se momentum – e Harrington soube bem tirar partido dele, até porque no 12 fez novo birdie. 

Portugal Masters - Day Four

10 –  SAUDADES DE GANHAR NA EUROPA | Sim, parece impossível, mas a vitória de Padraig Harrington no Portugal Masters foi o seu primeiro êxito no European Tour em solo europeu desde que em Julho de 2008 se tornou no primeiro jogador europeu desde James Braid em 1906 a vencer duas vezes consecutivas o British Open. Interromper um jejum de vitória que durava há mais de oito anos foi sem dúvida uma motivação adicional para o irlandês, que nem sequer reparou no regresso da marca registada dos seus olhos, o sinal de intensa focalização que caracterizou tantas das suas vitórias no passado. E qual foi o sabor de voltar ganhar? “Tenho vencido nos últimos anos noutros lugares. Ganhei o ano passado nos Estados Unidos, alguns na Ásia. Tenho ganho o suficiente para manter a andar, mas é bom ganhar na Europa, e é sempre importante ganhar em cada década”, responde. É verdade, a primeira vitória dele no circuito foi no Open de Espanha de 1996, pelo que já lá vão três décadas sempre a ganhar. O Portugal Masters foi o seu 15.º triunfo no European Tour e o 30.º mundial. Notável atendendo aos seus 46 anos – é aliás o mais velho vencedor da prova portuguesa, superando aos 39 anos do inglês David Lynn em 2013.

 

THE BOTTLE SMASH CHALLENGE

DEZ GARRARFAS. TRÊS JOGADORES. UM DRONE. QUE COMECEM OS JOGOS!

Para assinalar o décimo aniversário do Portugal Masters decidimos realizar um pequeno desafio no driving range do Victoria Clube de Golfe. Trinta garrafas de cerveja, três jogadores e um drone depois e tínhamos em mãos um video sensacional.

Na quarta-feira feira antes do início oficial da prova, o campeão em título Andy Sullivan juntou-se ao seu colega de equipa da Ryder Cup Thomas Pieters e ao nº 1 português Ricardo Melo Gouveia para um desafio diferente no driving range.

Alinhámos dez garrafas num muro e pedimos a cada um dos jogadores para bater dez bolas e ver quantas garrafas conseguiam derrubar. As garrafas estavam colocadas a cerca de 27 metros dos jogadores e a sensivelmente 1,20m do chão. Os três golfistas optaram pelo ferro 5 e começaram então a tentar derrubar as garrafas.

Veja aqui o Video!

Harrington impede Sullivan de bisar em Vilamoura

23/10/2016

Irlandês é o mais velho campeão do Portugal Masters e o vencedor de 2015 foi segundo

Quatro anos depois de Shane Lowry, Pádraig Harrington tornou-se hoje o segundo jogador da República da Irlanda a vencer o Portugal Masters. Ganhou com a vantagem mínima sobre o homem que defendia o título, o inglês Andy Sullivan, que perdeu assim a oportunidade de ser o primeiro bisar no torneio de 2 milhões de euros de prize-money, no par-71 do Victoria Clube de Golfe, em Vilamoura. Com 45 anos, é o mais velho de sempre a conquistar o Portugal Masters, superando os 39 anos do inglês David Lynn em 2013.

Para interromper um jejum de oito anos no European Tour (a sua última vitória no circuito europeu tinha sido no US PGA Championship de 2008, que foi o seu terceiro e último título no Grand Slam até ao momento) e alcançar o seu 15.º triunfo neste circuito, Harrington tirou partido da sua experiência para fechar com uma volta de 65 pancadas, sem qualquer bogey, para um total de 261 (-12), o que iguala o recorde no agregado estabelecido o ano passado por Sullivan.

O irlandês, que ocupa a 159.ª posição no ranking mundial e vai entrar no top-100 da tabela, tinha iniciado a jornada decisiva isolado no terceiro lugar, a uma pancada de distância da dupla de líderes composta pelo dinamarquês Anders Hansen e o finlandês Mikko Korhonen, que marcaram 68 para partilharem o terceiro posto com 263 (-21). Sullivan integrava o grupo dos quartos para os últimos 18 buracos e, como Harrington, marcou 65 para um total de 262 (-22).

“É uma grande vitória, o Portugal Masters é um grande torneio. Já venho aqui há muito tempo, porque gosto. E os adeptos irlandeses são muitos, sempre me senti aqui como numa casa longe de casa”, afirmou o novo campeão do maior torneio do golfe português, que facturou um prémio de 333.330 euros e subiu de 97.º para para 43.º na Race to Dubai (ordem de mérito do circuito), o que lhe permite entrar, dentro de duas semanas, no primeiro torneio da Final Series, o Turkish Airlines Open, na Turquia.

Rodrigo Cordoeiro | GolfTattoo

© GETTY IMAGES

Não é só um troféu, é o símbolo do Portugal Masters!

A história por detrás de uma peça de arte concebida expressamente para o maior torneio de golfe do país


Portugal Masters - Previews

Uma bola de golfe, os anéis da esfera armilar e um tee são os três elementos que compõem o troféu do Portugal Masters, da autoria da designer Susana Martins e propriedade do Turismo de Portugal. Executado em prata e banhado em ouro branco, tem as armilas trabalhadas em filigrana escurecida, e a bola, apoiada no tee, foi polida e parcialmente acetinada para realçar os relevos. É uma bela e distinta peça que, tal como o torneio, comemora agora os 10 anos de existência.

Aquando do nascimento do Portugal Masters, em 2007, Lídia Monteiro era directora do Departamento de Comunicação do Turismo de Portugal, e recorda-se da génese do respectivo troféu: “Desde logo, o que nós queríamos era encontrar um ambiente gráfico que de alguma forma pudesse transportar para o Portugal Masters alguns valores identitários da nação. E logo na altura o objectivo era que troféu fosse o próprio símbolo do torneio.”

Foram contactadas várias universidades e escolas de ourivesaria, fez-se um briefing com os interessados e posteriormente foram avaliadas várias propostas candidatas, sendo a eleita escolhida pelo seu universalismo. A bola de golfe é como o globo terrestre e as armilas são antigos instrumentos de navegação, actividade em que Portugal outrora se destacou para a conquista do mundo, estando aliás representadas na bandeira nacional.

Confessa Lídia Monteiro, hoje responsável pela Direcção de Apoio à Venda no Turismo de Portugal: “Foi um troféu que realmente nos maravilhou, tenho satisfação e orgulho nele, porque acho que conseguimos realmente sintetizar naquela peça, muito elegante, por um lado, elementos da nossa história, por outro, elementos da ourivesaria tradicional portuguesa, associada a uma actividade desportiva, mas também a um activo do ponto de vista do turismo.”

Como sempre, o troféu estará em exposição durante a semana do 10.º Portugal Masters, no Victoria Golf Course, em Vilamoura. Depois será erguido pelo seu décimo campeão. Aceitam-se apostas…

Portugal Masters - Previews

 

“O Portugal Masters é uma aposta muito válida”

Em conversa com Luís Araújo, que é desde Fevereiro o novo presidente do Turismo de Portugal, sponsor principal do Portugal Masters

Tendo desempenhado primeiramente, entre 2005 e 2007, o cargo de chefe de gabinete do então Secretário de Estado do Turismo, Bernardo Trindade, terá feito parte do nascimento do Portugal Masters, pois logo em 2005 jogou-se a World Cup no Oceânico Vitória, que serviu um pouco como de rampa de lançamento do Portugal Masters, que passou a jogar-se desde 2007 no mesmo campo. Que memórias é que tem desse tempo no que ao golfe diz respeito?

Não me peça memórias, porque já nem me lembro do que almocei (risos). Bem, lembro-me que, obviamente, eram funções diferentes, lembro-me de que na altura procurava-se um evento que pudesse ser o mais aglutinador possível e que permitisse dar alguma visibilidade aquilo que já se estava a fazer então, que era tentar promover o golfe como produto para o país. Lembro-me disso, tenho uma ideia, mas muito mais do que isso também não.

Agora, tenho acompanhado o percurso que tem sido feito e a visibilidade que tem sido dada ao golfe graças ao Portugal Masters e acho que de facto tem sido uma aposta muito válida.

Como é que vê essa evolução do Portugal Masters numa altura em que estamos já em contagem para a décima edição. Qual é a importância que este torneio tem para o Turismo de Portugal?

Eu acho que, dissecando um bocadinho, a questão do golfe é importante para o país. É importante porque qualifica, é importante porque dá visibilidade, é importante porque permite estender a ocupação das regiões para além daquela que é a época alta. E é importante porque, de certa forma, dá prestígio à região, dá prestígio como complemento à actividade turística da região.

A questão do Portugal Masters é claramente valorizadora da imagem do país como destino de grandes eventos e neste caso é um grande evento de golfe – e portanto dá uma visibilidade acrescida.

O CNIG (Conselho Nacional da Indústria do Golfe) fez um estudo sobre a avaliação que era feita pelos stakeholders, portanto, pela grande maioria dos campos de golfe, sobre se o Portugal Masters era positivo – e curiosamente 90 por cento das repostas foi que sim,  que de facto era positivo para a promoção do país como destino de golfe. Vejo assim com muito agrado que consigamos manter ao longo destes anos este torneio no país e no Algarve.

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Foi criada ou está a ser criada alguma estratégia de comunicação do Portugal Masters nos canais de promoção de Portugal?

Sim, eu acho que isso também é fruto da evolução que tem sido feita. O torneio é o mesmo mas temos claramente de nos focar no potenciar cada vez mais e de maneiras diferentes essa promoção e esse torneio. O que nós pedimos – e o que nós estamos a querer – é que haja um resultado em venda ainda maior graças ao Portugal Masters. Portanto, está a ser feita uma divulgação acrescida junto dos operadores internacionais. Obviamente que a maioria das nossas campanhas hoje em dia são digitais, o que nós queremos é que haja uma maior presença desse torneio nessas campanhas e que se utilizem as plataformas do Portugal Masters e a sua base de dados do PM para promover o destino como um todo na altura do torneio e fora dela.

Não existem condições para Portugal receber mais do que um torneio de circuitos profissionais europeus? Estou a dizer isto porque havia o Open de Portugal, já houve também um torneio do circuito feminino de profissionais, e também havia o Open da Madeira, que este ano não se realizou pela primeira vez desde 1993…

Os dados que nós temos hoje relativamente ao golfe mostram um crescimento eu diria que sustentado. Estamos a crescer. De Janeiro a Junho de 2016, comparado com 2015, houve aumento de 11,2 por cento no número de voltas. Isto demonstra que continua a haver interesse e cada vez mais apetência pelos nossos campos de golfe. É importante referir esta questão.

O Portugal Masters e outros eventuais torneios de golfe obviamente que potenciam ainda mais a boa imagem que Portugal já tem como captação destes mercados ou destes jogadores. Obviamente que o Turismo de Portugal está sempre receptivo a qualquer iniciativa que permita trazer ainda mais turistas e diversificar mercados. E depois existe uma coisa que por vezes esquecemos, que é a fidelização dos clientes. Portanto, tudo o que sejam iniciativas que permitam, com objectivos e resultados, traduzir este crescimento, claramente que somos os primeiros interessados nelas, e analisaremos com o maior interesse como analisamos sempre.

Agora, aqui há uma questão de aposta em vários outros produtos e várias outras regiões que têm de ser igualmente consideradas. Não fechamos a porta, mas achamos que temos ainda um papel muito grande a fazer, que é potenciar a imagem do Portugal Masters.

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Tem tido algumas conversas com responsáveis do European Tour?

Temos tido várias conversas. Aliás foi uma das primeiras reuniões que eu tive aqui no Turismo de Portugal, com o Peter Adams. E depois disso temos tido frequentes conversações, precisamente nesse sentido… de perceber qual é a melhor maneira de chegarmos ao consumidor final e qual é que é a melhor maneira de distribuirmos o produto Golfe através dos operadores. O objectivo é, como lhe disse, por um lado, captar turistas, por outro lado, fidelizar com uma experiência superior nos nossos campos e em última análise fazer com que eles repitam e voltem de outros mercados também.

Vem do principal grupo hoteleiro português, que tem vários campos de golfe. Qual é que é a sua relação ou ligação ao golfe?

Nunca joguei – e vou-lhe ser sincero: nunca visitei um campo de golfe do Grupo Pestana. Acho que aí sou totalmente isento. Aliás, acho que é isso que me faz olhar de uma maneira muito fria e objectiva o negócio do golfe. Agora, reconheço que é uma actividade importante como complemento de hotelaria, reconheço valências do ponto de vista de qualificação do destino e de fidelização e de repetição que são consideráveis. E por aí claramente que tenho o maior interesse em que o negócio do golfe funcione e seja um complemento importante para a actividade turística.

O novo Plano Estratégico para o Turismo vai estar pronto ainda este ano. Qual será o papel do golfe? Terá algum programa especifico ou será inserido numa promoção conjunta?

A estratégia “2027” [como se denomina o Plano Estratégico] está em discussão. Agora… pegando um bocadinho naquilo que eu lhe dizia, o golfe tem todos os atributos para ser uma chave fundamental nestes desafios que nós temos, seja na sazonalidade, seja na complementaridade com o interior, na dispersão pelo território nacional, ou seja, é demasiado importante para ser esquecido nesta estratégia, portanto, obviamente que vai ser considerado, vai ter o seu papel… Veremos depois de que maneira é que implementamos essa estratégia e quais são os planos acção que fazemos para o golfe em particular.

 © fotografias de Filipe Guerra

Andy Sullivan campeão integra elite mundial

18/10/2015

António Pires de Lima, ministro da Economia, entregou prémio ao vencedor e elogiou torneio. David Williams, presidente do European Tour, garante edição de 2016. Peter Adams, director do campeonato, avisa que haverá grande festa para o 10º aniversário e anuncia doação de 20 mil euros para SIC Esperança

Andy Sullivan manteve a tradição de nove anos do Portugal Masters e foi o 9º jogador diferente a conquistar o mais importante torneio português de golfe, que o European Tour organizou durante os últimos cinco dias no Oceânico Golf Course, em Vilamoura.

Mas o inglês de 28 anos fez questão de demarcar-se dos seus antecessores e de entrar para a história do evento do Turismo de Portugal, de 2 milhões de euros em prémios monetários, ao alcançar alguns recordes.

Com um total de 261 pancadas, 23 abaixo do Par, depois de voltas em 64, 64, 67 e 66, não bateu o melhor resultado de sempre na prova que continua a pertencer ao primeiro campeão, o seu compatriota Steve Webster, que atingiu as 25 abaixo do Par em 2007.

Contudo, Sullivan deixou o vice-campeão, o também inglês Chris Wood (que este ano ganhou o Lyoness Open, na Áustria), a 9 pancadas, a maior vantagem de um vencedor em Vilamoura, ao mesmo tempo que tornou-se no primeiro jogador a liderar o torneio do início ao fim (wire-to-wire), encabeçando o leaderboard em todas as voltas.

O seu registo estatístico de 26 birdies e apenas 3 bogeys foi deveras impressionante e também aqui fixou um novo recorde, ao ser o campeão do Portugal Masters que menos pancadas perdeu em quatro voltas, superando os 4 bogeys do inglês Tom Lewis em 2011. Claro que no ano passado, o francês Alex Lévy não teve qualquer bogey, mas o torneio resumiu-se a duas voltas.

«É, definitivamente (o título mais importante da sua carreira) por ter sido obtido na Europa Continental. É importantíssimo para mim. Espero que não me levem a mal, porque ganhar na África do Sul (primeiro no Open nacional e depois no de Joanesburgo) foi incrível. Foi a minha primeira vitória (Open da África do Sul) e irei lembrá-la para sempre. Mas há sempre dúvidas sobre se um jogador é capaz de ganhar na Europa e eu estou encantado de ter colocado um ponto final nessa interrogação. Ganhar um evento com este prestígio é inacreditável», disse Sullivan, na conferência de Imprensa, depois de somar o seu terceiro título do ano no European Tour.

É apenas a sétima vez na história do European Tour que um jogador vence os seus três primeiros títulos na mesma época e este ano Andy Sullivan é o único a poder orgulhar-se desse feito, deixando atrás de si grandes figuras do golfe mundial com “apenas” dois troféus da primeira divisão europeia: o norte-americano Jordan Spieth (Masters e US Open), o norte-irlandês Rory McIlroy (Omega Dubai Desert Classic e Cadillac Match Play Championship/WGC), os sul-africanos George Coetzee (Open das Maurícias e Tshwase Open) e Branden Grace (Alfred Dunhill Championship e Masters do Qatar), o indiano Anibarn Lahiri (Open da Malásia e Open da Índia) e o inglês Danny Willett (Nedbank Golf Challenge e Omega European Masters, na Suíça).

A vitória de hoje elevou Andy Sullivan, o mais sorridente de todos os campeões do Portugal Masters, ao top-50 do ranking mundial, ao 15º lugar da Corrida para o Dubai do European Tour e ao 6º do ranking europeu da Ryder Cup. Por outras palavras, vai entrar diretamente nos mais importantes torneios do Mundo, incluindo Majors.

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Na cerimónia de entrega de prémios, depois de receber o cheque de 333.330 euros (o maior da sua carreira), Sullivan agradeceu aos patrocinadores em geral e ao Turismo de Portugal em particular, elogiando «o esforço de Portugal em montar um torneio deste nível, quando são conhecidas as dificuldades que o país atravessa».

Antes, já António Pires de Lima se tinha antecipado a esta questão. No seu discurso bilingue, que agradou aos milhares de estrangeiros presentes (26.652 espectadores em cinco dias de prova), o ministro da Economia disse que «independentemente do Governo que Portugal vier a ter em poucas semanas, não há razão nenhuma para que um evento tão importante para o país não tenha um acordo plurianual com o European Tour».

Já na véspera, em entrevista à SportTV, David Williams, o presidente do Conselho de Administração do European Tour (“chairman”), tinha garantido que «em 2016 iremos celebrar os dez anos de Portugal Masters», confirmando que o Turismo de Portugal irá manter o apoio.

Daí que o diretor de campeonatos do European Tour e também diretor do Portugal Masters, Peter Adams, tenha convidado «todos a regressarem para o ano, pois temos planeada uma grande festa para o décimo aniversário».

A cerimónia de entrega de prémios foi bastante concorrida e contou com as seguintes presenças: António Pires de Lima (ministro da Economia), Vítor Aleixo (presidente da Câmara Municipal de Loulé), João Cotrim de Figueiredo (presidente do Turismo de Portugal), Manuel Agrellos (presidente da Federação Portuguesa de Golfe), Desidério Silva (presidente do Turismo Algarve), Carlos Luís (presidente da Associação de Turismo do Algarve), Arnaldo Paredes (representante da Secretaria de Estado da Juventude e Desporto), David Williams (presidente do European Tour), Chris Howell (presidente do Grupo Oceânico), Christopher Stilwell (presidente-executivo da Oceânico Golf), Peter Adams (diretor de campeonatos do European Tour) e José Maria Zamora (diretor de torneios do European Tour).

A manutenção do Portugal Masters é fundamental para o turismo português mas também para os jogadores portugueses e, como costuma salientar Manuel Agrellos, o presidente da FPG, nunca deveremos esquecer que «este é, sobretudo, um evento desportivo».

Em nove anos de Portugal Masters, só por uma vez não houve portugueses a passarem o cut e este ano foram dois. Ricardo Melo Gouveia confirmou em Vilamoura que é o melhor golfista luso da atualidade.

“Melinho” poderá não ter ganho (ainda) o título com que sonha e também não foi desta que um português ficou no top-10, mas como o próprio algarvio de 24 anos sublinhou, o 31º lugar empatado que alcançou tem boas consequências, muito para além do prémio 15.800 euros.

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«Esta classificação é muito boa porque, penso, os 35 primeiros contam para o ranking mundial e para o ranking olímpico e ainda não estou apurado (para os Jogos do Rio). Na última vez que olhei para a classificação estava em 39 e vão (aos Jogos Olímpicos) os primeiros 60», disse o nº2 do ranking do Challenge Tour, que totalizou 279 pancadas, 5 abaixo do Par, com voltas de 71, 68, 72 e 68. O seu final de prova foi emocionante, com 2 birdies a fechar nos seus dois últimos buracos (8 e 9).

Quanto ao triplo campeão nacional amador, Tomás Silva, acabou por viver o seu pior dia no torneio, em 75 pancadas (+4), mas, mesmo assim, concluiu no 68º lugar, com 287 (71+68+73+75), as mesmas 3 acima do Par do irlandês Paul Dunne que este ano surpreendeu toda a gente ao liderar o British Open na entrada para a última volta!

Dunne deve ter ficado radiante de já ser profissional e de Tomás Silva ser amador. Assim, o português não ganhou prémio monetário e foi o irlandês a embolsar os 4 mil euros.

Tomás Silva, por seu lado, pouco pensou no dinheiro que perdeu por ser amador e garantiu que em 2016 irá continuar com esse estatuto para ganhar experiência, ao mesmo tempo que conclui os estudos universitários.

E por falar em experiência, a que viveu em Vilamoura foi inolvidável: «É simplesmente fantástico andar aqui no meio destes jogadores, no meio da multidão, dar bons shots e ouvir palmas, ou então não dar bons shots e ouvir aqueles uhuhuhus. Foi uma semana muito divertida, embora tenha jogado mal nestes dois últimos dias saio daqui com um sorriso nos lábios».

Com um sorrido nos lábios andou Andy Sullivan todos os dias e foi também com muito agrado que Peter Adams anunciou aos milhares presentes no Oceânico Victoria que «o Portugal Masters angariou este ano 20 mil euros para a SIC Esperança».

NAS FOTOGRAFIAS: Andy Sullivan a receber o troféu das mãos de António Pires de Lima, ministro da Economia; Andy Sullivan no momento da vitória / © GETTY IMAGES; Ricardo Melo Gouveia num shot de saída / © FILIPE GUERRA

“Muitos espectadores tornam-se voluntários”

Sandra Slater é a responsável pelos voluntários do Portugal Masters, em nome de uma conhecida associação de golfe baseada no Algarve chamada Golf for Greys

Desde quando começou a organizar os voluntários do Golf for Greys para o Portugal Masters?

O meu envolvimento começou em 2005, quando o European Tour Golf pediu ao Golf for Greys para ajudar a recrutar voluntários para a World Cup of Golf, que se iria realizar no recém-inaugurado Victoria Golf Course, em Vilamoura. Quando o Portugal Masters começou em 2007, o Golf for Greys tinha consolidado uma posição privilegiada devido à base de dados de voluntários que tinha desenvolvido.

Como começou a desempenhar o seu papel? 

O falecido John Hawker convidou-me para um lugar na administração do comité de voluntários que ele estava a criar juntamente com o Eddie Pilkington, para a World Cup. 

Actualmente, quantos voluntários do Golf for Greys trabalham no Portugal Masters? 

O núcleo inicial do Golf for Greys foi aumentando ao longo dos anos, passando a incluir voluntários de outras organizações. Temos a sorte de se juntarem a nós, todos os anos, um grupo de cerca de 50 voluntários ingleses do European Tour, incluindo o European Tour Chief Marshal, Graham Wallage. Temos ainda a sorte de ter muitos espectadores que nos contactam para se inscreverem como voluntários para o ano seguinte. 

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Como é que são organizados para desempenharem as suas funções? Em quantas zonas do campo? Por exemplo, quantos marshals existem por buraco? 

Normalmente existem cerca de 360 voluntários a ajudar diariamente durante o Portugal Masters. Eles são colocados em todas as áreas do campo. A maioria encontra-se nos buracos e as suas funções são de marcar as bolas, controlo de espetadores e assistência aos jogadores. 

Dependendo do par do buraco, pode haver entre três a oito marshals em cada buraco. As partidas compostas por jogadores mais conhecidos e que podem atrair grandes multidões, também são acompanhadas por voluntários móveis que reforçam os que estão fixos em cada buraco. As bancadas principais também são controladas pelos voluntários.

Outro grupo grande de voluntários é colocado no scoring. Cada partida é acompanhada por um marcador que transmite o resultado da partida para a central, através de um parelho eletrónico. Os resultados são reconfirmados buraco a buraco e são depois colocados nos quadros de pontuação e nos leaderboards situados ao longo do percurso. Estes quadros são também da responsabilidade dos nossos voluntários. Normalmente cada partida tem ainda um “walking board” que apresenta o resultado individual de cada um dos jogadores. Este quadro ajuda aos espetadores que andam no campo em zonas onde não existem os quadros de pontuação ou leaderboards.

O grupo mais reduzido de voluntários é composto por aqueles que ajudam a European Tour Productions TV Company. Desempenham uma série de tarefas incluindo a condução dos buggies, e apoio com o material de filmagem. 

Existem muitos voluntários que começam a trabalhar antes do torneio? 

Antes de o torneio eu passo seis meses a recrutar, planear e organizar as tarefas dos voluntários. Um pequeno grupo de voluntários trabalha no domingo anterior ao evento, ajudando na organização das fardas, na credenciação dos voluntários, etc. 

O que recebem os voluntários em troca pelo seu trabalho? 

O pacote de benefícios para os voluntários que trabalham os quatro dias do torneio inclui dois pólos, um corta-vento, um boné, vouchers de bebidas, bilhetes e uma volta de golfe oferecida pelo Oceânico Golf. Os voluntários que apenas têm disponibilidade para trabalhar dois dias rebem um pacote reduzido. Existe a possibilidade de verem o torneio, mas apenas antes ou depois dos turnos. Fora isso, devem estar atentos aos espetadores e aos jogadores. 

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Quantas nacionalidades diferentes existem entre os voluntários e quais são? 

Mais de doze, mas a grande maioria são britânicos. Entre estes temos os que residem em Portugal e os que vêm propositadamente do Reino Unido para ajudar no evento. No passado tivemos voluntários da Irlanda, Espanha, Portugal, Alemanha, Holanda, Finlândia, Dinamarca, França, Republica Checa, Estados Unidos e outros.

Existem algumas histórias (engraçadas ou não tanto) entre os Golf for Greys no Portugal Masters? 

Uma vem imediatamente à memória. O buraco 7 do Oceânico Vitória tem um lago do lado esquerdo do fairway. Há alguns anos atrás o voluntário colocado no final deste lago, enquanto acompanhava o voo de uma bola para a poder marcar, escorregou para dentro do lago. Ele não sabia nadar e as margens deste lago são protegidas por um material muito escorregadio.  Ele não conseguia sair e então outro voluntário atirou-se para o ajudar. Também ele não conseguia sair do lago. Então, o pai de um dos jogadores, Jean Van de Velde, utilizou um guarda-chuva onde ambos os voluntários se agarraram, conseguindo sair. Molhados, mas salvos!

Tem alguma função específica no Golf for Greys para além da organização dos voluntários para o Masters?

Não. Inicialmente organizava competições para os sócios no Sotavento Algarvio mas foi uma função que ficou cada vez mais reduzida à medida que era necessário o recrutamento de mais voluntários para outras competições no Algarve. Entre outros eventos ajudámos em dois Opens de Portugal, no European Amateur Team Championships no Oceânico Victoria e no troféu Sir Michael Bonallack realizado em Monte Rei.

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 Fale-nos um pouco acerca de si… 

Sou inglesa, tenho 68 anos e o meu handicap subiu para 29. Eu e o meu marido temos uma casa no Sotavento algarvio. Estou também muito envolvida em outros eventos do European Tour no Reino Unido, Espanha e nos torneios mais importante do Senior Tour no Reino Unido e do Ladies European Tour. Também estivemos na Ryder Cup no ano passado em Gleneagles.

É residente em Portugal? 

Desde 1998 que passamos uma boa parte do tempo em Portugal, inicialmente em Cabanas e agora em Castro Marim. Quando estamos no Reino Unido, é em Kent, no sudoeste de Inglaterra, mas desde 2003 que passamos cada vez mais tempo em Portugal para desfrutar do clima maravilhoso e de uma vida descontraída. Eu sou sócia do maravilhoso clube de golfe da Quinta do Vale, o campo desenhado pelo Seve Ballesteros situado no sotavento. Também gosto de jogar e Oceânico Old Course e no Victoria sempre que tenho oportunidade. 

SANDRA SLATER FOTOGRAFADA POR FILIPE GUERRA DURANTE O PORTUGAL MASTERS 2015

 

“O Portugal Masters pode entrar em 400 milhões de lares”

27/07/2015

Entrevista com Peter Adams, Director of International Championships do European Tour e também Diretor do Portugal Masters, cuja nona edição será jogada entre os dias 15 e 18 de Outubro.

Encontrámo-nos com Peter Adams em meados de Julho no Tivoli Vitória, mesmo defronte do campo de golfe que recebe anualmente o Portugal Masters, o Oceânico Vitória. Aterrou em Faro e partiu de volta no mesmo dia. Veio passar uns breves instantes com Joana Trigoso (representante do European Tour em Portugal) porque, segundo ele, é importante estar cara a cara e não somente por telefone, desde Londres. Teve também reuniões no Oceânico (o campo do torneio), com a Lusort (proprietária do real estate em Vilamoura) e com a Inframoura (apoia na promoção do torneio). Mas teve tempo para conversar com o website do Portugal Masters. 

Tem estado envolvido no Portugal Masters desde a sua primeira edição? 

Sim, mesmo desde o princípio que foi em 2007. O Portugal Masters como que nasceu da WCF-World Cup 2005 no Algarve, um torneio de  que eu era o Director Executivo. Posteriormente, reunimo-nos com o Turismo de Portugal e perguntaram-nos se poderíamos lancar um novo evento para ocupar o lugar da World Cup. Esse novo evento transformou-se no Portugal Masters.

De todos estes anos de Portugal Masters, quais foram, para si, as edições mais memoráveis? 

Penso que há provavelmente três edições que sobressaem das outras: em 2009, quando ganhou Lee Westood que teve que jogar um extraordinário pitch de trás do green do 17 por cima das árvores e na direcção da água – e fê-lo maravilhosamente e este foi, eu acho, o shot mais memorável; em 2008, quando ganhou Alvaro Quiros – parece-me que no par 5 do 17, ele chegou ao green com duas pancadas, fez o birdie e foi muito, muito agressivo na forma como ganhou; e depois outro ano de realçar foi talvez o ano em que Shane Lowry ganhou – teve um apoio fantástico de toda a comunidade irlandesa do Algarve e jogou um golfe maravilhoso. Ah, mas não me posso esquecer de Tom Lewis em 2011, porque apenas dois ou três meses antes era Amador e jogou The Walter Cup em Royal Aberdeen, tornou-se professional e chegou e ganhou o seu primeiro torneio do European Tour. 

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Tem mais histórias do Portugal Masters que queira partilhar connosco? 

Acho que lhe contei as melhores. Temos algumas más recordações do ano passado porque obviamente foi memorável por uma razão diferente e foi memorável por ter sido o primeiro Portugal Masters desde sempre em que tivemos chuva, por isso foi um Portugal Masters diferente. Mas este ano, esperamos voltar com maravilhosas condições de sol que todos irão apreciar.

O ano passado foi, sem dúvida, a pior edição de sempre. Como lidou com as más condições do tempo? 

Foi muito difícil porque a chuva foi muito pesada, muito forte e caíu muita água. Foi simplesmente impossível drenar a água do campo de golfe a tempo de se poder voltar a jogar outra vez. De modo que ficámos apenas com 36 buracos para jogar o que é muito duro para quem está envolvido num torneio de golfe. Mas ao mesmo tempo penso que este foi apenas um ano em sete, todos os outros foram fantásticos.

Podemos dizer que o Portugal Masters é um dos mais consagrados torneios do European Tour? 

Acho que está actualmente bem firmado. Existe desde o ano de 2007. Sempre foi jogado aqui no Oceânico Vitória Golf Club que se tornou a casa do Portugal Masters e além disso os jogadores adoram-no porque podem vir de avião e estar aqui em menos de 20 minutos; usufruem de um excelente hotel para ficar, o Tivoli, que é um 5 estrelas fabuloso; e depois só têm de atravessar a estrada e ir jogar o seu jogo. Por isso temos jogadores muito bons a jogar aqui porque eles adoram este torneio.

Sabemos que alguns jogadores trazem consigo a família… 

É verdade. Recebemos imensas cartas e comentários dos jogadores e são sempre positivos e é uma semana muito simpática e confortável para os jogadores que muito a apreciam. Martin Kaymer, que tem participado em muitos Portugal Masters, considera-o como uma das suas semanas favoritas de todo o Tour. Isso é muito importante para nós porque temos de atrair para aqui bons jogadores. Por isso, eles gostam e vêm para aqui com as famílias, porque normalmente o tempo está bom, têm um excelente sítio para ficar e as suas mulheres e crianças podem diverter-se na piscina – também temos uma creche organizada especialmente para o torneio. Assim as crianças podem divertir-se e as senhoras terem algum tempo livre.

O Turismo de Portugal é o principal patrocinador do Portugal Masters? Que outros parceiros e patrocinadores estão envolvidos no torneio? 

O Turismo de Portugal é o investidor líder do Torneio e depois temos o Oceânico que é o anfitrião do evento e constitui um parceiro muito forte. Estamos a meio de um contrato de três anos com eles. Os Hotéis Tivoli são um parceiro muito forte também. Temos um contrato com eles por muitos anos – são investidores do torneio e também o Hotel Oficial. E depois temos alguns dos principais patrocinadores do European Tour como as Emirates Airlines, Rolex e outras empresas que são actualmente patrocinadoras do European Tour. E ainda, numa escala mais pequena mas também importante, temos empresas como a Bobby Jones que fornece a roupa, Marka, que é o Vinho Oficial do torneio. Todos estes patrocinadores se associam a nós seja como investidores seja com contribuições em produtos e serviços que ajudam o torneio a funcionar. 

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Há inúmeros fãs ingleses, escandinavos e alemães durante o Portugal Masters, mas o bom desempenho dos jogadores portugueses é também importante para o número de espectadores que aqui vêm. Está a par do que Ricardo Melo Gouveia está a fazer no Challenge Tour? 

Sei que ele tem estado a jogar muito bem. E sim, acho que um bom desempenho por parte de um jogador português é muito, muito importante para o torneio. Penso que foi há dois anos que Ricardo Santos estava no topo do leaderboard à partida para o último dia, e foi maravilhoso ver tantos espectadores portugueses a virem ao torneio. E o torneio precisa disso e penso que Portugal precisa que os seus jogadores joguem bem aqui porque este é um grande palco e uma grande oportunidade para eles.

Disse que tudo começou com o WCG World Cup em 2005. Nessa altura, os campos de golfe de Vilamoura eram propriedade da Lusotur, uma empresa do Grupo André Jordan, que os vendeu ao Oceânico Grupo em 2007. Como é actualmente a relação entre o European Tour e a Oceânico? 

Temos uma relação incrivelmente forte. Na verdade tínhamos uma excelente relação com o Grupo André Jordan e quando os campos de golfe foram vendidos à Oceânico rapidamente conhecemos a Oceânico além de que um dos membros do Grupo André Jordan ficou e serviu de ponte entre o Grupo André Jordan, a Oceânico e nós. E desde então, penso que a nossa relação se fortaleceu mais e mais. Eles reconhecem a vantagem de receber o Portugal Masters e nós apreciamos vir aqui porque temos tudo o que precisamos para um grande torneio de golfe.

Como classificaria o campo do Oceânico Vitória entre outros palcos do European Tour? 

É um bom campo de golfe. É um campo muito, muito bom para golfe de competição porque tem muita qualidade mas também porque tem imenso espaço e inúmeras vantagens para os espectadores. Por isso penso que está ao nível de muitos outros campos de golfe. Se não estiver muito vento, em muitos casos os profissionais podem fazer resultados muito baixos, mas não me importo. Acho que é simpático o publico ver muitos birdies e ver os jogadores a jogarem bem. Penso que a única razão para tentar tornar o campo um pouco mais difícil é para que se torne um desafio um pouco maior para os profissionais, mas de qualquer forma é um campo de golfe muito bom com uma excelente infraestrutura para nós.

Como é que o campo vai ser preparado para a edição deste ano? 

Uma ou duas mudanças. Não vão haver alterações específicas nos buracos, mas o rough vai ficar, como se costuma dizer, um pouco mais penalizador, porque as áreas fora dos fairways vão ter uma misture de rye-grass que é uma erva que cresce muito depressa o que proporciona um teste muito mais exigente para os jogadores. Acho que os jogadores o vão considerer um desafio. Também trabalhámos muito nos greens do Oceânico nos últimos anos para proporcionar uma superfície de putting muito firme e rápida. Acho que se conseguirmos greens firmes e rápidos e mais rough alto, então penso que será um teste mais difícil e que os jogadores vão apreciar isso.

Até ao início do torneios, quais são, a partir de agora, os vários passados na evolução do torneio? 

Estamos focados na organização do torneio e estamos a empreender algumas mudanças. Vai haver um serviço público de restauração diferente, vamos ter vários bares diferentes e vamos ter também uma experiência de golfe interactiva mais desenvolvida. As pessoas podem chegar e experimentar tacos de golfe, podem tentar e ter uma lição com um professional de golfe, podem tentar várias provas só para terem um dia de golfe mais completo.

Assim, estamos a trabalhar na organização toda, estamos a trabalhar na promoção do torneio – para transmitir a mensagem de que o Portugal Masters está no ar e que é uma excelente proposta para as pessoas virem e observarem os melhores jogadores do mundo e que se pode comprar os bilhetes com antecedência no site do European Tour. É um aspecto muito importante.

Estamos também a trabalhar com os nossos patrocinadores – o Portugal Masters tem cerca de 20 patrocinadores e damos a todos um pacote de diferentes direitos e benefícios e temos que tratar de todos eles e garantir que fornecemos todos esses direitos e benefícios e que todos tenham uma muito boa experiência.

E, por último, falar com os jogadores, encorajá-los a vir ao Oceânico Vitória, ao Portugal Masters e jogar o torneio. E isto é um diálogo contínuo entre nós e os jogadores e seus agentes.

Qual é o papel da Joana Trigoso no Portugal Masters? Ela é Portuguesa e trabalhou durante um ano na sede da European Tour em Wenthworth, mas agora está de regresso a Portugal… 

Começámos por conhecer a Joana no WGC-WorldCup em 2005, quando ela trabalhava no grupo André Jordan. Ficámos amigos desde então, e em determinada altura pedimos-lhe para vir trabalhar para nós na nossa sede em Wenthworth, perto de Londres. De forma que ela trabalhou para nós durante todo o ano passado e depois tornou-se uma boa oportunidade para ela ser a representante do European Tour aqui em Portugal, com base em Lisboa. Porque eu acho que é importante para nós ter uma pessoa portuguesa que pode falar com todas as outras pessoas portuguesas. Precisamos desse nível de comunicação e precisamos também de ter uma ligação muito forte com os portugueses que possa explicar como o golfe é importante em Portugal, como é que podemos chegar a mais golfistas portugueses, como podemos atrair mais portugueses a virem como espectadores ao evento. Por isso, faz todo o sentido para nós tê-la connosco.

Haverá espaço em Portugal para receber outro torneio do European Tour, nomeadamente na zona de Lisboa? 

Provavelmente no futuro, sim. Há cinco ou seis anos atrás, tínhamos o Open de Portugal no Estoril e também o Portugal Masters aqui em baixo no Algarve. É evidente que têm sido tempos difíceis em Portugal em termos económicos, pelo que tem sido muito sensato, eu acho, focarmo-nos no sucesso de um Portugal Masters no Algarve. Mas no futuro, à medida que as coisas forem melhorando, eu acho que haverá sempre essa possibilidade, assim commo a possibilidade de um evento do Challenge Tour ou do Senior Tour – no ano passado tivemos um torneio do Senior Tour em Vidago. De modo que estamos sempre a falar às pessoas nessas possibilidades.

Qual a importância da data do Portugal Masters, perto do fim da época, em termos de atrair bons jogadores? 

Bem, o Portugal Masters é jogado no momento em que os jogadores que querem fazer parte das Final Series e fazer parte do torneio final no Dubai estão a ver se jogam e ganham mais dinheiro para melhorar a sua posição, para garantirem que estarão nesses torneios finais.

Pode dizer-nos o que é o que o Portugal Masters traz em troca ao país em termos de visibilidade internacional? 

O Portugal Masters é televisionado durante os quarto dias e as imagens televisivas chegam a todo o mundo através de aproximadamente 40 difusões diferentes, com um alcance de cerca de 400 milhões de lares em todo o mundo. De forma que é uma publicidade fantástica para Portugal como país e é também uma publicidade fantástica para os campos de golfe do Algarve. É uma forte afirmação de que Portugal é um grande lugar para visitar e ficar, de que é um excelente destino de golfe. E em termos de impacto económico, fizemos um estudo económico do impacto do Portugal Masters há cerca de dois anos, e o impacto local efectivo para a área local é de pouco menos de quatro milhões de euros para o torneio e semanas que antecedem o torneio. E isto não inclui o efeito durante o ano inteiro do Portugal Masters como anúncio para vir e jogar golfe na zona.

Para além do trabalho, conhece bem Portugal? 

Sinto que o conheço bem em alguns aspectos, porque venho cá desde provavelmente 2003, mas sobretudo em trabalho. Também aqui venho, de tempos a tempos, de férias e é como eu acho que o conheço pessoalmente, mas também em negócio tenho tido muita sorte pois já tive oportunidade de conhecer um pouco de Lisboa, um pouco das várias áreas de golfe em Portugal, como o Algarve, a Costa do Estoril e também a Praia d’El Rey em Óbidos. Sinto-me por isso muito familiarizado com o golfe em Portugal e acho que o conheço bastante bem.Gosto muito de cá vir.

Quando está de férias onde é que vai mais?

Tanto a Lisboa como ao Algarve. A Lisboa, para um intervalo de cidade. E trouxe a minha família a Lisboa, divertiram-se imenso e também temos ido ao Algarve para jogar um pouco golfe e ir à praia.

Joga golfe? 

Não me sobra tempo para jogar. Já joguei bom golfe, agora jogo um golfe médio. Em Inglaterra. Ninguém deve conhecer o meu clube de golfe: Beaconsfield Golf Club, em Buckinghamshire, a oeste de Londres.

Como Director dos Torneios Internacionais no EuropeanTour, deve viajar muito… 

É verdade. Acho que quase todas as semanas estou dentro de um avião. Não estou muito tempo em casa, mas gosto do meu emprego e de viajar. E tenho uma mulher muito compreensiva.

* PETER ADAMS FOTOGRAFADO NO OCEÂNICO VICTORIA POR FILIPE GUERRA