11.º Portugal Masters: “Um grande palco em perspectiva”


11.º Portugal Masters: “Um grande palco em perspectiva”

Conversámos com Peter Adams mesmo antes da apresentação do 11.º Portugal Masters aos media portugueses, a 29 de Agosto, no próprio palco do torneio, o Dom Pedro Victoria Golf Course. Não só nos contou em primeira mão quais são os grandes nomes que vêm este ano a Vilamoura, como nos informou sobre os novos arranjos em torno do 18.º buraco; a preparação do campo; as transmissões televisivas; as marcas que estarão envolvidas; o relacionamento com os novos proprietários do campo; os jogadores portugueses; e a instituição de Solidariedade Social Oficial do torneio. 

PERGUNTA – De todos os grandes nomes que vêm ao próximo Portugal Masters, estou certo que estará especialmente encantado com o de Padraig Harrington, o campeão em título. 

PETER ADAMS – É sempre importante para qualquer torneio de golfe ter o campeão em título a participar, e isso nem sempre acontece. Mas Padraig Harrington vai voltar e defender o título. Penso que toda a gente no golfe, universalmente, ficou encantada por ele ter ganho no ano passado. Ele é uma enorme figura no golfe, vencedor de três majors e com seis participações na Ryder Cup. É uma lenda do golfe.

Também é fantástico ele ser irlandês. A Irlanda é um dos mais importantes territórios para o Turismo de Portugal. Há imensos irlandeses a virem jogar golfe ao Algarve e muitos deles até têm casa lá. Por isso Padraig é um vencedor muito popular para o público. E acho que a cobertura dada pelos media em 2016 foi muito, muito forte, porque obviamente foi a primeira vez em muitos anos que ele obteve uma vitória no European Tour.

Mas ele não é a única estrela irlandesa e ex-campeão – Shane Lowry também irá estar em Vilamoura. Na verdade ele ganhou aqui o seu primeiro torneio europeu como profissional, em 2012. Tem, na verdade, a distinção de ter ganho o Open da Irlanda como amador em 2008, pelo que a sua vitória em 2012 foi a primeira como profissional. E para o tornar ainda mais famoso, em 2015 ganhou um torneio dos World Golf Championships, o Bridgestone Invitational. É também um campeão muito popular.

E quanto às outras estrelas…?

Andy Sullivan é uma excelente notícia para o torneio, porque ganhou o Portugal Masters em 2015 e foi vice-campeão em 2016. É um jogador da Ryder Cup, vencedor de múltiplos torneios do European Tour… Outra coisa excelente sobre ele é que traz o seu próprio exército de espectadores, chamado o “Exército Sully”. É uma grande estrela, sobretudo para os ingleses, que vão aparecer em quantidade para o ver. Ele adora Portugal e o Portugal Masters.

Virá acompanhado pelos seus compatriotas Danny Willett e Matthew Fitzpatrick. Willet, campeão do US Masters em 2016, está neste momento a trabalhar no seu jogo. Penso que tem passado por algumas dificuldades nos últimos meses, mas parece que o jogo está a voltar e decidiu vir e jogar em Portugal.

Fitzpatrick virá jogar o primeiro Portugal Masters da sua vida. Vem de uma excelente época no ano passado, em que ganhou o Nordea Masters e depois o DP World Tour Championship no Dubai, que é o grande evento de fim da época no European Tour. E, claro, jogou na Ryder Cup. É um jovem, penso que tem apenas 22 anos, é uma grande estrela para o futuro e é óptimo que venha jogar.

E depois temos Thomas Pieters, que na última Ryder Cup em Hazeltine, ganhou quatro das suas partidas jogando como rookie. Na verdade ele adora vir a Portugal, penso que tem família e amigos aqui. É uma grande estrela, tem tido um ano excelente, com alguns bons lugares em vários torneios importantes, incluindo um quarto lugar no US Masters em Abril, pelo que vem em grande forma.

 

Para além do campo o que poderemos esperar do próximo Portugal Masters? 

A grande novidade é a data. É a primeira vez que o Portugal Masters se joga em Setembro. E apesar de termos tido sete anos muito bons em Outubro, também tivemos alguma chuva nos últimos dois, três anos. Foi por isso que quisemos adiantar um pouco a data do torneio, para aumentar as hipóteses de termos um Portugal Masters com sol. Adoramos a ideia de o Portugal Masters se jogar no Algarve sob um sol radioso.

Também vamos mudar algumas coisas no campo de golfe. Vamos ter um enquadramento diferente à volta do green do 18. Perto do Eagle Lounge – que é o novo nome da nossa tenda VIP – vamos ter duas tendas individuais exclusivas de boas-vindas, uma para a Rolex e outro para a Dom Pedro Golf Collection.

E depois, quando se joga o buraco 18, no lado direito, teremos um grande bar, com um enorme terraço para o público com vista para o 18. É patrocinado pelo Golf Breaks. Daí, há uma ligação directa à bancada, que ficará localizada pela primeira vez no lado direito do green quando se joga o buraco. Isso permite às pessoas ir lá comprar uma bebida e levá-la para a bancada para apreciar o jogo.

A outra novidade este ano é que vamos ter um ecrã gigante de televisão no exterior, no buraco 18, do outro lado do lago, que mostrará o leaderboard e também golfe ao vivo. Antigamente, tínhamos um leaderboard manual antiquado, desta vez teremos um grande ecrã à volta do 18. Toda a gente ali poderá ver golfe ao vivo e, ao mesmo tempo, os jogadores à sua frente a jogar o buraco. Vai ser um teatro fantástico. 

Não sendo o Portugal Masters um torneio das Rolex Series, a Rolex não deixa mesmo assim de marcar presença no Dom Pedro Victoria Golf Course… 

Sim. A Rolex considera Portugal um território importante. O director da Rolex em Lisboa valoriza o Portugal Masters, como uma oportunidade para promover a marca, não apenas em Portugal, mas internacionalmente, por causa da distribuição televisiva em todo o mundo. Mas também pelos países de língua portuguesa, como o Brasil e Angola, que são também mercados importantes.

Que outras marcas estão envolvidas no Portugal Masters?

Obviamente, o Grupo Dom Pedro, através da Dom Pedro Golf Collection. É uma óptima oportunidade para eles. Também o Anantara Vilamoura Algarve Resort – faz parte do Minor Hotel Group, que comprou o original Grupo Tivoli. Este será o hotel dos jogadores, ali mesmo ao lado do campo. Também temos a Emirates, parceira do European Tour, e que, como sabe, opera com voos de e para Lisboa. Portugal é um mercado importante para a Emirates. E depois companhias como o BPI, o Banco Oficial do Portugal Masters. O BPI patrocina este ano a Zona Interactiva, onde os adeptos do golfe que visitam o Portugal Masters podem ter ter lições de golfe de profissionais da PGA ou entrar numa competição de longo putting. Basicamente, envolverem-se com o jogo do golfe. Há assim muitas marcas envolvidas, e o seu investimento é por nós muito valorizado. Precisamos deles para manter o evento na linha da frente do European Tour.

Como estará o campo em termos de setup? 

É uma nova administração aqui no Dom Pedro Golf, novas pessoas a olhar pelo campo de golfe e pela clubhouse, e têm feito um trabalho imenso para elevar o nível. Os fairways vão estar muito bons, assim como os greens. Porque tivemos um Verão muito quente, é difícil fazer crescer o rough, pelo que este estará um pouco mais curto do que gostaríamos. Mas no futuro faremos uma transição no rough de relva rye para bermuda. Esperamos ter a transição feita já no próximo ano. A relva Bermuda gosta do tempo quente, o que significa que o Dom Pedro Victoria vai passar a ter relva mais forte mesmo nos meses mais quentes do ano.

O que se pode esperar da difusão internacional? 

Bem, eu começaria talvez pelo canal anfitrião, que para Portugal continuará a ser a Sport TV. E depois o European Tour, através da nossa empresa European Tour Productions, trata de tudo para a transmissão do torneio pelo mundo inteiro. Temos acordos com aproximadamente 40 canais internacionais, a partir dos quais o Portugal Masters vai ser mostrado ao vivo todos os dias, de quinta-feira e domingo, para mais de meio milhão de lares em todo o mundo.

Será uma transmissão muito forte. O torneio pode ser visto nos maiores territórios: Europa, América do Norte, Médio Oriente e Extremo Oriente, Ásia e Australásia. O que é muito importante para vender Portugal como destino turístico para golfistas, mas também muito importante para todos os patrocinadores, para que tenham uma fabulosa exposição internacional.

Um bom desempenho por parte dos jogadores portugueses seria importante para atrair ainda mais espectadores ao Portugal Masters. Está a par do que fez Ricardo Melo Gouveia o ano passado, na sua primeira época no European Tour?

Sim. O Ricardo é um golfista extremamente talentoso. Na minha opinião, ele tem o jogo e o talento para ganhar o Portugal Masters. Acho que seria fantástico para o torneio e para Portugal, se ele conseguisse ganhar em casa, assim conquistando a imaginação dos adeptos de golfe portugueses. Gostaríamos de ver muitos mais jogadores e adeptos portugueses no Portugal Masters.

É importante dizer também que os membros da Federação Portuguesa de Golfe têm um desconto de 25 por cento se comprarem os bilhetes com antecedência, ou se apresentarem os respectivos cartões nos portões de entrada. Queremos que seja acessível.

É um torneio de “field” completo. Com mais horas de luz do dia em Setembro, teremos 156 jogadores em vez dos 126 do passado, de quando se jogava em Outubro. Assim temos seis convites para jogadores profissionais portugueses. Ricardo Melo Gouveia não precisa de um, visto qualificar-se directamente para o torneio, o que significa que haverá mais seis profissionais portugueses além dele e dois lugares para amadores, para um total de nove jogadores portugueses. É uma grande oportunidade para eles, seja para os que tentam conquistar o cartão para jogar no Tour, seja para aqueles que precisam de ganhar a experiência de jogar num grande torneio. O Portugal Masters oferece-lhes isso. 

Que tal é trabalhar com o Grupo Dom Pedro, os novos donos dos campos de golfe de Vilamoura?

Muito bom. Desenvolvemos já um excelente relacionamento. Já conhecíamos muitas pessoas no Dom Pedro. Por exemplo, o CEO Luís Correia da Silva. Conheço-o desde o tempo da Algarve World Cup in Portugal, em 2005. Na altura ele era o secretário de Estado do Turismo. Também já conhecia os dois proprietários, Keith Cousins e Stefano Saviotti. Estamos a trabalhar de perto com eles. Como eu disse atrás, eles fizeram um esforço tremendo para melhorar o nível do Dom Pedro Victoria Golf Course, o que inclui também melhorias na clubhouse, incluindo na área do Players Lounge, com novos móveis, novos revestimentos, um novo telhado e uma decoração completamente nova. O Portugal Masters beneficiará de tudo isso.

Como o ano passado, a EDGA (Federação Europeia de Golfe Adaptado) foi eleita a instituição de Solidariedade Social Oficial do torneio. 

Porquê? O ano passado pensei em como é espantoso ver golfistas com diferentes níveis e tipos de deficiência a marcarem presença no Portugal Masters. Na verdade, pensei que era bastante sensacional a maneira como eles jogavam um golfe tão incrível com as deficiências que têm. E acho que é uma causa fantástica, se o Portugal Masters puder fazer o que quer que seja para encorajá-los a envolverem-se no desporto do golfe, a tirar partido de tudo o que o golfe lhe pode oferecer. Estou muito contente que estejam de volta este ano.

A EDGA começou um projecto o ano passado, treinando um número de profissionais de golfe em Portugal para saberem lidar com pessoas com deficiência e ajudá-las à introdução no golfe. É uma iniciativa nacional em Portugal. E este foi só o começo. Se conseguirmos angariar mais algum dinheiro, eles podem continuar com o projecto e encorajar ainda mais pessoas com deficiência e envolverem-se na modalidade.

Haverá algumas iniciativas relacionadas com a EDGA, como sucedeu o ano passado 

Sim, claro. Estamos a planear fazer muitas das coisas que fizemos o ano passado. Haverá uma demonstração da EDGA no practice range e no practice green. No sábado, depois de os jogadores terem terminado as suas voltas, vamos ter seis jogadores da EDGA a jogar o 18 defronte do público. Queremos filmar para transmitir pela televisão, com comentários. Também a estamos a considerar a hipótese de ter alguns jogadores do European Tour a jogar com eles. Penso que é uma grande oportunidade para mostrar os talentos da EDGA, de maneira a que os espectadores apreciem as suas capacidades e o golfe fantástico que conseguem praticar apesar das suas deficiências. 

Esta será a sua décima primeira vez como director do Portugal Masters…

Sinto-me muito privilegiado por ter tido o WGC— Algarve World Cup in Portugal, em 2005, como o meu primeiro torneio no Algarve. Na altura eu estava encarregado de todos os World Golf Championships na Europa, pelo que vim aqui dirigir a World Cup, também no Victoria Golf Course. E foi depois da World Cup que me reuni com o Turismo de Portugal, que nos pediu então para criarmos um novo evento de marca no Algarve, que viria a ser o Portugal Masters. O primeiro foi em 2007. Tenho tido muita sorte por poder vir trabalhar em Portugal, num campo de golfe fabuloso, numa bela parte do mundo que é o Algarve. Trabalhamos muito em Lisboa, mas obviamente é no Algarve que o torneio tem lugar, e tenho tido a sorte de trabalhar com óptimas pessoas, que muito se preocupam com o golfe em Portugal. Sejam do Turismo de Portugal, da Dom Pedro Golf ou dos anteriores donos do Victoria. Tem sido um privilégio.

Peter Adams entrevistado por Rodrigo Cordoeiro e fotografado por Filipe Guerra

Legenda das fotografias por ordem de apresentação:

Padraig Harrington no último dia do Portugal Masters 2016 onde foi campeão / GETTY IMAGES

Peter Adams durante a apresentação do Portugal Masters 2017 aos Media / FILIPE GUERRA

Peter Adams e Ricardo Melo Gouveia / FILIPE GUERRA

Peter Adams e Luís Correia da Silva CEO da Dom Pedro Golf / FILIPE GUERRA

Jogadores da EDGA durante o Portugal Masters 2016 / GETTY IMAGES

 

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