Senti que era a minha vez de agarrar o título, antes que alguém o fizesse


Senti que era a minha vez de agarrar o título, antes que alguém o fizesse

Seis anos depois de se ter tornado jogador profissional de golfe, pondo fim a uma brilhante carreira amadora (foi campeão europeu em 2010 e esteve duas vezes no Troféu Eisenhower pela Dinamarca), Lucas Bjerregaard alcançou, aos 26 anos, o seu primeiro título no European Tour, por ocasião do 11.º Portugal Masters, no Dom Pedro Victoria Golf Course, em Vilamoura. 

Ele tinha vencido em Maio, em representação da Dinamarca, a edição inaugural do GolfSixes, tendo como parceiro Thorbjorn Olesen, mas este torneio não era pontuável para a Race to Dubai. 

Com a vitória em Vilamoura, Bjerregaard saltou do 114.º na classificação da Race to Dubai para o 48.º, entrando assim confortavelmente nos torneios finais dos play-offs que se vão jogar no Outono. Mais importante ainda, a vitória garantiu-lhe o cartão para a temporada 2018. 

Esta foi a terceira vez que partiu para a última volta a liderar. Nas duas ocasiões anteriores, acabou em segundo lugar no UBS Hong Kong Open de 2015 e ficou em terceiro empatado no Volvo China Open de 2016. 

Foi a 34.ª vitória de um jogador da Dinamarca no European Tour e o décimo vencedor dinamarquês diferente. Mas esta foi a primeira vitória da época por parte de um jogador da Dinamarca. 

Que tal foi a sensação de vencer o Portugal Masters? 

Foi ótima. Definitivamente, era a vitória que eu procurava, e, para ser honesto, estava a ser difícil. Estar novamente na contenda foi muito bom – e sair no topo soube ainda melhor. Senti-me bastante confiante. No domingo de manhã, a minha namorada perguntou-me se eu estava nervoso, e eu disse: “Não te preocupes, tenho tudo sob controlo.” Provavelmente, mais para a acalmar do que outra coisa. Já tinha estado nesta situação um par de vezes no passado, pelo que foi muito bom finalmente vingar e conseguir a minha primeira vitória.

Já alguma vez tinha jogado melhor, especialmente sob pressão? 

Penso que a minha última volta estará por certo entre uma das melhores. Talvez não tanto pelas seis pancadas abaixo do par aqui – já o fiz antes – mas por bater os shots que bati debaixo de pressão. Os dois shots no 17 são dos melhores que bati em muito tempo. E mesmo no 18, há tanta coisa que pode correr mal. Também soube bem o ter feito alguns birdies cedo, como se fosse a minha vez de agarrar o título, e não esperar que alguém mo entregasse.

O que lhe agradou mais no domingo, os 24 putts no total ou o seu ball striking? 

‘Patei’ bem, o meu ritmo foi um pouco melhor no domingo, mas em termos gerais joguei muito bem. Estive bem nos drives, melhor do que no sábado, mais como nas duas primeiras voltas. Ofereci-me muitas oportunidades, e tirei partido de alguns daqueles 24 putts.

Junta-se a Thomas Bjorn e a Soren Kjeldsen, bem como ao seu bom amigo Thorbjorn Olesen, entre outros, na qualidade de dinamarqueses a vencer no European Tour. O que significa para si?

Significa muito. Há quatro anos que ando por aqui, e, para ser honesto, começamos a duvidar se alguma vez vai acontecer, porque sabes que é preciso uma semana em que tudo se conjuga. Felizmente para mim, esta foi a semana. Tem sido duro, já tive um par de oportunidades no passado e não tirei partido, pelo que sair vencedor agora é muito bom.

Quais são os jogadores dinamarqueses com quem se dá mais?

Com todos. Quando estamos fora em competição, costumamos jantar juntos, e sim, aprendi muito com os mais velhos. Os mais novos, conhecemo-nos  há muito tempo, mas Bjorn e Kjeldsen e outros têm sido uma grande ajuda, com os seus conselhos. Damo-nos todos muito bem.

E o que significa Portugal para si? 

Muito. Obviamente, esta vitória é especial, é aqui em Portugal que consigo a primeira da minha carreira. Estou com a minha namorada há quatro anos, e gostamos muito do país. O tempo é fantástico, assim como os hotéis, os campos de golfe e a gastonomia. Gostamos muito de vir cá e é certo que estaremos cá no próximo ano. Em termos de Portugal Masters, não tem sido mau, penso que terminei no top-10 há dois anos e perto do top-10 o ano passado, pelo que se trata obviamente de um campo de que gosto. Ter feito melhor este ano é muito significativo.

Conte-nos como começou a jogar golfe?

O meu pai começou a jogar golfe quanto eu tinha 10 anos, e levou-me para o campo. Gostei de imediato. Foi no nosso clube local, 40 minutos a norte de Aalborg. O meu pai tinha lá alguns amigos, e nós como que jogámos um contra o outro por muito tempo.

Quanto soube que queria ser jogador profissional? 

Acho que bastante cedo, quando tinha talvez 15, 16 anos, qualquer coisa como isso. Bem, era um sonho que eu tinha desde que comecei a jogar golfe, mas só com 16, 17 anos comecei a aperceber-me de que talvez tivesse hipóteses. Depois ganhei o Campeonato da Europa quando tinha 18, e logo a seguir pensei que gostaria de tornar-me profissional.

Obviamente ganhou o GolfSixes em parceria com Thorbjorn Olesen, em representação da Dinamarca, mas poderá a a vitória no Portugal Masters representar um ponto de viragem na sua carreira? 

Espero que sim. Tem sido um ano duro, até ao momento, por isso espero que as coisas mudem um pouco e que sejam melhores daqui para a frente.

Está a pensar comprar alguma coisa de especial com o prize-money? 

Não. Ainda não pensei nisso, mas estou certo que haverá alguma pressão por parte da minha namorada.

Fale-nos do seu interesse no levantamento de pesos.

Bem, gosto de me exercitar. Não sei se é um interesse, mas gosto. Quando tenho algum tempo livre, tudo o que faço é treinar e ficar em casa, pelo que não tenho muitos mais hobbys.

 Lucas Bjerregaard entrevistado por Rodrigo Cordoeiro e fotografado por Filipe Guerra

 

 

Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on LinkedIn